O Estado português vai pagar em 2027 mais 23,2% em juros da dívida do que pagou em 2026. A fatura com juros, que deverá ascender a 8.217 milhões de euros, sobe muito mais do que o previsto no verão, quando o Ministério das Finanças antecipou um aumento de 776 milhões de euros com juros. Afinal, o valor vai subir em 1.548 milhões.
O valor está inscrito na proposta de Orçamento do Estado para 2027, apresentada nesta quinta-feira. Depois de se gastar 6.028 milhões em 2025 e 6.669 milhões em 2026, o custo com juros da dívida “salta” para 8.217 milhões, fruto da evolução desfavorável dos juros da dívida nos últimos meses. Este é um custo total que se aproxima de metade daquilo que o país gasta com saúde.
Os juros da dívida têm subido devido a um “risco de mercado”, não um “risco país”, defendeu o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, na conferência de imprensa de apresentação do orçamento. Apesar de as taxas de juro, em termos absolutos, terem aumentado para cerca de 4% a 10 anos, o diferencial de risco em relação à dívida alemã, referência “sem risco” para a zona euro, tem-se mantido praticamente inalterado.
Embora não tenham ficado imunes à tendência global de subida das taxas de juro e ao aumento da volatilidade nos mercados, as yields da dívida pública portuguesa têm preservado, de forma geral, o diferencial de risco face à dívida alemã em torno de 40 pontos base (pb) para a maturidade a dez anos”, pode ler-se no relatório da proposta de Orçamento do Estado para 2027.
O Governo, que tem como objetivo fazer a dívida pública cair para 84,5% do PIB em 2027, salienta que “até meados de setembro, a curva de rendimentos da dívida portuguesa registou aumentos significativos em todos os prazos, em particular nas maturidades mais curtas”. “Em comparação com o final de 2025, as yields [rendibilidades implícitas na dívida]aumentaram mais de 100 pb nos prazos até cinco anos, 82 pb na maturidade a 10 anos e 34 pb na maturidade a 30 anos”, acrescenta o documento.
Subida de um ponto percentual no juros agravaria contas em 500 milhões
“Para 2027, os mercados continuam a antecipar novas subidas das taxas de juro de referência” e, por isso, o Governo inscreveu um impacto maior na previsão de pagamento de juros da dívida.
E, neste contexto, o Governo fez um exercício de simulação (análise de sensibilidade) que revelou que “um choque de 25 pb ao longo de toda a curva de rendimentos da dívida pública portuguesa, face às projeções subjacentes a este Orçamento do Estado, representaria um aumento dos encargos com juros na ordem dos 77 milhões de euros em contabilidade pública e de 127 milhões de euros em contabilidade nacional”.
“No caso de um choque de 100 pb, a variação dos encargos com juros ascenderia a 293 milhões de euros e 505 milhões de euros, em contabilidade pública e contabilidade nacional, respetivamente”, acrescenta-se.
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