A poetisa, ensaísta, tradutora e classicista Anne Carson é a vencedora do Prémio Nobel da Literatura 2026. O anúncio, feito pela Academia Sueca esta quinta-feira numa conferência de imprensa transmitida a partir de Estocolmo, justificou a escolha pela sua “obra ousada e criativa que, num diálogo lúdico com a tradição clássica, criou novas formas para a literatura contemporânea”.
A escritora de 76 anos sucede assim ao húngaro László Krasznahorkai, que venceu em 2025, e é a segunda autora canadiana a ser laureada após Alice Munro, em 2013.
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The 2026 #NobelPrize in Literature is awarded to the Canadian author Anne Carson, “for her bold and inventive oeuvre that, in playful dialogue with the classical tradition, has created new forms for contemporary literature.” pic.twitter.com/YRvlRghlGG— The Nobel Prize (@NobelPrize) October 8, 2026
“Ao longo de toda a sua carreira, Anne Carson conciliou a escrita de poesia com o trabalho de tradução e o ensino em várias universidades. Quase toda a sua produção literária se tem centrado no cruzamento entre a obsessão do filólogo pelas palavras e o desejo do poeta de encontrar novos significados. A própria autora identificou a etimologia das palavras como o ponto de partida de toda a sua obra”, destacou a academia.
Ingrid Carlberg, a secretária permanente da Academia Sueca, revelou que já falou ao telefone com a escritora laureada, que foi “apanhada de surpresa” pela notícia na Islândia, onde se encontra, e que se mostrou muito feliz.
Uma das mais prestigiadas poetisas e intelectuais do nosso tempo, Anne Carson já tinha sido contemplada com inúmeros prémios antes de ser laureada pela Academia Sueca. Entre um vasto rol de distinções, destacam-se o T. S. Eliot Prize em 2001 por A Beleza do Marido, o PEN Award for Poetry in Translation em 2010 por An Oresteia, o Prémio Princesa das Astúrias das Letras pelo conjunto da sua obra em 2020 e o prémio de carreira PEN/Nabokov Award em 2021.
Canadiana Anne Carson vence Prémio Princesa das Astúrias das Letras
Apesar de Anne Carson se ter tornado numa figura de renome internacional já na viragem do milénio, seria preciso esperar até 2017 até que a sua obra, por fim, fosse traduzida em Portugal. Essa lacuna foi preenchida pela editora independente não (edições), que publicou um dos seus mais celebrados trabalhos, o romance em verso Autobiografia do vermelho, numa tradução de Ricardo Marques e do próprio editor da não, João Concha.
Esta editora trataria então de ir disponibilizando várias outras obras poéticas e ensaísticas de Carson, como A Beleza do Marido, Vidro, Ironia e Deus, Águalisa e Homens nas Horas Vagas. Entretanto, a Companhia das Ilhas editou em 2023 Antigotriz — adaptação traduzida do grego antigo da peça Antígona, de Sófocles — e a Edições 70 disponibilizou em 2024 um dos seus mais afamados ensaios, Eros, o Amargo e Doce.
Publicado em 1986, trata-se do primeiro livro de Anne Carson, tendo sido considerado um dos cem melhores livros de não ficção de sempre pelos leitores da Modern Library.