As grandes empresas de retalho empregavam em 2025 mais de 155 mil trabalhadores e reforçaram o investimento em formação e qualificação das pessoas de 25 milhões para 41 milhões de euros nos últimos cinco anos, segundo um estudo esta quarta-feira divulgado.
As conclusões são do estudo “O valor das nossas pessoas”, elaborado pela Forvis Mazars para a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED), a partir de dados fornecidos por 24 empresas associadas que representam 72% dos empregos no retalho alimentar e não alimentar.
De acordo com a análise, um em cada sete trabalhadores em Portugal está empregado no setor do retalho, cujo peso no emprego total, que é de 14%, encontra-se alinhado com a média europeia.
No ano passado, 28% dos trabalhadores situavam-se na faixa etária dos 30 aos 39 anos e 24% tinham entre os 40 e os 49 anos. Em conjunto, estas duas faixas concentravam mais de metade da força de trabalho dos associados da APED.
Os trabalhadores de até 24 anos representavam 17% da força de trabalho nestas empresas, um valor que é superior ao da população empregada em Portugal, em que os jovens são cerca de 6% do total.
Cerca de 63% dos postos de trabalho nas empresas da APED eram ocupados por mulheres. Nos cargos de chefia, 53% eram também desempenhados por mulheres.
No período entre 2020 e 2025, os contratos sem termo nos associados da APED aumentaram de 80% para 85%, refletindo “uma maior estabilidade da estrutura contratual” dos profissionais.
No último ano, 47% dos empregados acumulavam mais de cinco anos de antiguidade, e 25% mais de 15 anos de permanência.
O segmento do retalho alimentar continuava a concentrar a maioria do emprego (68%), mas foi o retalho não alimentar que registou um ritmo de crescimento mais acelerado, tendo aumentado o seu peso de 28% para 32% entre 2021 e 2025.
Entre 2020 e 2025, a produtividade aparente do trabalho aumentou de 22,6 mil euros para 29,6 mil euros por trabalhador, correspondendo a um crescimento de cerca de 30%.
Em 2024, as diferenças remuneratórias entre mulheres e homens situaram-se entre 2,3% e 3,4%, consoante o segmento analisado, permanecendo abaixo do conjunto da economia portuguesa (10,8%).
A taxa de sindicalização nas empresas associadas é da ordem dos 7,1% e “mantém-se próxima da média nacional e superior à observada no setor do retalho, refletindo a presença de operadores de maior dimensão e com estruturas de representação coletiva mais consolidadas”, segundo indica o estudo.
O índice de frequência dos acidentes de trabalho nas lojas e estruturas centrais dos associados da APED aumentou de 19,3 em 2020 para 22,3 em 2025, sugerindo a necessidade “de reforçar as condições de segurança e prevenção de riscos”.
Já a taxa de absentismo aumentou de 10% em 2020 para 13% em 2025, com a doença a apresentar-se como a principal causa (38%) das ausências em 2025. As licenças de maternidade e paternidade representaram 20% do absentismo, enquanto os acidentes de trabalho foram responsáveis por entre 3% e 4% das faltas registadas.
O estudo da Forvis Mazars identifica ainda as tendências que estão a transformar o retalho, designadamente a digitalização da economia e a adoção da Inteligência Artificial (IA), a transição para modelos de negócio mais sustentáveis, alterações demográficas e evolução das expectativas dos consumidores face a novas referências de consumo através de plataformas digitais, redes sociais e criadores de conteúdos.
“Estas forças estão a transformar a forma como as organizações do setor operam, competem, inovam e respondem às necessidades dos consumidores e do mercado”, adianta o estudo, que recomenda a necessidade de requalificar os recursos humanos com novas competências digitais, sobretudo no domínio da análise de dados e da Inteligência Artificial (IA).
Entre os associados da APED, estão a Modelo Continente, Pingo Doce, Auchan, Mercadona, Ikea, Fnac Darty, grupo Brodheim e Norauto.