Todos os jogos têm o melhor jogador em campo, aquele que melhor jogou, que cumpriu todas as tarefas e que se superou a fazê-lo. Todos os jogos têm também o homem do jogo, aquele que até pode nem ter sido o melhor jogador em campo, mas marcou um golo que definiu o resultado. Para além disso, todos os jogos também têm o jogador que decide o jogo. Este domingo, no Dragão, essa distinção foi entregue a Clément Lenglet. 

O central francês viu o primeiro cartão amarelo aos 25 minutos, devido a uma falta sobre Victor Froholdt, e 10 minutos depois viu o segundo na sequência de um lance em que atingiu André Silva no pescoço com a mão. Foi expulso e deixou o Benfica em inferioridade numérica ainda na primeira parte e escassos instantes depois de o FC Porto abrir o marcador por Gabri Veiga, comprometendo totalmente as ambições dos encarnados para o primeiro clássico da temporada depois de a equipa de Marco Silva até ter sido superior no arranque da partida.

Sudakov foi o sacrificado para a necessária entrada de Alessandro Circati, que completou a defesa ao lado de Tomás Araújo, e o Benfica acabou por não conseguir dar a volta ao facto de estar a jogar com menos um elemento — não necessariamente de forma imediata, até porque ainda empatou na segunda parte, mas principalmente no pós-empate e na incapacidade de reagir ao golo veloz com que os dragões recuperaram a vantagem. Com a saída de Sudakov, Pablo Rosario ficou a jogar sozinho, os setores intermédios ficaram desequilibrados e a equipa de Francesco Farioli aproveitou para só precisar de dois ou três passes para chegar ao último terço.

Aos 31 anos, com uma carreira que passou por Sevilha, Barcelona, Tottenham, Aston Villa e Atl. Madrid, Lenglet acabou por ser traído pela manifesta má gestão do cartão amarelo que já tinha. Se é certo que o toque em André Silva não foi suficiente para derrubar o avançado português, foi mais do que suficiente para justificar o segundo cartão amarelo e uma clara imprudência de quem, na verdade, nem sequer protestou propriamente a decisão imediata do árbitro.

Contratado no verão ao Atl. Madrid para substituir Otamendi, não só na posição dentro de campo, mas também no vazio de experiência que o argentino deixou no balneário, a verdade é que Lenglet ainda não conseguiu convencer por completo o universo do Benfica. Apesar de até já ter marcado dois golos desde o início da temporada, o central francês não tem sido a trave mestra da defesa que se esperava e a titularidade até foi colocada em causa depois da boa exibição de Alessandro Circati contra o AC Milan na Liga Europa na última semana. No Dragão, voltou a ser titular — e não foi o melhor jogador em campo nem o homem do jogo para ser o homem que decidiu o jogo.