O artista plástico Bordalo II publicou esta quinta-feira um vídeo em que mostra a instalação de uma placa com a inscrição “Vende-se” no letreiro da marca institucional Porto, situada em frente à Câmara Municipal, que já foi retirada.
Num vídeo publicado esta tarde nas suas redes sociais, é visível a colocação da placa na Praça General Humberto Delgado por parte de um homem vestido com um casaco amarelo, com listas refletoras, ostentando a marca Porto, tendo também sido publicada uma fotografia da intervenção do artista plástico com a seguinte legenda: “Vendeu-se”.
Pelas 18h40, a placa já tinha sido retirada, constatou a Lusa no local.
A Lusa questionou a Câmara do Porto se foram os serviços da autarquia a retirar a placa e, se sim, a que horas, e aguarda resposta.
Também esta quinta-feira, na sua página de Instagram, publicou uma imagem em que, num sinal de trânsito que indica a existência de uma passadeira, adiciona dois elementos que emulam polícias de choque a agredir o peão.
Nos últimos anos, Bordalo II tem feito várias intervenções artísticas referentes a questões da atualidade, como por exemplo a instalação Walk of Shame (Passadeira da Vergonha), em que, no âmbito da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) de 2023, fez deslizar até ao altar situado no Parque Papa Francisco, em Loures (distrito de Lisboa), um tapete desenhado com notas gigantes de 500 euros.
Também já instalou na Praça Duque da Terceira, ao Cais do Sodré, em Lisboa, uma versão gigante do jogo de tabuleiro Monopólio, alertando contra a especulação imobiliária na cidade.
Artur Bordalo (Bordalo II – o primeiro era o avô, o artista plástico Real Bordalo, que morreu em junho de 2017, aos 91 anos), nascido em Lisboa, em 1987, começou pelo ‘graffiti’, que o preparou para o trabalho pelo qual se tornou conhecido: esculturas feitas com recurso a lixo e desperdícios, abordando questões como o consumismo excessivo e a inação face aos desafios ambientais.
Nos últimos anos tem espalhado por todo o mundo Big Trash Animals (“Grandes Animais de Lixo”), retratos de animais feitos com aquilo que os destrói, tendo o seu trabalho presente em todo o mundo.
Em Portugal, é possível verem-se animais criados por Bordalo II em cidades como Lisboa, Estarreja, Loures, Vila Nova de Gaia, Faro, Coimbra, Águeda e Covilhã.
Na segunda-feira, a Polícia Municipal retirou cerca de 50 tendas que estavam armadas na Praça D. João I no âmbito de um protesto pelo direito à habitação, que teve início no sábado, depois de a câmara ter dito que o acampamento ocupava indevidamente o espaço público.
A retirada das tendas não afastou os manifestantes, que dormiram ao relento e mantiveram o protesto.
Na quarta-feira, numa assembleia popular, as pessoas votaram manter o protesto e voltar a dormir em tendas, manifestando o grupo vontade de “continuar a crescer e não só no Porto”, apelando a outras cidades, como o que já está convocado para Lisboa no sábado.
Os participantes voltaram a instalar tendas durante a noite, que foram retiradas pela polícia, depois de o presidente da Câmara do Porto ter dito na quarta-feira que seria “absolutamente implacável com qualquer tentativa de colocação de tendas” na Praça D. João I.
A ação da polícia aconteceu cerca das 03h00, numa operação que o movimento refere ter provocado 39 feridos, dois dos quais em estado grave.
Na nota de hoje, o movimento “denuncia veementemente o uso de força extrema, desproporcional e injustificada durante a intervenção policial na acampada, que se manteve, desde o primeiro momento, pacífica, sem nunca incitar à violência”, considerando a carga “inaceitável” e pedindo responsabilidades.
O movimento apresenta seis reivindicações principais: “abaixo a lei das rendas; fim dos despejos; fim da compra de imóveis por fundos abutres; mais habitação pública; recuperação de imóveis devolutos para habitação; tetos às rendas”.
A PSP confirmou entretanto um polícia ferido e a existência de feridos entre os manifestantes, sem precisar quantos, atribuindo a razão da intervenção a “comportamentos de resistência”.
O presidente da Câmara do Porto disse que a PSP se viu “forçada” a atuar perante a atitude dos manifestantes, tendo lamentado o incidente.
[Annie conhece o ministro do Interior de Cuba há muito tempo, mas a paixão que os une é relativamente recente. É justamente nessa altura que Zé Manel, como ela lhe chama, vai ser implicado num dos maiores escândalos da liderança de Fidel Castro. O “Caso Ochoa” envolve droga, fuzilamento, prisão e o narcotraficante mais conhecido do mundo: Pablo Escobar. Já pode ouvir o quinto episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]