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O Manchester City conquistou a Premier League em oito ocasiões nos últimos 14 anos
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▲O Manchester City conquistou a Premier League em oito ocasiões nos últimos 14 anos

Getty Images

▲O Manchester City conquistou a Premier League em oito ocasiões nos últimos 14 anos

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114 em 115, juras de amor de Guardiola e o fantasma da descida. Qual é o futuro de um City que continua a fugir do passado?

O clube inglês foi considerado culpado de centenas de irregularidades financeiras de 2009 a 2018, contornando as regras de fair play financeiro. Agora, aparece o fantasma da descida – e da debandada.

Era uma espécie de nuvem negra que pairava há anos por cima do Manchester City. A investigação às tão badaladas 115 irregularidades financeiras dos citizens começou por parecer uma mão cheia de nada, tornou-se um problema sério e rebentou no colo de quem está a tentar começar um novo capítulo depois da saída de Pep Guardiola.

Manchester City considerado culpado de todas as 115 acusações de violações financeiras na Premier League ao longo de nove temporadas

No final da semana passada, o The Athletic começou por avançar que o City seria mesmo considerado culpado de praticamente todas as acusações de que era alvo. Na terça-feira, a comissão independente da Premier League que investigou o caso anunciou que o clube é culpado de 114 das 115 acusações – ou seja, que entre 2009 e 2018, desde que foi adquirido pelo Sheikh Mansour dos Emirados Árabes Unidos, tentou ativamente contornar as regras de fair play financeiro e sustentabilidade financeira que existem em Inglaterra.

As reações sucederam-se, de Pep Guardiola a Enzo Maresca passando por Noel Gallagher, mas também Rui Pinto quebrou o silêncio – com o hacker português, que revelou todo o escândalo através do Football Leaks, a garantir que tem ainda mais informação sobre os citizens. Agora, existem as possibilidades de multas milionárias, perda de pontos ou até despromoção, sendo que o mais do que previsível recurso foi apresentado esta sexta-feira. A autêntica crónica de um clube que persegue o futuro porque ainda foge do passado.

▲ Sergio Agüero marcou um dos golos mais importantes da história do clube, em 2011/12, garantindo a conquista do primeiro Campeonato em 40 anos

Getty Images

A culpa de 114 em 115, a inflação de mil milhões e o caso paradigmático de Roberto Mancini

A bomba rebentou na sexta-feira passada, mas só esta terça-feira é que se percebeu que o mundo do futebol está mesmo prestes a assistir a algo inédito e capaz de agitar tudo aquilo que por agora continua a ser verdade. O Manchester City foi considerado culpado de 114 das 115 acusações financeiras de que era alvo, com a Premier League a concluir que o clube orquestrou um plano sistemático para contornar as regras do fair play financeiro e de sustentabilidade financeira da liga.

O processo diz respeito ao período entre 2009 e 2018, altura em que o Manchester City se estabeleceu como uma das maiores potências do futebol mundial a partir da chegada de Mansour bin Zayed Al Nahyan, mais conhecido como Sheikh Mansour, o proprietário da Abu Dhabi United Group (ADUG), a empresa de investimentos da família real dos Emirados Árabes Unidos. Ao todo, o processo conta com sete mil páginas de transcrições de audições, 700 páginas de depoimentos e declarações escritas e 750 páginas de índice. A decisão final, porém, resume-se a 40 páginas.

A linguagem da comissão independente que analisou as acusações e decidiu pela condenação do Manchester City é demolidora. O clube inglês foi considerado culpado de “contratos fraudulentos”, “acordos fraudulentos”, “inflacionar receitas artificialmente”, “contas não declaradas”, “ocultar”, “intenção clara de contornar as regras da Premier League” e “múltiplas quebras do dever de cooperação e boa fé”. Nas conclusões, o CEO da Premier League foi ainda mais longe e não desvalorizou a importância do caso.

“Este caso, esta decisão, é o mais importante da história da Premier League. Existem elementos do caso que continuam por decidir, incluindo, de forma muito importante, que sanções serão aplicadas. Agora que temos a decisão da comissão, estamos comprometidos em avançar depressa com o que resta do processo, de forma a dar certezas à liga, aos nossos clubes e aos adeptos”, disse Richard Masters.

Ao todo, o Manchester City terá inflacionado as receitas em mais de mil milhões de euros —tudo durante uma fase em que conquistou a Premier League em quatro ocasiões, para além de ainda ter vencido duas Taças de Inglaterra e quatro Taças da Liga.

