A Comissão de Trabalhadores (CT) da Lusa considerou “muito grave” que a administração da agência tenha proposto nomes para a delegação de Bruxelas, apontando “perplexidade” em relação a esta questão, de acordo com um comunicado.
A CT, que se reuniu esta terça-feira com o Conselho de Administração (CA) da Lusa, referiu que a administração disse que “relativamente à intenção de reforçar a delegação de Bruxelas”, cabe “ao Conselho de Administração apontar alguns perfis”, admitindo que “apontou vários nomes com vista a serem contratados para uma prestação de serviços”.
Segundo a mesma nota, a administração referiu que “estes perfis foram apontados juntamente com a Direção de Informação [DI] e analisados, um processo que continua, afirmando que não houve qualquer condicionamento da DI”.
No entanto, a CT regista “com muita perplexidade e preocupação o facto de a administração admitir que propõe nomes para cargos deste tipo”, o que, para os representantes dos trabalhadores “configura uma interferência clara na linha editorial, considerando o caso muito grave e receando que possa acontecer noutras situações”.
Por outro lado, a Comissão demonstrou “preocupação face à questão relacionada com os contratos dos delegados e que foi transmitida pelo Conselho de Redação na Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto do Parlamento”.
Segundo o comunicado, após um pedido de esclarecimento por escrito, a CT “não recebeu qualquer explicação à data, manifestando perplexidade pelo CA não ter dado uma explicação no Parlamento, quando questionado sobre o assunto”.
A CT indicou que a comissão parlamentar “pediu uma reunião de urgência sobre o assunto” sendo que um dos partidos pediu ainda “a minuta do contrato que tinha sido assinado, e que é do conhecimento na íntegra do CR [Conselho de Redação] e da CT”.
Na sexta-feira passada, o Conselho de Administração enviou à CT uma minuta do Contrato de Delegado Internacional da Lusa.
Esta terça-feira, o CA, questionado pela CT, “declarou que o documento, que foi também enviado à Comissão Parlamentar e à CCPJ [Comissão da Carteira Profissional dos Jornalistas], é a minuta de um novo contrato, corrigido, com os mesmos delegados”.
Na reunião, a CT transmitiu ao Conselho de Administração que “está a cometer um grave erro ao não enviar à comissão o documento pedido: a minuta original”.
A Lusa contactou o Conselho de Administração que disse preferir “não comentar a interpretação dos factos pela CT”.