O MLSTP, vencedor das eleições legislativas em São Tomé e Príncipe, anunciou, esta quinta-feira, que está preparado para apresentar “uma solução governativa baseada na estabilidade”, sem revelar o partido aliado, após outros dois partidos mais votados anunciarem acordo para formar Governo.
“O MLSTP está preparado para apresentar uma solução governativa baseada na estabilidade, na competência e na resposta aos problemas concretos dos são-tomenses. Queremos um Governo que reúna competências e experiências diversas, homens, mulheres, jovens, quadros da sociedade civil, da diáspora e personalidades de diferentes forças políticas que estejam disponíveis para servir e colocar São Tomé e Príncipe em primeiro lugar”, disse o presidente do partido.
O líder do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP), Américo Barros, que venceu as eleições com 24 deputados eleitos, falava na leitura de um comunicado de imprensa, sem direito a perguntas.
“Aguardamos com serenidade os próximos passos do processo institucional e a convocação pelo Presidente da República. Concluídos os procedimentos, apresentaremos a nossa proposta governativa e o respetivo programa à Assembleia Nacional, onde serão apreciados nos termos da Constituição”, declarou Américo Barros.
O líder partidário considerou que “este é um momento que exige serenidade, responsabilidade e confiança” e defendeu que “as diferenças políticas resolvem-se através do diálogo entre instituições democráticas”.
Barros disse que continua disponível “para continuar a dialogar com todos os partidos políticos, os que queiram respeitar a vontade popular e contribuir para uma solução governativa estável”.
“No dia 27 de setembro, o povo de São Tomé e Príncipe colocou o MLSTP na primeira posição. A mensagem foi clara. O povo quer o MLSTP a governar com diálogo, entendimento e responsabilidade. É isso que fizemos na oposição. É isso que faremos na governação. E teríamos feito o mesmo se tivéssemos obtido a maioria absoluta”, declarou.
A posição do MLSTP surge 24 horas após a Ação Democrática Independente (ADI) e a coligação Movimento de Cidadãos Independentes-Partido Socialista/Partido de Unidade Nacional (MCI-PS/PUN) assinarem um acordo parlamentar para sustentação de um Governo liderado pelo atual primeiro-ministro são-tomense e líder da ADI, Américo Ramos.
“Decidimos dar sustentabilidade parlamentar à ADI para proporcionar uma maioria confortável de 29 votos no parlamento, o necessário para governar com estabilidade”, declarou o presidente da coligação MCI-PS/PUN, Domingos Monteiro, que elegeu seis deputados.
O líder partidário assegurou que “o MCI-PS/PUN não fará parte do próximo Governo” e manterá a sua identidade e “independência política”.
Américo Ramos, ainda primeiro-ministro e presidente da ADI, que ficou em segundo lugar com 23 mandatos nas eleições de 27 de setembro, sublinhou que esta união com a coligação MCI-PS/PUB “confere a estabilidade e a legitimidade institucional indispensáveis à condução do destino da República ao longo desta XII legislatura”.
“Estamos perante um compromisso programático de feição patriótica, blindado por salvaguardas recíprocas e assumido com a mais estrita boa-fé, cujo escopo primordial é restituir a previsibilidade económica e a paz social ao nosso ordenamento”, declarou.
Segundo Américo Ramos, o acordo “ancora-se em vetores estratégicos inegociáveis”, nomeadamente a “estabilização macroeconómica e a salvaguarda do poder de compra das famílias, através de medidas prementes de mitigação da inflação e de desagravamento de bens de primeira necessidade”, assim como na superação da crise energética e abastecimento de água potável.
Segundo os dados definitivos, anunciados terça-feira pelo Tribunal Constitucional, o MLSTP elegeu 24 mandatos, a ADI 23, a coligação MCI-PS/PUN seis e o Movimento Basta dois.
No dia da eleição, o Presidente da República disse preferir evitar um Governo de Unidade Nacional e que gostaria que fosse formado um executivo e uma oposição escolhidos pelos eleitores.
“Aceitarei os resultados da escolha dos eleitores, do povo. E, honestamente, gostaria que quem ganhasse governasse. À oposição, eu não pedirei carta branca ao poder, mas pediria sustentabilidade”, afirmou Carlos Vila Nova, após votar na capital da ilha de São Tomé.
“Penso que temos um clima para criar essas condições e não entrar naquilo que realmente acabou de dizer de Governo de unidade. Não, o povo escolheu porque quer um poder e quer oposição. E vamos respeitar isso até onde nós pudermos“, acrescentou então.