Mas, afinal, o que é que está em causa? As 115 acusações ao Manchester City surgiram depois de, em 2018, Rui Pinto ter revelado irregularidades através do Football Leaks e da revista alemã Der Spiegel. Agora, oito anos depois, as suspeitas levantadas pelo hacker português foram confirmadas pela própria Premier League e podem dividir-se em quatro grandes áreas que sempre tiveram o tal objetivo de contornar e fugir às regras do fairplay financeiro e da sustentabilidade financeira em Inglaterra – que indicam que os clubes só podem gastar 85% da despesa anual com jogadores, transferências e comissões.

O Manchester City recorreu a patrocínios fictícios e com valores adulterados por entidades ligadas a Abu Dhabi, ou seja, o dinheiro vinha diretamente dos proprietários e era declarado como receita comercial para inflacionar e justificar despesa; omitiu pagamentos reais realizados a treinadores e jogadores, cobrindo parte das remunerações através de contratos paralelos ou de consultoria, escondendo os valores da contabilidade oficial; apresentou Relatórios e Contas à Premier League e a auditores que não refletiam a real situação financeira do clube; e, por fim e de forma natural, não colaborou de forma transparente e dificultou toda a investigação realizada.

Ao todo, o Manchester City terá inflacionado as receitas em mais de mil milhões de euros – tudo durante uma fase em que conquistou a Premier League em quatro ocasiões, para além de ainda ter vencido duas Taças de Inglaterra e quatro Taças da Liga. De acordo com o The Athletic, os funcionários dos citizens receberam nos últimos dias um vídeo de Ferran Sorriano, o CEO, onde este garante que o clube já entregou “provas irrefutáveis” de que os valores associados a patrocínios foram mesmo totalmente sustentados pelos patrocinadores e que serão realizados todos os esforços para reverter a decisão da comissão independente.

Entre todas as conclusões apresentadas nos últimos dias, nenhum caso explica melhor a maneira como o Manchester City tem manipulado as regras como o de Roberto Mancini. O treinador italiano, atual selecionador de Itália, foi o primeiro nome high profile a orientar o clube depois da aquisição do Sheikh Mansour. Ficou de dezembro de 2009 a maio de 2013 e foi o grande responsável pela conquista da Premier League em 2011/12, o primeiro Campeonato dos citizens em mais de quatro décadas que acabou com um golo dramático de Sergio Agüero nos descontos da última jornada.

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▲ Rui Pinto, através do Football Leaks, foi o primeiro a revelar as irregularidades do Manchester City

AFP via Getty Images

Ora, quando o Manchester City quis contratar Roberto Mancini, o treinador exigia um pacote salarial muito alto – apesar de estar desempregado há cerca de ano e meio, desde que tinha saído do Inter. Incluir Mancini na folha salarial, portanto, era inflacionar brutalmente o orçamento e violar de imediato as regras da sustentabilidade financeira. Para contornar tudo isto, como ficou agora provado, os citizens montaram uma verdadeira arquitetura financeira que fez com que o italiano passasse a ter dois contratos em simultâneo.

De um lado, tinha o contrato oficial que o Manchester City declarava em Inglaterra e onde auferia alegadamente cerca de 1,7 milhões de euros por época. Por outro lado, tinha um contrato-sombra em Abu Dhabi, por prestar supostos serviços de consultoria ao Al Jazira, clube dos Emirados Árabes Unidos que também é detido pelo Sheikh Mansour, onde encaixava outros dois milhões de euros por época.

O contrato era uma fachada, Roberto Mancini viajava durante quatro dias por ano até Abu Dhabi para “aconselhar” o Al Jazira e o Manchester City pagava mais de metade do salário real do treinador sem que esse valor fosse sequer declarado. O ADUG transferia a quantia para o Al Jazira e o clube funcionava como um intermediário que transferia a mesma quantia para uma empresa chamada Italy International Services, que geria os direitos de Mancini. Os emails revelados por Rui Pinto através do Football Leaks mostram então alguns executivos de topo dos citizens a coordenar internamente todas estas faturas de maneira a garantir que o dinheiro saía de Inglaterra para os Emirados Árabes Unidos apenas para ser reencaminhado para o italiano.

