O Presidente de transição da Guiné-Bissau, general Horta Inta-a, exonerou esta terça-feira o general Mama Saliu Embaló do cargo de ministro do Interior e Virgínia Pires Correia das funções de ministra das Pescas, noticiou a imprensa local.

De acordo com vários órgãos de comunicação social consultados pela Lusa nas suas páginas nas redes sociais, Horta Inta-a nomeou António Suca Ntchama para o Ministério do Interior e Ordem Pública e Fidelis Forbs para a pasta das Pescas e Economia Marítima.

Fidelis Forbs é antigo ministro das Obras Públicas, Construções e Urbanismo e exercia as funções de conselheiro do primeiro-ministro de transição, Ilídio Vieira Té.

António Suca Ntchama regressa ao Ministério do Interior e Ordem Pública depois de lá ter estado em 2012, também então num governo de transição, tendo ficado célebre pelo seu alegado envolvimento na ordem de embarque forçado de 74 cidadãos sírios num voo da TAP que saiu de Bissau para Lisboa.

Na altura, Ntchama acabou por colocar o seu lugar à disposição do então presidente de transição, Serifo Nhamadjo, o caso chegou a ser investigado pelo Ministério Público e a transportadora portuguesa suspendeu os seus voos para a Guiné-Bissau.

O general Mama Saliu Embaló é apresentado pela imprensa guineense como sendo familiar direto do ex-presidente do país Umaro Sissoco Embaló e foi nomeado para o cargo de ministro do Interior e Ordem Pública no dia 29 de novembro passado, na sequência do golpe de Estado que afastou Embaló do poder.

Virgínia Pires Correia entrou para o Governo na mesma altura, para exercer as funções de ministra das Pescas e Economia Marítima.

O decreto não especifica os motivos que estiveram na base destas exonerações.

Os militares guineenses protagonizaram no dia 26 de novembro de 2025 um golpe de Estado liderado pelo general Horta Inta-a, antigo chefe de segurança na Presidência da República.

A oposição considerou que se tratou de um “golpe cerimonial” por ocorrer em vésperas da divulgação dos resultados provisórios das eleições presidenciais, que o bloco defende terem sido ganhas “à primeira volta” por Fernando Dias da Costa.

O general Horta Inta-a marcou para o dia 06 de dezembro próximo novas eleições legislativas e presidenciais.