Um grupo bipartidário de seis senadores dos Estados Unidos apelou este domingo à administração do Presidente Donald Trump para que “mude imediatamente de rumo” relativamente ao plano de compra de gasóleo à Rússia.
De acordo com a agência de notícias AP, quatro senadores republicanos e dois senadores democratas subscreveram uma declaração este domingo divulgada em protesto contra o acordo anunciado na sexta-feira, afirmando que a administração de Trump não consultou o Congresso, nem apresentou qualquer explicação que justificasse a sua decisão, tal como exigido pela lei.
“Os Estados Unidos não devem proporcionar a Putin um apoio financeiro enquanto a Rússia continuar a matar civis ucranianos. A Administração tem de mudar imediatamente de rumo”, escreveram os senadores, citados pela AP.
Na sexta-feira, Donald Trump surpreendeu os legisladores ao anunciar nas suas redes sociais que tinha chegado a um acordo com o Presidente russo, Vladimir Putin, numa conversa telefónica, para que a Rússia fornecer, de imediato, mais de 300 mil toneladas de gasóleo ao mercado americano e mundial, seguidas de mais 500 mil toneladas em novembro e um milhão de toneladas “imediatamente a seguir”.
Os senadores republicanos que subscreveram a declaração são Susan Collins, do Maine, Lisa Murkowski, do Alasca, Thom Tillis, da Carolina do Norte, e John Curtis, do Utah. Já os senadores democratas são Jeanne Shaheen, de New Hampshire, e Richard Blumenthal, do Connecticut.
O senador republicano Thom Tillis, numa entrevista transmitida este domingo no programa “Meet the Press” da NBC, considerou haver fundamentos legítimos para afirmar que o Presidente não está a cumprir a lei caso o Governo avance com o plano de compra de gasóleo.
“Fomos muito claros ao afirmar que a Rússia é o agressor. É a Rússia que pode pôr fim a esta guerra, retirando-se do território que ocupou”, afirmou Tillis.
O anúncio de Trump surgiu algumas semanas após o Congresso ter aprovado legislação que instruía o chefe de Estado a impor direitos aduaneiros substanciais aos principais importadores de petróleo ou gás natural russo, com uma exceção para os países que importam menos de 15% das exportações de gás natural da Rússia e que tenham tomado medidas significativas para reduzir essas importações.
A iniciativa do Congresso visava reduzir o fluxo de dinheiro que a Rússia recebe com as vendas de petróleo e gás para financiar a sua guerra contra a Ucrânia.
Os legisladores salientaram ainda que o Congresso proibiu explicitamente as importações de energia da Rússia em 2022, para impedir que os Estados Unidos financiassem a guerra.
“O Congresso foi claro: os Estados Unidos não devem importar petróleo da Rússia até que esta ponha fim à sua agressão contra a Ucrânia e cesse as ameaças contra os nossos aliados da NATO”, escreveram os seis legisladores na sua declaração.
Questionado sobre se a ação do Presidente constituiria uma violação da legislação norte-americana, o senador republicano John Barrasso, do Wyoming, considerou que Trump está focado na redução do custo da energia e que “tem de tomar decisões difíceis”.
Barrasso, que falava no programa “Face the Nation” da CBS, incentivou também Trump a fazer cumprir a lei de sanções que o Congresso aprovou no mês passado.
“Este é apenas mais um ponto de pressão que o Presidente pode usar contra Putin, num esforço para alcançar uma solução a longo prazo nessa região do mundo”, afirmou.
O acordo anunciado sexta-feira contempla entregas maiores previstas para os próximos meses, o que serviria para baixar o preço do gasóleo, uma das críticas dos norte-americanos a Trump a poucas semanas das eleições intercalares de novembro.
Trump, que abriu na primavera um conflito bélico com o Irão que reduziu o trânsito de petróleo pelo estratégico estreito de Ormuz, culpou a Ucrânia pelo encarecimento do gasóleo devido aos ataques às refinarias russas.
O líder dos Estados Unidos sugeriu mesmo que os ucranianos mudassem de Presidente para que seja possível acabar com a guerra com a Rússia, afirmando que Volodymyr Zelensky “não quer chegar a um acordo” com Moscovo.