Antes da primeira paragem para as seleções da temporada e do primeiro clássico, o Sporting voltou a ceder pontos em Vila Nova de Famalicão. Na antecâmara de uma jornada importante nas contas do Campeonato Nacional, os leões, como habitual, tiveram dificuldades para superar o Famalicão de Carlos Carvalhal, mas acabaram por se colocar em vantagem na ponta final da partida, através de uma grande penalidade cobrada por Luis Suárez. Contudo, os famalicenses reagiram à desvantagem e à expulsão de Roméo Beney e, no tempo de compensação, empataram o jogo por meio de um autogolo do capitão Gonçalo Inácio (1-1). Nesse sentido, a equipa de Rui Borges viu o FC Porto e o Benfica fugirem antes do embate entre ambos no Estádio do Dragão, sendo certo que não iria entrar em outubro na liderança da Primeira Liga.
Curiosamente, o central que foi convocado por Jorge Jesus para os quatro primeiros jogos da Liga das Nações já tinha apontado um golo na própria baliza no duelo anterior, frente ao Galatasaray, repetindo um feito que Seba Coates tinha alcançado pela última vez em 2019/20, quando fez autogolos em jogos consecutivos. A semana dos leões ficou ainda marcada pelo regresso à competição de João Simões, que não competia desde abril devido a uma fratura no quinto metatarso do pé direito, tendo voltado à ação na equipa B, onde também esteve Rafael Nel. Em termos individuais, Flávio Gonçalves viu premiado o bom início de temporada e conquistou o prémio de melhor jovem do mês de agosto, atribuído pela Liga Portugal, já depois de ter recebido a mesma distinção do Sindicato dos Jogadores.
Ficha de jogo
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Sporting-Arouca, 2-2
7.ª jornada da Primeira Liga 2025/26
Estádio José Alvalade, em Lisboa
Árbitro: David Silva (AF Porto)
Sporting: Rui Silva; Iván Fresneda, Zeno Debast, Gonçalo Inácio, Maxi Araújo; Sergi Altimira, Issa Doumbia (Pedro Lima, 86’); Geny Catamo, Rodrigo Zalazar (Silas Andersen, 66’), Nestory Irankunda (Eduardo Quaresma, 57’); Luis Suárez (Fotis Ioannidis, 86’)
Suplentes não utilizados: Kaique Pereira; João Simões, Rafa Nel, Georgios Vagiannidis, Jesse Derry, Luis Guilherme, Rodrigo Dias e Flávio Gonçalves
Treinador: Rui Borges
Arouca: Ignacio de Arruabarrena; Tiago Esgaio, Javi Sánchez (Dylan Nandín, 86’), Jose Fontán, Orest Lebedenko; Espen van Ee (Pedro Santos, 59’), Mateo Flores (Gabriel Rukavina, 46’), Taichi Fukui; Alfonso Trezza (Brian Mansilla, 69’), Naïs Djouahra e Iván Barbero (Fally Mayulu, 86’)
Suplentes não utilizados: Jakub Vinarcik, Martim Duarte; Diogo Monteiro, Boris Popovic, Rachid Gomes, Mario Climent e Shioo Park
Treinador: Vasco Seabra
Golos: Inácio (3’), Suárez (17’), Fontán (g.p., 81’) e Nandín (87’)
Ação disciplinar: cartão amarelo a Van Ee (36’), Javi (44’), Fontán (50’) Santos (61’), Suárez (61’), Quaresma (78’), Mansilla (90+2’), Araújo (90+4’) e Inácio (90+8’), vermelho a Debast (54’)
“Arouca? É uma das boas equipas do nosso Campeonato, apesar do último resultado negativo. O treinador deles foi o treinador do mês. Gosta de valorizar o jogo e de ter bola. Mesmo com as equipas grandes gosta de dividir o jogo ao máximo. É uma equipa muito associativa. Esta época parece mais consistente em termos defensivos. Espera-nos um jogo difícil, mas estamos mais focados no que podemos fazer. Clássico? Estou preocupado apenas com o nosso jogo. Vamos fazer de tudo para conseguir uma vitória em casa, perante os nossos adeptos. Consistência? Também já ganhei muitos jogos nos últimos minutos. É perceber como e porquê. Temos dois empates com dois autogolos. São coisas que não controlamos. Fomos campeões nacionais, estivemos em duas finais da Taça de Portugal, estivemos numa final e numa meia-final da Taça da Liga, disputámos uma Supertaça, fizemos 82 pontos em duas épocas…”, reagiu Borges.
“Exigência dos adeptos? Vai existir sempre. Temos de saber lidar com ela, a mim não me preocupa nada. Temos de perceber o contexto das coisas, olhar para o trajeto e perceber todo esse trajeto, não os dois golos. O trajeto da equipa técnica de Rui Borges não é bom, é muito bom. Tive duas derrotas no Sporting para o Campeonato. Queria ganhar mais, estive nas decisões e farei sempre tudo para estar lá, seja no Campeonato, seja na Liga dos Campeões. Nos últimos 20 anos nem sei se houve uma equipa portuguesa a fazer o que fizemos na época passada. Queremos ganhar muito mais, mas estou focado e bem com o nosso trabalho. Não caímos de paraquedas no Sporting. Estou tranquilo e motivado quanto ao futuro”, completou o treinador português.
