Podia ser a final da Liga dos Campeões, era apenas um jogo relativo à segunda jornada da primeira fase e que pouco ou nada teria de impacto na classificação ou nos cruzamentos para os passos seguintes na competição. Ainda assim, era muito mais do que um jogo – e se dúvidas ainda existissem, o facto de Pep Guardiola voltar ao Etihad Stadium, mesmo ficando num camarote de forma discreta, mostrava que era aquele encontro que ninguém queria perder. Estavam três pontos em jogo, estava muito mais de “orgulho” em cima da mesa e era nesse desafio à capacidade das equipas que entroncava o maior ponto de interesse do City-PSG, com essa particularidade de serem clubes que se destacam pelo trabalho de diretores desportivos portugueses.
O que diferia mais entre eles? O atual momento. A começar pelos ingleses, que continuam a viver ainda com a nuvem negra das possíveis sanções por violação das regras do fair play financeiro que podem ser ainda um autêntico terramoto não só em Inglaterra mas no próprio clube. “Quando a notícia saiu, sentimos que devíamos ter uma conversa assim que voltássemos. Fizemo-lo para que todos estivessem em sintonia e para termos a certeza da nossa tranquilidade. A partir daí, seguimos em frente. Entrámos em contacto uns com os outros, encontrámos a calma e progredimos. Reação em Anfield? As coisas misturam-se um pouco mas sabemos que não é fácil somar três pontos com o Liverpool. Estamos aqui pelos pontos e para conquistar competições, isso é o mais importante nas nossas mentes. Seja no início ou no fim da época, vamos desfrutar da mesma forma e celebrar como sentirmos no momento”, comentara Rúben Dias antes do jogo com o PSG.
“Há muito ruído e é quase impossível não ver nada, mesmo sendo o mais reservado possível. No telemóvel, é impossível evitar tudo. Somos muito bons a focar-nos no nosso trabalho e a estarmos felizes sempre que vimos trabalhar. As nossas cabeças estão aí e apenas aí. São as coisas que conseguimos controlar e o que sempre fizemos com enorme prazer. Temos total confiança no clube, acreditamos nele, vamos lutar por ele e defendê-lo. Haja mais ou menos ruído, por qualquer motivo que seja, é tudo igual. É o mesmo de antes, porque as pessoas não gostam de nos ver vencer e nós adoramos vencer. É um cenário normal no qual, sempre que se ganha, há pessoas descontentes…”, acrescentou ainda o central português.
Do outro lado, o PSG não chegava propriamente com a mesma trajetória de sucessos do Manchester City depois de um início titubeante de época mas levava agora quatro vitórias que recolocaram a equipa a apenas três pontos da liderança do Mónaco e com uma goleada a abrir a Liga dos Campeões. Destaques individuais à parte, era Luis Enrique que se consolidava como principal rosto do sucesso dos parisienses também por ter renovado contrato até junho de 2030. “O nosso principal objetivo quando chegámos aqui era fazer história. Todos sabiam que o clube já tinha conquistado troféus importantes, porém, nenhum era mais importante para nós do que a Liga dos Campeões. Conquistámo-la duas vezes consecutivas mas isso não é motivo para abrandarmos. Para mim, enquanto treinador, tal como para os jogadores, a vontade de vencer constantemente é uma característica do alto nível”, salientara o técnico espanhol sobre essa continuidade.
???? « Manchester City a mérité tous ses trophées » : LUIS ENRIQUE PREND LA DÉFENSE DE MANCHESTER CITY !
À la veille du choc entre le PSG et Manchester City en Ligue des champions, Luis Enrique a été interrogé sur les accusations d’infractions aux règlements qui visent le club… pic.twitter.com/jsJeswV0Ek
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Em paralelo, e numa perspetiva que não se costuma ver muito no futebol, Luis Enrique abordou também a ligação que tem com o diretor desportivo, o português Luís Campos, e como isso foi importante para renovar contrato com os franceses. “As minhas ideias com ele são bastante parecidas. É algo muito difícil de explicar, mas tive a sorte de trabalhar com diretores desportivos muito bons no passado. Lembro-me de uma conversa recente com o meu filho, Pacho. Recordei-lhe o dia em que o Luís Campos foi a minha casa, no início da nossa colaboração. Sabia onde morava e veio visitar-me. Lembro-me muito bem desse momento. A ligação foi muito clara desde os primeiros minutos. Era alguém que ainda não conhecia bem, mas senti rapidamente que confiava em mim e que queria fazer grandes coisas. Essa ligação surpreendeu-me, no bom sentido da palavra, e teve uma importância enorme para mim, foi particularmente forte”, admitiu o técnico.
