Uma grávida, duas atletas e muitas modelos com características, corpos e etnias distintas. A diversidade voltou à passerelle do Victoria’s Secret Fashion Show na passada quarta-feira, 15 de outubro, em Nova Iorque, depois do regresso em 2024, ao fim de uma pausa de seis anos, marcada pelas polémicas relacionadas com a marca. Os tradicionais anjos continuam lá, assim como o glamour, mas os tempos da emissão em direto pela televisão ficaram para trás: o desfile foi transmitido pelo serviço de streaming Prime, assim como pelas redes sociais da marca de lingerie.
A pink carpet começou a ficar movimentada cerca de meia hora antes do início do evento, com nomes como Sarah Jessica Parker, Patrick Schwarzenegger ou Dylan Sprouse, que esteve a distribuir pins amarelos em homenagem à mulher, Barbara Palvin, que foi recentemente operada por causa da endometriose. “Ela foi muito forte de passar por tudo isso”, disse o ator, ao E!News.
Pelas 19h locais, meia noite em Lisboa, o desfile abriu com Jasmine Tookes, grávida do segundo filho, com um “vestido” que deixava a sua barriga em evidência, além das clássicas asas, feitas para parecerem uma concha. Entre as anjos que regressam à passerelle, destacam-se nomes como o das brasileiras Adriana Lima e Alessandra Ambrosio, ou ainda as já conhecidas Bella e Gigi Hadid, Barbara Palvin, Candice Swanepoel, Joan Smalls, Doutzen Kroes, Lily Aldridge, Stella Maxwell, Taylor Hill, Joan Smalls, Doutzen Kroes e Lily Aldridge. Também voltam, depois da estreia em 2024, Alex Consani, Anok Yai, Paloma Elsesser e Ashley Graham — um elenco diversificado, que parece representar uma imagem de aceitação e inclusão e responder às críticas que a marca recebeu no passado.
Houve ainda estreias. É o caso da ginasta Sunisa Lee, da jogadora de basquetebol Angel Reese, da atriz Barbie Ferreira, da modelo brasileira Daiane Sodre, da influencer e comediante Quenlin Blackwell e das modelos Iris Law, Precious Lee e Yumi Nu. No palco, e como já é costume, estrelas da música fizeram performances que deram o ritmo do evento, alternando cenários, temas e cores, num setlist composto apenas por artistas mulheres: Missy Elliott, Karol G, Madison Beer e o grupo de K-Pop TWICE.
▲ As modelos regressam à passerelle para o final do desfile
Getty Images for Victoria's Secr
Sex-appeal e o show bizz norte-americano
O primeiro Victoria’s Secret fashion show foi realizado em 1995 no Plaza Hotel, em Nova Iorque, mas ainda não tinha os nomes e o peso que ganhou anos depois. Em 1996 Claudia Schiffer usou o primeiro fantasy bra, uma parceria com a Swarovski que se traduziu numa peça tão valiosa que exigiu uma escolta armada para proteger a modelo e o sutiã até o local da sessão de fotos (o million dollar bra não chegou à subir na passerelle).
Foi só em 1997 que se popularizou o título anjo para falar das modelos que davam a cara pela marca: como Schiffer, Bundchen, ou Tyra Banks, que foi a primeira a usar um par de asas, no desfile de 1998. Um ano antes o fashion show já havia sido transmitido na televisão nos EUA, e entre 2001 e 2018 era um verdadeiro evento anual, especialmente entre os norte-americanos, chegando ao pico de mais de 9 milhões de pessoas em 2014.
O último desfile da Victoria’s Secret foi em 2018 e contou com anjos como Jasmine Tooke, Kendall Jenner, a portuguesa Sara Sampaio e a brasileira Alessandra Ambrósio. O evento, no qual já desfilaram também as modelos Gisele Bündchen e Heidi Klum, foi posto em pausa em 2019, quando o desfile anual foi cancelado devido aos maus resultados nas vendas e nas audiências televisivas. As controvérsias em torno da marca seguiram-se ao longo dos anos com polémicas sobre a “cultura misógina” da empresa, escândalos sexuais e a falta de diversidade e inclusão — o que empurrou o regresso para 2024, numa abordagem de maior diversidade de corpos e estilos.
[Apesar da euforia em torno de Freitas, Soares recupera. O debate com Zenha será decisivo. Quando acabar, nunca mais serão amigos. A “Eleição Mais Louca de Sempre” é o novo Podcast Plus do Observador sobre as Presidenciais de 1986. Uma série narrada pelo ator Gonçalo Waddington, com banda sonora original de Samuel Úria. Pode ouvir aqui, no Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir o primeiro episódio aqui e o segundo aqui]