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— Sporting CP (@SportingCP) September 19, 2026
Os lobos arouquenses chegaram a Alvalade a viver um bom momento, apesar de terem perdido na receção ao Santa Clara no último fim de semana (1-2). Ainda assim, a equipa comandada por Vasco Seabra ocupava o sexto lugar da Primeira Liga, fruto de um mês de agosto em que venceu três jogos e só perdeu no Dragão (0-2). “É um encontro difícil, contra um adversário bom, claro. É um adversário que tem muita qualidade individual, está em transformação em termos daquilo que eram os seus jogadores nucleares, mas que, obviamente, tem a continuidade do seu treinador, da ideia de jogo e de uma forma muito forte de enfrentar o jogo. Vem de um empate e quer entrar com tudo. Temos uma confiança total no plantel. Se acredito que vamos ser altamente rematadores e que vamos rematar 40 vezes no jogo, acho que vai ser difícil. O que queremos é ter a capacidade de conseguir competir a alto nível. Esse é que é o nosso desafio e o nosso anseio”, partilhou o melhor treinador de agosto.
Em relação ao empate em casa do Famalicão, Rui Borges apresentou duas novidades, mexendo do meio-campo para a frente, de onde saíram Luis Guilherme e Flávio Gonçalves a saírem para o banco. Para os seus lugares entrou, de forma natural, Rodrigo Zalazar, ao passo que Nestory Irankunda se estreou a titular com a camisola dos leões, dando novas dinâmicas ao lado esquerdo do ataque, embora o treinador leonino tenha optado por abdicar das permutas entre Flávio e Rodrigo. Já Vasco Seabra chegou a Alvalade com apenas uma novidade — e forçada —, já que Pablo Gozálbez contraiu uma lesão muscular diante dos açorianos. Para o seu lugar entrou Mateo Flores, com o triângulo do meio-campo a inverter-se.
O Sporting entrou com fome de reverter o resultado negativo da passada semana e chegou ao golo com pouco mais de dois minutos decorridos, num lance de laboratório nascido na bola parada: Maxi Araújo assumiu a cobrança e tocou curto para Geny Catamo, o moçambicano devolveu ao uruguaio que, depois de passar pelo opositor direto, cruzou para o primeiro poste, onde Gonçalo Inácio apareceu a completar de cabeça para o fundo da baliza de Ignacio de Arruabarrena, que ficou muito mal na fotografia (3′). O golo acabou por não afetar o desenrolar do jogo, que se tornou vertiginoso nos minutos que se seguiram, com o Arouca a apresentar-se sem medo de assumir o seu plano. Nesse sentido, Javi Sánchez ficou perto do empate na sequência de um canto de Taichi Fukui e de uma má saída de Rui Silva (12′). Na resposta, Inácio isolou Maxi que, perante a saída do compatriota, fez o chapéu para fora (13′). No lance seguinte, Naïs Djouahra recebeu à entrada da área e atirou ao lado (14′).
Os leões voltaram à carga e aproveitaram as fragilidades defensivas dos arouquenses para dobrarem a vantagem, num lance de envolvimento pela direita, com Zalazar a colocar em Geny, que colocou em Iván Fresneda na área e passou atrasado para Luis Suárez que, com tempo e espaço para decidir, desferiu um remate cruzado que entrou junto ao poste mais distante (17′). Pouco depois, Irankunda teve um golo anulado por fora de jogo (20′), numa altura em que o Sporting já tinha assumido o controlo do jogo, mostrando-se bem mais tranquilo. Já na parte final do primeiro tempo, o Arouca voltou à carga num lance rápido, com Iván Barbero a servir Orest Lebedenko na área, o ucraniano tentou devolver ao ponta de lança, mas a bola ressaltou num defesa e obrigou o guarda-redes a aplicar-se (35′).
Na etapa complementar, Gabriel Rukavina entrou de imediato para o lugar de Flores, mas os leões voltaram a entrar bem, com Zeno Debast a ameaçar o golo com um remate à queima-roupa, vindo de trás, para defesa apertada de Ignacio de Arruabarrena (49′). Contudo, no período de maior controlo da sua equipa, o belga acabou por meter água e foi expulso por entrada muito dura sobre Rukavina, junto à linha (54′). Rui Borges restabeleceu a defesa com a entrada de Eduardo Quaresma para o lugar de Nestory Irankunda, ao passo que Vasco Seabra lançou Pedro Santos e o técnico leonino reagiu com Silas Andersen. A primeira ocasião dos lobos na segunda parte nasceu de um cruzamento largo da direita, com Iván Barbero a ganhar as contas aos centrais e a cabecear para defesa apertada de Rui Silva (68′). Já com Brian Mansilla em campo, os arouquenses continuaram com mais bola e instalados no meio-campo, mas não conseguiram passar dos cruzamentos sem perigo e demoraram a criar ocasiões.
À entrada para a reta final, a defesa leonina voltou a claudicar, com Quaresma a pisar Barbero dentro da área, num lance que só foi assinalado alguns minutos depois, por alerta do VAR. Na cobrança do castigo máximo, Jose Fontán teve muita calma para enganar Rui Silva, colocando a bola no lado esquerdo, e relançar o jogo (81′). O golo galvanizou o Arouca, que continuou instalado no ataque e quase foi feliz através de um remate de Barbero de fora da área, mas a bola saiu por cima (86′). Borges voltou a puxar a equipa para trás com as entradas de Pedro Lima e Fotis Ioannidis, ao passo que Seabra apostou tudo no ataque com Fally Mayulu e Dylan Nandín e… foi feliz. Orest Lebedenko desferiu um grande passe para a direita, Pedro Santos recebeu curto e cruzou para o segundo poste, onde Nandín ganhou a Quaresma e encostou para o empate (87′). O sufoco final do leão acabou por ser curto para evitar o segundo empate consecutivo (2-2).