O debate quinzenal ainda ia na primeira meia hora quando Luís Montenegro, primeiro-ministro, estava de novo com a palavra. Tema em concreto: todas as previsões negativas que iam sendo feitas às contas públicas, nomeadamente a possibilidade de haver um défice no próximo ano à luz do contexto que se vive.

Em dia de “bailarico” no Parlamento, partidos ignoraram Orçamento e preferiram falar de tudo o que ficou de fora

O primeiro visado, sem haver um nomeado, ficava-se pela esfera política: Mário Centeno. “Havia grande apreensão, de uma forma mais comum abria telejornais, era a notícia do dia. A realidade foi contrariando de forma clamorosa isso. As pessoas arranjam depois novos temas mas há uma personalidade em concreto que falhou todas, todas as previsões”, comentou, visando um artigo de opinião do antigo ministro das Finanças.

De seguida, outro “visado”, também ele sem ser nomeado mas que para bom entendedor nem era preciso meia palavra. “Agora, à boa maneira que há alguns anos uma determinada coletividade desportiva utilizava quando não atingia os seus objetivos, que dizia ‘Para o ano é que vai ser’ e as coisas foram correndo. Bem, passado muito tempo lá aconteceu mas foi passado muito tempo… Aqueles que andam a antecipar défice, também dizem isso, para o ano é que é…”, disse. O Sporting entrava de forma omnipresente num debate quinzenal no Parlamento, recordando o longo jejum sem vitórias no Campeonato que os leões tiveram entre 1982 e 2000 (18 anos) e, mais tarde, entre 2002 e 2021, ano em que foi travado o maior jejum.

Seguro promulga decreto das “bandeiras ideológicas” após AR responder às objeções de Belém no veto de junho

Agora, após o triunfo do Sporting na Pedreira frente ao Sp. Braga, Frederico Varandas acabou por ter uma passagem inesperada pela zona mista. Falou do jogo? Sim, muito pouco. Mas havia outro tema que, muitas horas depois, ainda não tinha sido esquecido – a ponto de ser tema quando ia a caminho do Minho.

“Reunião de urgência após o empate com o Arouca? Já tive oportunidade para desmentir essa reunião… Foram três pontos e uma boa posição hoje mas ainda temos seis pontos por recuperar”, começou por referir de forma sucinta o líder do conjunto verde e branco, antes de chegar ao assunto que realmente queria.

“Realmente recebi muitas mensagens sobre o debate quinzenal. Tanto que, na viagem para cá, tive de ver o que realmente tinha sido dito. Não houve nada, foi uma graçola. Eu não a teria feito, tendo em conta que há milhares de eleitores sportinguistas, não o teria feito. Mas essa do clube que ganhava quase, quase… Só queria dizer que estivemos 18 ou 19 anos sem vencer. Mas posso dizer que preferia estar mais 19 anos sem vencer do que se o presidente de uma coletividade vencedora tivesse sido apanhado em escutas a corromper árbitros”, atirou Frederico Varandas, numa alusão direta a Pinto da Costa e ao FC Porto, clube do primeiro-ministro, Luís Montenegro, que chegou a ser candidato ao Conselho Superior dos dragões.