Entretanto, em comunicado oficial, o Manchester City mostrou-se “desapontado e surpreendido pela opinião da Premier League”, que diz conter “claros erros materiais, legais, de princípio e factuais, sendo insegura”. “O clube é inocente das acusações e um abrangente corpo de provas irrefutáveis já existe em apoio a todas as suas posições em relação a este caso. O clube será, portanto, perseverante, e onde necessário também proativo, em todos os fóruns apropriados e legais”, pode ler-se na nota assinada pelo presidente Khaldoon Al Mubarak, onde ficou praticamente claro que os citizens iriam recorrer da decisão, algo que aconteceu formalmente esta sexta-feira.

quando o Manchester City quis contratar Roberto Mancini, o treinador exigia um pacote salarial muito alto — apesar de estar desempregado há cerca de ano e meio, desde que tinha saído do Inter Milão. Incluir Mancini na folha salarial, portanto, era inflacionar brutalmente o orçamento e violar de imediato as regras da sustentabilidade financeira. Para contornar tudo isto, como ficou agora provado, os citizens montaram uma verdadeira arquitetura financeira que fez com que o italiano passasse a ter dois contratos em simultâneo.

A companhia aérea Etihad, a principal patrocinadora do Manchester City que até dá nome ao estádio, também afastou todas as acusações e já garantiu que está a ponderar tomar ações legais contra a própria Premier League, enquanto que os próprios Emirados Árabes Unidos, segundo a Bloomberg, estarão a pensar retirar “compromissos e investimentos de grande escala” no Reino Unido. Já esta sexta-feira, o Financial Times adiantou que os eventuais processos judiciais que podem arrancar na sequência das conclusões da comissão independente terão um obstáculo substancial: Khaldoon Al Mubarak, presidente dos citizens e da Mubadala, o fundo soberano de Abu Dhabi, tem imunidade diplomática no Reino Unido desde 2020, o que significa que está protegido de processos criminais e ações civis.

Rui Pinto, a origem de tudo que diz ter muito mais para contar

E se é certo que as acusações agora provadas não são uma novidade, na medida em que estavam a ser investigadas há vários anos, também é verdade que já foram julgadas noutro fórum. Em 2020, com base nos mesmos factos relatados pelo Football Leaks, a UEFA suspendeu provisoriamente o Manchester City das competições europeias por dois anos e aplicou uma multa de 30 milhões de euros. Contudo, meses depois e na sequência de um recurso para o Tribunal Arbitral do Desporto, os citizens viram a suspensão anulada e a multa reduzida para “apenas” dez milhões de euros.

É nessa espécie de absolvição, aliás, que Ferran Sorriano se sustentou no vídeo enviado aos funcionários do clube, recordando que algo semelhante já aconteceu há seis anos e que as consequências acabaram por ser muito mais limitadas do que o inicialmente avançado. E Rui Pinto, o hacker português responsável por praticamente toda a informação que está a deixar o Manchester City em xeque, não se esquece – aproveitando para atirar farpas a Gianni Infantino, antigo secretário-geral da UEFA e atualmente presidente da FIFA.

“Desde 2014 que existe um homem que já sabia de todas as irregularidades à volta do Manchester City. Esse homem agora lidera a FIFA. O infame Gianni Infantino, na altura secretário-geral da UEFA, abusou da sua autoridade, partilhou documentos confidenciais e, em resumo, manipulou a investigação, fazendo tudo o que podia para garantir que tanto o Manchester City como o PSG recebessem apenas uma multa, evitando uma investigação mais profunda que poderia ter levado a uma suspensão da Liga dos Campeões. Todos estes detalhes foram revelados pelo ‘Football Leaks’. Tendo em conta estas ações e, mais recentemente, as que teve enquanto presidente da FIFA, só posso dizer que na minha humilde opinião Gianni Infantino tornou-se um cancro para o futebol e não deve ter lugar no futuro do jogo”, escreveu o português nas redes sociais.

▲ Pep Guardiola deixou o clube no último verão depois de uma década em Manchester

Getty Images

Antes, quando a decisão da comissão independente da Premier League foi divulgada, o hacker português já tinha reagido com agrado. “É oficial. O comunicado emitido hoje pela Premier League confirma, de forma inequívoca, a veracidade de tudo o que foi revelado através do Football Leaks. A comissão independente é particularmente dura na forma como caracteriza as ações dos executivos do Manchester City que, sem sombra de dúvidas, atuaram com completa impunidade, desafiando tudo e todos. Desde o início que demonstraram uma completa falta de respeito pelas regras, pelos organismos responsáveis por regular o jogo, pela integridade das competições, por todos os outros clubes e, acima de tudo, pelos adeptos. Anos e anos de batota, de mentiras e de manipulação finalmente terão consequências”, atirou Rui Pinto, cujo representante já disse existir ainda “um processo massivo” de mais informação ainda não divulgada sobre os citizens.

