Os bispos católicos brasileiros distanciaram-se este fim de semana da campanha eleitoral para as presidenciais no Brasil, depois de, nos últimos dias, uma polémica em torno da padroeira do país, Nossa Senhora Aparecida, ter tomado conta do debate na corrida eleitoral entre Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, cuja primeira volta se realiza a 4 de outubro.

“A CNBB [Conferência Nacional dos Bispos do Brasil] não produziu, autorizou ou participou da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas ao atual processo eleitoral”, lê-se num comunicado, emitido na sequência de “informações e manifestações que circulam nas redes sociais” envolvendo os bispos brasileiros.

“A Conferência repudia a produção e a utilização de informações falsas, independentemente de sua origem ou de quem possam beneficiar ou prejudicar”, diz ainda a nota.

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Na origem deste comunicado está a disseminação nas redes sociais da alegação de que Flávio Bolsonaro, filho do antigo Presidente Jair Bolsonaro que agora se candidata à presidência brasileira, tinha uma proposta formal para retirar o título de padroeira do Brasil a Nossa Senhora Aparecida. O caso chegou até aos tribunais, com a justiça brasileira a determinar que não havia sustentação factual para essa afirmação e a ordenar às plataformas de redes sociais que retirassem as publicações em causa de milhares de contas.

Simultaneamente, Lula da Silva tinha aproveitado uma entrevista à TV Bandeirantes para capitalizar a polémica. “Esse negócio de mexer com Nossa Senhora Aparecida não é aceitável. Já teve gente da religião evangélica que um dia chutou Nossa Senhora Aparecida”, afirmou. “Eu quero dizer o seguinte: ela vai ser padroeira do Brasil porque o povo quer e tem fé.”

“Eu respeito a religião evangélica, eu quero que eles respeitem a religião católica, que a católica respeite eles, que respeitem a religião de matriz africana. Cada um professa sua fé como quiser, sem magoar os outros”, destacou ainda.

Este domingo, Flávio Bolsonaro falou publicamente sobre as notícias falsas e acusou Lula da Silva e o PT de estarem por trás da alegação. “A maior fake news da campanha foi essa sobre Nossa Senhora Aparecida, algo que nunca, não existia esse movimento para tirar ela de ser padroeira do Brasil”, disse Bolsonaro numa conferência de imprensa. “Jamais existiu. Não tem projeto. Não tem nada. E o PT, eu sei hoje, já estava há alguns dias tentando levantar essa fake news, conseguiu com a ajuda de gente dentro da CNBB.”

Em comunicado, a conferência episcopal rejeitou a acusação e assinalou que “a mentira não se combate com outra mentira”.

“A CNBB não integra qualquer estrutura político-partidária, de partido ou candidatura. Suas manifestações sobre as eleições decorrem de sua missão pastoral e de princípios públicos expressos em seus documentos, orientados pela dignidade humana, pelo bem comum, pela democracia e pela liberdade de consciência”, destacou a nota dos bispos. “Atribuir à CNBB participação em estruturas de produção ou disseminação de desinformação, sem factos e provas que sustentem tal afirmação, atinge injustamente a instituição e não contribui para a serenidade e a responsabilidade que devem caracterizar o processo eleitoral.”

A polémica sobre Nossa Senhora Aparecida (que tem uma base factual num projeto de lei de 2008 não relacionado com o PL ou Bolsonaro e, entretanto, abandonado) contaminou o debate eleitoral numa altura em que, como explica a BBC, o eleitorado se encontra profundamente dividido por religião: Flávio Bolsonaro lidera no campo evangélico, enquanto Lula da Silva domina no campo católico.

[Dois meses após o desaparecimento, e já depois de o genro, Raymond Quendoz, lhes ter anunciado que ia divorciar-se dela, os Silva Pais recebem finalmente notícias da filha. Annie está bem. Recusa dar detalhes sobre o seu paradeiro mas há cada vez mais evidências de que fugiu do marido para se juntar à revolução cubana. E, se isso aconteceu, uma coisa é certa: Annie tem de ter tido a ajuda e o aval do próprio Fidel Castro. Resta apenas saber porquê. Já pode ouvir o segundo episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]