A Lancia apresentou o novo Gamma, sendo esta marca uma das apostas para o segmento premium do Grupo Stellantis, juntamente com a Alfa Romeo, a DS e a Maserati, ainda que esta última tenha um prestígio mais evidente. O construtor italiano continua, assim, o seu caminho rumo a um novo ciclo de vida, visando recuperar uma imagem refinada e tecnológica que já foi sua, bastando recordar o sucesso do Lancia Aurelia nos anos 50, como exemplo do luxo, e as vitórias dos Stratos HF, Rally 037, Delta S4 e Delta HF Integrale, que dominaram ralis do Campeonato do Mundo entre 1974 e 1992.
O novo Gamma retoma a denominação de um modelo do segmento E, disponível como berlina ou coupé de duas portas entre 1976 e 1984, mas o Gamma de 2026 surge como um SUV do segmento D, com 4,67 m de comprimento, 2,78 m de distância entre eixos e uma bagageira com 560 litros, tendo sido concebido sobre a plataforma STLA Medium da Stellantis, que se estreou nos Peugeot 3008 e 5008. A carroçaria exibe uns pilares traseiros muito inclinados, que conferem ao modelo um ar de SUV coupé, de forma ainda mais vincada do que o DS Nº7, com o qual também partilha a base.
O Lancia Gamma vai ser oferecido com mecânicas a combustão e outras 100% eléctricas, com a primeira a recorrer à solução mild hybrid do grupo, que confia no motor 1.2 sobrealimentado com três cilindros, que debita 136 cv, associado a uma unidade eléctrica a 48V com 29 cv, alimentada por uma bateria com 0,43 kWh úteis. Este Gamma Hybrid é capaz de atingir 201 km/h e os 100 km/h em 10,4 segundos, anunciando um consumo de 5,3 l/100 km.
Se com motor a combustão a Lancia oferece apenas um Gamma, animadas por motor eléctrico há (para já) três versões, com duas capacidades de bateria e três níveis de potência. A versão mais acessível monta no eixo dianteiro uma unidade motriz com 260 cv, alimentada pela bateria Standard Range, com 73,7 kWh úteis, capaz de carregamentos a 160 kW em corrente contínua (DC) e de percorrer 543 km com uma só carga.
Ainda só com tracção à frente existe igualmente um Gamma com bateria Long Range (97,2 kWh de capacidade) que também carrega a 160 kW, mas eleva a autonomia para 741 km. Para compensar o maior peso deste acumulador, a Lancia subiu para 280 cv a potência do SUV coupé, mantendo a velocidade nos 190 km/h e os 0-100 km/h nos 7,8 segundos, a apenas um décimo do Gamma eléctrico com a bateria mais pequena. O topo de gama eléctrico mantém a bateria Long Range, mas monta um segundo motor no eixo traseiro para, em conjunto, oferecer 375 cv. A velocidade máxima mantém-se, mas os 100 km/h ficam para trás ao fim de apenas 5,1 segundos, com a autonomia a fixar-se em 676 km entre visitas ao posto de carga.
O novo Lancia Gamma será produzido na fábrica de Melfi, em Itália, com as encomendas a abrirem no final deste ano e as entregas a arrancarem no início do próximo. Os preços para Portugal serão anunciados mais tarde, mas, em Itália, começam nos 39.900€.