A Eletricidade de Moçambique (EDM) vai investir mais de 19 milhões de euros numa nova subestação e numa linha de transporte de energia em Tete, lançando ainda este trimestre o concurso para as obras, anunciou esta sexta-feira a empresa.

“Já temos o consultor apontado, portanto o concurso vai ser lançado, em princípio, ainda ao longo deste trimestre“, disse o administrador executivo da EDM, António Munguambe, durante a Conferência Internacional de Investimentos, que decorre na cidade de Tete, no centro de Moçambique.

A nova infraestrutura, avaliada em mais de 19 milhões de euros, terá capacidade de até 66 quilovolts e integra os esforços para aumentar a capacidade de transporte e distribuição de energia na província de Tete.

Segundo o responsável, o projeto faz parte da estratégia da empresa para desenvolver os chamados “corredores verdes”, destinados a reforçar a capacidade de transporte de energia e facilitar a integração de novas fontes renováveis no sistema elétrico nacional.

“Temos corredores verdes, é uma definição que nós decidimos trazer para o nosso conceito de desenvolvimento da nossa matriz”, afirmou.

Munguambe explicou que o conceito visa criar infraestruturas capazes de responder ao crescimento da procura e à diversificação das fontes de produção de energia.

“Passa por criar autoestradas para que a gente possa potenciar não só as energias tradicionais, mas a inserção ou a integração de novas energias renováveis no sistema”, disse.

De acordo com o gestor, o projeto inclui duas componentes principais, nomeadamente uma linha de transporte de energia e uma subestação elétrica: “Vai ter a linha de transporte e a subestação”.

A primeira fase do empreendimento deverá abranger o troço entre Songo e Matambo, numa região que concentra algumas das principais infraestruturas energéticas do país. A linha Songo-Matambo liga a zona de Songo, onde está a barragem de Cahora Bassa, à subestação de Matambo, localizada no distrito de Changara.

O responsável acrescentou que o financiamento do projeto já está garantido, embora sem avançar a moeda do montante anunciado para a componente da linha de transporte.

A província de Tete acolhe a barragem de Cahora Bassa, a maior infraestrutura hidroelétrica de Moçambique, sendo considerada um dos principais polos energéticos do país e da região da África Austral.

A produção de eletricidade em Moçambique aumentou 8,8% no primeiro semestre, para 8,06 milhões de megawatts-hora (MWh), impulsionada pela recuperação da geração hídrica após as históricas condições hidrológicas adversas que afetaram o setor em 2025.

Segundo dados do Governo sobre a execução do primeiro semestre, a produção global de energia elétrica no país atingiu 8.061.261 MWh neste período, equivalente a 49,9% da meta anual de 16,17 milhões de MWh. No período homólogo de 2025, a produção tinha sido de 7,41 milhões de MWh.

A evolução acompanha a recuperação da albufeira da Hidroelétrica de Cahora Bassa, que anunciou em julho ter elevado a capacidade útil armazenada para 56%, após mínimos históricos de cerca de 20% registados em 2025, permitindo levantar restrições operacionais. A empresa acrescentou que a produção de energia cresceu 13% no primeiro semestre.

Globalmente, o desempenho do primeiro semestre deste ano na produção de eletricidade em Moçambique contrasta com 2025, ano em que a produção total caiu 25,4%, para 14,4 milhões de MWh, devido sobretudo ao fraco desempenho das centrais hídricas, cuja produção recuou 30,7% face ao ano anterior.