O diretor do colégio St. Julian’s disse esta segunda-feira, em tribunal, que a paragem das obras de urbanização da Quinta dos Ingleses, em Carcavelos, travou a recuperação e ampliação das instalações da escola e que a demora obrigou à revisão do projeto.

Segundo Paul Morgan, a aprovação do loteamento na Quinta dos Ingleses, área em que também se insere o colégio St. Julian’s, demorou mais de duas décadas e meia e a escola tem uma grande necessidade “de obras de remodelação” e “de benfeitorias”.

O responsável da instituição de ensino falava no Tribunal Administrativo e Fiscal (TAF) de Sintra, no julgamento da providência cautelar para travar a urbanização da Quinta dos Ingleses, resultante da ação popular do movimento 66 pela Quinta contra o município de Cascais, no distrito de Lisboa, tendo como contrainteressados a Alves Ribeiro e o colégio St. Julian’s.

Em resposta à advogada do colégio, Morgan explicou que o projeto se destina a recuperar os históricos edifícios do estabelecimento de ensino, datados do século XVIII, com salas de aula em espaços que “não foram projetados para ser uma escola” e travar os problemas de infiltrações quando chove ou com calor excessivo.

De acordo com o projeto, as salas de aula terão uma “configuração mais uniforme”, além de também serem melhorados os espaços de circulação e novas instalações desportivas, estando previsto ainda um novo edifício, que servirá para acolher rotativamente os alunos enquanto são reabilitados os edifícios originais, mantendo em funcionamento a atividade letiva.

O responsável admitiu que as providências cautelares ao empreendimento na Quinta dos Ingleses representam “custos” para o colégio, impedindo que possa concretizar os projetos há muito previstos em termos de infraestruturas e na envolvente.

Questionado pelo advogado do 66 Pela Quinta, Paul Morgan resumiu os investimentos em alguns melhoramentos com a instalação de ar condicionado nas salas de aula, pintura dos edifícios, mas recusou que fosse viável o licenciamento de obras estruturais independentemente do empreendimento aprovado.

Apesar de a empresa Alves Ribeiro ter iniciado as obras em 2024, o diretor do St. Julian’s admitiu que as obras do colégio não avançaram pois foi preciso revisitar o projeto, “que tinha sido feito há muito tempo”, com revisão da proposta, que “era demasiado onerosa”.

Sobre os custos não se deverem apenas às providências cautelares, comentou que também “não ajudaram”.

A diretora financeira e administrativa do colégio, Adela Metaxa, considerou “urgente e crítica” a realização de recuperação das instalações, considerando que quanto mais se esperar “pior é a situação” dos edifícios e as condições para a comunidade escolar, uma vez que “os alunos no verão têm calor, no inverno têm frio”.

Além disso, o estabelecimento de ensino encontra-se rodeado de montes resultantes da movimentação de terras, entretanto suspensa, e a responsável disse recear que, com as próximas chuvas, possam ocorrer deslizamentos que ameacem o colégio, pois encontra-se “no meio de um estaleiro”.

O colégio, acrescentou, contratou uma empresa para analisar a qualidade do ar e instalou “purificadores de ar” nas salas de aula, devido ao pó das obras.

Questionada pelo advogado do 66 Pela Quinta se os resultados estavam disponíveis, Adela Metaxa respondeu que os dados são do colégio, mas não apresentavam “qualquer problema”, e que convidaram grupos de pais para dar a conhecer os resultados.

Em relação aos investimentos, a diretora financeira estimou que o colégio tenha gasto 2,2 milhões de euros, relacionados com projetos e estudos de viabilidade, e desde novembro do ano passado gastaram “mais um milhão” com projetos de paisagismo nos sete hectares da propriedade.

O movimento 66 Pela Quinta interpôs a ação popular com o objetivo de que os 52 hectares da Quinta dos Ingleses sejam preservados como parque urbano e “extensão natural” da praia, contestando o projeto previsto para o local, que contempla 850 apartamentos, um centro comercial e um hotel.

A audição de testemunhas da providência cautelar, entregue em outubro de 2025, que determinou a paragem dos trabalhos, terminou esta segunda-feira, após a Câmara de Cascais, a Alves Ribeiro e o St. Julian’s terem prescindido dos testemunhos previstos para 13 de outubro, não havendo ainda data para a decisão da juíza do TAF de Sintra.