As exportações moçambicanas de madeira processada aumentaram mais de 300% no primeiro semestre, para 24.648 metros cúbicos, tendo como destino, sobretudo, países asiáticos, segundo dados do Governo do país.
De acordo com os dados da execução de janeiro a junho, China, Maurícias, Vietname e África do Sul constituíram os principais mercados de exportação da madeira processada moçambicana neste período, sendo o remanescente absorvido pelo mercado interno.
Segundo os dados do Governo, foram exportados 24.648 metros cúbicos de madeira processada de espécies nativas e exóticas, contra 5.995 metros cúbicos no período homólogo de 2025, correspondente a um crescimento de 311%.
“O crescimento é justificado pelo facto de terem sido também exportados folheados, toros e contraplacados, o que não se observou no período homólogo de 2025”, refere o relatório.
A principal contribuição para o aumento resultou das exportações dos folheados, cujas vendas externas passaram de zero para 22.460 metros cúbicos.
Foram igualmente exportados 683 metros cúbicos de contraplacados e 150 metros cúbicos de toros, categorias que não registavam exportações no mesmo período do ano anterior.
Em sentido contrário, as exportações de tábuas recuaram 80%, de 5.513 para 1.119 metros cúbicos, enquanto as pranchas diminuíram 10%, de 120 para 108 metros cúbicos.
As vendas externas de peças de mobiliário registaram igualmente uma quebra de 62%, passando de 337 para 128 metros cúbicos, enquanto os barrotes deixaram de ser exportados no primeiro semestre deste ano.
Os operadores do setor florestal pediram há precisamente um ano, ao Governo, a criação de preços de referência para os produtos florestais, alegando que o atual modelo deixa os produtores dependentes dos preços fixados pelos compradores internacionais.
“O setor de floresta clama por preço de referência. Porque temos custos de produção que não podem ser inferiores ao preço de compra. No negócio de madeira, o comprador é quem marca o preço. Não é sustentável”, afirmou em agosto de 2025 o vice-presidente da Federação Moçambicana de Operadores de Madeira (Fedemoma), António Silva.
Na altura, a federação, que reúne cerca de 400 operadores, defendeu que os preços fossem fixados tendo em conta as diferenças geográficas e os custos de produção em cada província.
Os operadores queixaram-se igualmente da multiplicidade de postos de fiscalização ao longo das estradas nacionais, uma preocupação particularmente relevante para um setor dependente do transporte terrestre da madeira entre as zonas de exploração, processamento e exportação.
Segundo a Fedemoma, os controlos envolvem várias entidades públicas e representam custos adicionais para as empresas, sobretudo nas ligações entre as províncias do centro e norte do país e os principais portos de exportação.
O setor florestal moçambicano contribui atualmente com menos de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) e gera cerca de 22 mil empregos, segundo dados oficiais divulgados anteriormente.
A federação tem defendido que a revisão da legislação florestal poderá contribuir para aumentar o peso do setor na economia nacional, através da valorização dos recursos florestais, do aumento do processamento local e da incorporação de novas oportunidades associadas às mudanças climáticas e aos produtos florestais não madeireiros.