As juras de amor de Guardiola, a filosofia de Maresca e o que Gallagher viu

Entretanto, as reações mais esperadas ao veredito eram naturalmente as de quem trabalhou no Manchester City durante o período mencionado – particularmente Pep Guardiola, que treinou os citizens durante a última década, incluindo a reta final dos anos investigados pela Premier League, e que acabou por ainda ser envolvido em toda a polémica no momento em que as primeiras revelações do Football Leaks começaram a ser publicadas.

Numa reação inesperada, até pela espinha dorsal que foi demonstrando ter ao longo de toda a carreira, o treinador espanhol fez juras de amor ao clube que deixou no último verão. “Quero que cada adepto do Manchester City pelo mundo saiba que estou aqui. Mais do que nunca. Estou, sempre estive, vou sempre estar. Com o meu clube, o dono, o presidente, o Ferran, os jogadores, o staff, o Enzo e vocês, os nossos adeptos únicos. Deixem-me ser claro: vamos ultrapassar isto juntos. Amo-vos a todos”, escreveu Guardiola nas redes sociais.

Mais contido, curiosamente, foi o atual treinador. Enzo Maresca foi adjunto de Pep Guardiola no Manchester City, passou pelo Leicester e o Chelsea no início da carreira a solo e regressou ao Etihad para substituir precisamente o espanhol. Quando o jornal The Guardian contactou os representantes do treinador para obter um comentário oficial, foi remetido para a conta oficial de Instagram do italiano, onde este tinha acabado de partilhar uma conhecida frase do filósofo Sócrates: “A única coisa que sei é que nada sei”. Mais tarde, na mesma rede social, partilhou uma fotografia com os pés descalços na relva e acrescentou a descrição “tempo para respirar, tempo para analisar, tempo para aprender”.

"Quero que cada adepto do Manchester City pelo mundo saiba que estou aqui. Mais do que nunca. Estou, sempre estive, vou sempre estar. Com o meu clube, o dono, o presidente, o Ferran, os jogadores, o staff, o Enzo e vocês, os nossos adeptos únicos. Deixem-me ser claro: vamos ultrapassar isto juntos. Amo-vos a todos."
Pep Guardiola

Pep Guardiola, porém, não foi a única figura do passado a decidir ter voz. Em sentido completamente oposto, um antigo presidente do Manchester City defendeu a despromoção do clube, garantindo que o que ficou provado é “condenatório para lá de qualquer crença”. “É muito, muito grave. Penso que é realmente terrível. Há uma corrente de pensamento entre os advogados que consiste em negar, negar, negar, mas este é um clube de futebol que faz parte de uma liga e a credibilidade de toda a liga está em causa. As sanções não podem ser apenas financeiras, têm de ir muito além disso. Se o recurso falhar, o City não pode continuar na liga, tem de sofrer. E digo isto enquanto adepto”, disse David Bernstein, presidente dos citizens de 1998 a 2003.

De um ponto de vista mais institucional, a responsável pela pasta da Cultura, Comunicação Social e Desporto em Inglaterra reconheceu que a despromoção ao Championship não pode ser excluída. “Não quero antecipar qualquer tipo de processo de recurso, eles têm direito a uma audiência justa. Mas o que posso dizer é que a sanção máxima é de facto muito grave. Um clube pode ser expulso da Premier League se este tipo de alegações for confirmado, com consequências obviamente enormes para todos. Existem sanções muito graves e penso que a questão mais importante é saber como garantimos que temos regras claramente compreendidas, que são respeitadas e aplicadas de forma consistente, e como podemos agir rapidamente quando são violadas”, explicou Lisa Nandy em declarações ao Channel 5.

Entretanto, já esta sexta-feira, o Treasury Committee, o organismo responsável por fiscalizar as políticas e a administração da Autoridade Tributária britânica, já questionou se o governo solicitou o acesso aos documentos confidenciais que constam no relatório final da comissão independente. A iniciativa surgiu depois da divulgação de um relaatório da Tax Policy Associates, onde é alegado que o Manchester City terá deixado de pagar cerca de 14 milhões de euros em impostos através do tal contrato simulado com Roberto Mancini. Somando o imposto sobre o rendimento em falta, as contribuições para a Segurança Social e eventuais penalizações, os encargos fiscais podem ascender aos 28 milhões de euros.

