A mulher que terá sido burlada por um homem que, alegadamente, se fez passar pelo cantor de música popular Zé Amaro confessou que se apaixonou e que, por isso, lhe entregou mais de 250 mil euros.

“Apaixonei-me porque achava que era ele [cantor Zé Amaro]”, revelou a vítima, de 65 anos, que à data dos factos vivia na Suíça.

Durante a audiência de julgamento, a mulher contou que estava fragilizada em termos pessoais, porque o marido tinha tido um aneurisma e estava ao seu cuidado e, por isso, ficou “muito feliz” quando foi abordada pelo Instagram pelo alegado artista.

A vítima explicou que, no final de 2022, recebeu mensagens do Instagram do suposto cantor a dizer que não costumava conversar com fãs, mas que ela era especial e, depois, pediu-lhe para falar no WhatsApp e no Telegram.

“Ele dava-me carinho e amor, mandava mensagens românticas, prometia-me que me ia fazer feliz e que se ia divorciar da mulher e que, depois, íamos casar”, especificou.

Dizendo que era fã do artista, tendo-se apaixonado por aquele, a mulher relatou que, passados dois a três meses de terem começado a conversar, o alegado artista lhe pediu dinheiro para pagar umas dívidas porque tinha as contas congeladas.

A vítima indicou que lhe foi fazendo várias transferências de dinheiro que ascendem a mais de 250 mil euros.

“Cheguei a vender algum ouro porque já nem dinheiro tinha para lhe mandar”, frisou.

Além disso, a mulher destacou que o alegado cantor lhe mandava mensagens antes e depois dos concertos, flores com cartões de mensagens, peluches, vídeos e fotografias que pareciam “mesmo reais”, daí ela acreditar que era mesmo aquele.

Já durante a manhã, um dos homens que, alegadamente, integrava a rede que se fazia passar pelo Zé Amaro, negou ter cometido qualquer crime.

“Não conheço essas páginas de Instagram falsas [do cantor Zé Amaro], nem sei de quem são”, garantiu.

Segundo a acusação do Ministério Público (MP), a mulher trocou, desde 2022 e durante três anos, centenas de mensagens por dia com um homem que dizia ser o Zé Amaro e com quem acreditou ter uma relação amorosa.

Ao longo desse tempo, a mulher ter-lhe-á entregado milhares de euros.

O MP defende que os suspeitos monitorizavam as redes sociais à procura de vítimas e perceberam que a mulher era fã daquele.

[Annie está de volta a Havana. Apesar das relações privilegiadas com altas figuras do regime, quer viver como os cubanos, divertir-se como os cubanos e… sofrer como os cubanos. Mas continua a ser filha do diretor da PIDE. E Fernando Silva Pais e Armanda Palhota não estão dispostos a deixá-la passar tão facilmente para o lado do inimigo. Já pode ouvir o terceiro episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]