Una palabra para describirlo, con Luis Enrique. ???????? pic.twitter.com/V9lUpU9ohM
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Por fim, e naquilo que também acaba por ser o principal “segredo” deste PSG, o espanhol falou da relação aberta que tem com os jogadores. “Olhando para toda a minha carreira, percebo que consegui sempre construir boas relações com as equipas. Conectar-me com eles, fazer piadas, partilhar bons momentos juntos. É algo que me enche de energia. Lembro-me que o Vitinha às vezes até me pergunta se estou a falar a sério ou não e eu respondo que ele é que tem de interpretar. Cada jogador precisa de uma abordagem diferente”, contou. O jogo com o City teria várias nuances táticas que podiam ser exploradas mas era também na ideia de “grupo” que Luis Enrique se apoiava contra uma formação inglesa com sete vitórias consecutivas.
« JE NE SAIS PAS SI TU ES SÉRIEUX OU NON. ???? »
Luis ENRIQUE ???????? raconte que VITINHA ???????? ne sait parfois plus s’il plaisante ou s’il est sérieux ???? :
????️ « J’aime beaucoup rire, plaisanter et être proche des joueurs. C’est quelque chose qui me donne de l’énergie : être connecté… pic.twitter.com/B8WgcEvFmH
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Esse ímpeto do momento vivido pelo City, reforçado pelo triunfo em Anfield por claros 3-0, sentiu-se no arranque da partida. Afinal, era apenas um rasgo. Um espasmo. Uma miragem para o que se iria passar na primeira parte. Após esses minutos iniciais com os ingleses mais perto da área e a terem mesmo uma bola na trave na sequência de um canto desviado por Safonov (12′), os franceses puxaram da sua melhor versão para darem espetáculo. Um espetáculo a sério, um “banho de bola”, uma ode ao futebol: Doué inaugurou o marcador após uma grande saída a partir de trás com um remate de fora da área (13′), o mesmo Doué assistiu Dembéle para o 2-0 pouco depois numa jogada de antologia concluída de cabeça pelo Bola de Ouro (15′), Hakimi acertou no poste em mais uma incursão até à área contrária, Vitinha marcou mesmo o 3-0 depois de um grande lance de Akliouche na direita com assistência de calcanhar de Zaire-Emery (37′).
Apesar de todo o brilho das unidades ofensivas do PSG, que voltaram a desequilibrar por completo uma defesa do Manchester City que até aqui parecia intransponível, era o médio português, que se tornou agora embaixador da Cerelac depois de ter contado numa entrevista que ainda hoje não dispensa o produto que é tão famoso entre crianças, a dar mais uma aula de futebol no Etihad Stadium para inglês ver.
Ainda assim, a história do jogo estava longe de ficar contada em 45 minutos. Muito longe mesmo. E o City, que tinha pouco ou nada a perder, transfigurou-se depois das entradas de Bouassi, Ndiaye e Matheus Nunes para os lugares de Cherki, Rúben Dias e Doku. Mais: a partir daí, chegou mesmo a pensar-se num possível empate, com Haaland a tornar-se o melhor marcador do clube na Champions ao chegar ao 37.º golo após assistência de Ndiaye (53′) entre outras oportunidades num ritmo frenético que só abrandou com um “frango” de Donnarumma a remate de Akliouche onde o italiano quis tanto brilhar para a fotografia que não desviou por completo a bola da baliza (61′). Enzo Fernández ainda teve uma bola no poste (71′), Haaland bisou após assistência de Bouaddi (75′), Safonov evitou o hat-trick do norueguês em cima da linha (83′) e o encontro de loucos ainda terminou com Donnarumma a defender um penálti de Ferran Torres (89′)…