O secretário-geral do PS manifestou esta sexta-feira dúvidas sobre se as verbas previstas no Orçamento do Estado para projetos pós-PRR e prejuízos das tempestades são suficientes, acusando o Governo de revelar “insensibilidade” perante os problemas enfrentados pelas pessoas.

À margem de uma visita à Feira de Outubro, em Vila Franca de Xira, José Luís Carneiro disse que o partido vai analisar detalhadamente a proposta orçamental para perceber se os montantes inscritos são suficientes para responder a duas das condições colocadas pelo PS para viabilizar o documento.

“O que vamos verificar é se os recursos financeiros previstos são suficientes para realizar esses investimentos. Se não forem suficientes em sede de Orçamento do Estado, queremos saber quais são as outras fontes de financiamento“, afirmou.

O líder socialista referia-se, por um lado, à conclusão de projetos inicialmente enquadrados no PRR e, por outro, às intervenções destinadas a compensar os danos provocados pelas tempestades que afetaram vários concelhos do país.

Segundo José Luís Carneiro, continuam a existir autarquias, empresas e famílias à espera da concretização dos apoios prometidos, considerando que o Governo tem a obrigação de garantir os meios necessários para responder a essas situações.

As declarações surgem horas depois de o primeiro-ministro, Luís Montenegro, ter garantido no debate quinzenal, no Parlamento, que os planos do executivo para os investimentos pós-PRR e para a recuperação dos prejuízos das tempestades estão “completamente a ser executados”.

O chefe do Governo respondia a uma interpelação do líder socialista sobre duas das quatro condições apontadas pelo PS para viabilizar o OE2027.

Apesar de reiterar que o PS não pretende provocar uma crise política e que agirá com sentido de responsabilidade na apreciação do orçamento, José Luís Carneiro voltou a marcar distâncias em relação às opções do executivo.

“Este não é o orçamento do Partido Socialista, nunca seria o nosso orçamento”, afirmou, defendendo que os socialistas teriam definido outras prioridades.

O secretário-geral do PS criticou ainda aquilo que considera ser a falta de resposta do Governo perante o agravamento do custo de vida e acusou o executivo de estar afastado das dificuldades sentidas pela população.

“Temos infelizmente um Governo incompetente e muito insensível aos problemas das pessoas. O Governo fala como se nada se estivesse a passar”, declarou.

O secretário-geral do PS acusou ainda o Governo de agravar a crise da habitação e de estar a “ofender os jovens” com as alterações à lei das rendas, afirmando que o PS continua empenhado em construir um “Serviço Nacional de Habitação”.

“Esta proposta que este Governo apresentou agora, com o apoio dos liberais e do Chega, relativa à lei das rendas, é uma ofensa grave aos mais jovens que são confrontados com dificuldades acrescidas para entrar no mercado de arrendamento”, sustentou.

O dirigente socialista defendeu que o PS tem apresentado alternativas destinadas a estimular o mercado de arrendamento, garantindo “simultaneamente segurança aos proprietários e proteção aos inquilinos, especialmente aos jovens entre os 18 e os 35 anos” e às pessoas abrangidas por rendas acessíveis.

Questionado sobre o risco de crescimento da tensão social associado à crise da habitação, numa altura em que estão anunciados protestos em Portugal e noutros países europeus, José Luís Carneiro respondeu que esse cenário “pode acontecer”.

O secretário-geral do PS recordou que, há cerca de um ano, alertou o primeiro-ministro para a necessidade de respostas urgentes em territórios afetados pela falta de habitação, nomeadamente na Área Metropolitana de Lisboa, considerando que o Governo ignorou as propostas socialistas.

De acordo com o líder do PS, as medidas adotadas pelo executivo do lado da procura contribuíram para o aumento dos preços, referindo que os custos com a habitação cresceram mais de 28% nos últimos dois anos.

José Luís Carneiro afirmou também que mais de 18% dos jovens vivem atualmente em casas partilhadas, apontando este dado como um sinal da dificuldade de acesso à habitação.