O presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), Carlos Moedas (PSD), garantiu esta segunda-feira tomar medidas para combater comportamentos de risco por parte de utilizadores de trotinetes, sem avançar detalhes, salientando um “grande caos” no estacionamento e circulação em contramão.

“Não podemos ignorar o que se está a passar na cidade, o comportamento de risco de trotinetes em sentido contrário. […] Como presidente da Câmara terei de tomar medidas e assim o farei”, afirmou Carlos Moedas no lançamento em Lisboa da Campanha Global pela Segurança Rodoviária das Nações Unidas, em parceria com a JCDecaux Portugal, nos Paços do Concelho.

A iniciativa contou com a presença do enviado especial do secretário-geral das Nações Unidas para a Segurança Rodoviária, Jean Todt, do copresidente do Conselho Executivo da JCDecaux, Jean-Charles Decaux, e, na audiência, entre outras entidades ligadas à segurança e mobilidade rodoviária, esteve também o presidente do Automóvel Club de Portugal (ACP), Carlos Barbosa.

Na semana passada, o ACP anunciou que recolheu cerca de 20 mil assinaturas de cidadãos recenseados em Lisboa para a realização de um referendo municipal sobre a continuidade do sistema de trotinetes elétricas partilhadas na cidade.

Em declarações aos jornalistas no final da cerimónia, Carlos Moedas lembrou que quando assumiu a liderança da CML conseguiu reduzir para metade o número de trotinetes partilhadas na cidade, negociando com os operadores.

“Estou a analisar aquilo que se está a passar, mas continuo a ver um grande caos, de certa forma, seja no estacionamento, seja das trotinetes no meio da cidade e, portanto, teremos de tomar medidas, mas não é hoje, aqui, nem o sítio, nem o momento”, apontou, quando questionado sobre medidas em concreto.

O autarca vincou que “se os operadores de trotinetes não garantem que uma trotinete não pode andar em contramão”, a CML terá “que tomar essas medidas”.

Relativamente à redução da sinistralidade rodoviária em Lisboa, Moedas defendeu “políticas graduais que vão mudando os comportamentos das pessoas”, exemplificando com as alterações recentemente promovidas no Chiado, com o alargamento dos passeios e corte de algumas ruas ao trânsito automóvel.

“Também é preciso fiscalização, nós temos tido aqui em Lisboa sempre esta focalização naquilo que é fiscalização e aquilo que tem sido olhar para um problema muito antigo e que é um problema que nos preocupa a todos, e as Nações Unidas trazem aqui a capacidade para olhar este problema em termos globais”, enfatizou o presidente da CML.

Segundo Carlos Moedas, Lisboa tinha em 2020 mais de 30 vítimas mortais de acidentes de viação por ano, um número que neste momento se reduziu cerca de metade para 16.

O enviado especial das Nações Unidas Jean Todt realçou que a sinistralidade rodoviária provoca a morte a 1,2 milhões de pessoas por ano em todo o mundo, levando Jean-Charles Decaux a classificar o fenómeno como uma “pandemia silenciosa” que afeta particularmente a população mais jovem, entre os 5 e os 29 anos.

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Em Portugal, entre 2015 e 2025, mais de 5.900 pessoas perderam a vida em acidentes rodoviários, o equivalente a cerca de 50 mortes por mês, segundo dados da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), da Direção-Geral da Saúde (DGS) e do Instituto Nacional de Estatística (INE).

A campanha das Nações Unidas e da JCDecaux “apela à adoção de comportamentos seguros na estrada e reforça o compromisso global com a redução da sinistralidade rodoviária”, tendo já sido implementada em mais de 65 países, através da rede de suportes da multinacional francesa de publicidade em espaço público, aeroportos e centros comerciais, e deverá estar presente nos 78 países onde opera até ao final do ano.