Quanto à Football Association, só reagiu esta sexta-feira. “A decisão da comissão independente tem implicações significativas para a integridade do jogo. Estamos a considerar a decisão e as suas implicações de forma cautelosa e vamos agir quando for apropriado. Enquanto os procedimentos entre a Premier League e o Manchester City continuam a decorrer, não planeamos fazer mais comentários nesta fase. Mas vamos, ainda assim, continuar a monitorizar de perto os desenvolvimentos”, pode ler-se na nota.

▲ Erling Haaland é o principal ativo do clube, mas, à partida, não tem cláusula de rescisão em caso de despromoção

PA Images via Getty Images

E depois há Noel Gallagher. Talvez o mais famoso dos adeptos do Manchester City, um dos irmãos dos Oasis foi naturalmente questionado sobre toda a polémica e manteve o apoio inabalável ao clube – apesar de reconhecer a gravidade das acusações. “Estou um pouco surpreendido, porque o clube sempre nos garantiu que negaria veementemente qualquer uma destas acusações. Foi um choque descobrir que fomos considerados culpados de todas menos uma. É bastante triste, para os adeptos e para os jogadores. Mas o nosso foco como adeptos está sempre no relvado e nós sabemos o que vimos, eles ganharam no relvado. O que quer que se passe na administração não tem nada a ver com os adeptos ou os jogadores, os jogadores ganharam os jogos e ganharam em campo. Eu sei o que vi e o que senti”, referiu o músico ao podcast “Let Me Talk”.

A descida é uma possibilidade, mas há mais – e podem vir de Londres, Manchester e Liverpool

A partir das acusações, naturalmente, começam a surgir as sanções – ou pelo menos a possibilidade de sanções. Sem que seja possível antever o que a Premier League vai decidir, mas antecipando alguma agressividade tendo em conta o comunicado e as palavras de Richard Masters, colocam-se as hipóteses de multas milionárias, perda de pontos ou até despromoção automática ao Championship. Ou seja, nem sequer é possível dar como garantido que o Manchester City estará na Premier League na próxima temporada.

Aqui, acrescenta-se o risco de alguns jogadores terem incluída nos contratos uma cláusula de rescisão unilateral em caso de despromoção – de acordo com a comunicação social especializada, este não é o caso de Erling Haaland, o maior ativo do Manchester City, mas poderá ser o caso de outros elementos do plantel. Contudo, mesmo sem as tais cláusulas, a possibilidade de a larga maioria dos jogadores acabar por deixar o clube num cenário de descida ao Championship, numa autêntica debandada para fugir ao segundo escalão, é obviamente muito grande. 

“Um jogador poderia alegar que o clube violou o dever implícito de confiança e lealdade contratual. E poderia acrescentar que, sendo o empregador, atuou em violação dessa cláusula, o que confere o direito de rescindir o contrato com justa causa e sair do clube. Esta é uma possibilidade real. Tenho visto comentadores a dizer que é improvável, mas tudo depende de múltiplos fatores. O que é que o clube vai dizer aos jogadores? Como é que vão resolver esta situação do ponto de vista financeiro?”, questionou Paul Gilroy, especialista em direito desportivo, no podcast “Stick to Football”.

Por fim, os citizens correm agora o risco de atravessar um autêntico inferno judicial se os clubes que foram diretamente afetados pelo sucesso do City nas últimas temporadas decidirem procurar compensações nos tribunais. O caso mais paradigmático é o do Manchester United, que ficou em segundo lugar da Premier League atrás do Manchester City em 2012/11, a temporada do mítico golo de Sergio Agüero nos descontos da última jornada, e também em 2017/18, com José Mourinho nos red devils.

O Liverpool pode queixar-se de 2018/19, em que também ficou no segundo lugar, e o Arsenal pode lembrar que o início do projeto atual dos citizens foi feito à base de um autêntcio saque aos gunners, através de salários acima do valor de mercado oferecidos a Kolo Touré, Bacary Sagna, Emmanuel Adebayor ou Samir Nasri. Por fim, o Tottenham, que falhou várias vezes o apuramento para a Liga dos Campeões por margens mínimas.

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