O socialista Vítor Ramalho pede ao PS que faça um debate interno “com ousadia” para “reforçar o seu ideário” e enfrentar as batalhas eleitorais, alertando o partido para “políticas de cerco” que pretendem desarmá-lo das suas ideias.
Num pequeno livro posto à venda esta terça-feira nas livrarias, com o título “Portugal, a Democracia, o PS, Que Futuro?”, o antigo secretário de Estado de Mário Soares considera que “as profundas alterações políticas” no quadro parlamentar “não podem deixar de ser obviamente objeto de análise na preparação das batalhas do futuro, sem a expiação incriminatória fulanizada que impõe a corresponsabilização da massa militante nos sucessos e insucessos”.
Vítor Ramalho alega que “esta análise e debate colocam ao PS o desafio de ser uma prioridade, mesmo porque estão em curso políticas de cerco ao partido que visam desarmá-lo do seu ideário”.
“Perante esta encruzilhada, e dado o papel fundamental do PS para a reconstrução da esperança e para a defesa da própria democracia, há que lançar com ousadia este debate interno”, escreve o ex-governante, sempre muito próximo de Mário Soares, insistindo na necessidade de “reforçar o ideário do rumo do partido”.
Referindo-se ao “populismo insultuoso de extrema-direita”, Vítor Ramalho argumenta que “quem insulta em política nunca tem razão”, embora advirta que “a convicção de que tudo se pode alterar pelo grave demérito do atual Governo não diminui a importância dos contributos para o debate sobre a primeira prioridade do PS”. Segundo o ex-governante e ex-consultor do então Presidente Mário Soares, “o PS, partido de alternativa ao atual estado de coisas, afirma-se por si e pelo seu ideário”.
No livro, de 83 páginas e com prefácio do ex-ministro da Economia António Costa Silva e que vai ser enviado em forma de documento ao gabinete de estudos do partido, aborda áreas e lança propostas nas áreas da Justiça; Defesa e Segurança; Cultura e Língua Portuguesa; Saúde; imigração; reforço da competitividade; democracia e wokismo; afirmação de Portugal no mundo.
“Pelo reencontro do PS com o país”, é o título da introdução na qual Vítor Ramalho pede uma reflexão aprofundada ao partido e apresenta o seu “modesto contributo” em livro por considerar que “o debate atual está, porém, esmagadoramente preenchido nos media por tudo o que é relativo à espuma dos dias ou à informação que traduz uma vozearia insultuosa”.
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