A Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e a RISE-Health inauguram na quarta-feira um laboratório de 2,1 milhões de euros para inovar os diagnósticos e permitir terapêuticas personalizadas nas áreas do cancro, Alzheimer ou esclerose múltipla.

“O objetivo é acelerar a investigação clínica e de translação desenvolvida por investigadores de diversas áreas, resultando num impacto direto na prestação de cuidados de saúde, com diagnósticos mais precisos, novas abordagens preventivas e terapêuticas mais personalizadas”, adiantou esta segunda-feira à Lusa a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP).

O Laboratório de Biomarcadores “está apetrechado com tecnologia de última geração, altamente competitiva, vocacionada para impulsionar novas descobertas científicas e melhorar a saúde e a qualidade de vida das pessoas”, acrescenta.

Para a FMUP, o novo laboratório vai ser “um aliado de peso” para a “investigação em doenças genéticas, oncológicas, neurológicas, psiquiátricas ou infecciosas, entre outras” em Portugal.

Um dos exemplos “é um equipamento inovador que permite, a partir de uma única amostra de sangue, analisar biomarcadores neurológicos associados a doenças como Alzheimer e esclerose múltipla”.

“Este é um grande avanço e poderá ser determinante para iniciar uma intervenção mais precoce que possa melhorar o prognóstico da doença”, indica Joana Marques, que coordena o laboratório, juntamente com Rita Barros, ambas investigadoras da FMUP e da Unidade de Investigação RISE-Health.

Outro “equipamento de vanguarda” e “uma das estrelas do laboratório” é um robô que permite “classificar tumores, designadamente durante uma cirurgia, através da sequenciação de modificações epigenéticas do ADN, em tempo real”.

O resultado “pode evitar intervenções mais invasivas”, sustenta a FMUP.

“O novo robô, acoplado a sequenciadores de elevado rendimento, está focado na área da Oncologia, permitindo detetar variantes genéticas em células de tumor que estejam a circular pelo sangue, sem necessidade de uma biopsia ou cirurgia para retirar amostras de tecidos”, esclarece.

No laboratório também é possível “identificar rapidamente as resistências a antibióticos e desenvolver organoides (espécies de míni-órgãos in vitro)”.

A isto soma-se a possibilidade de “inovar com a aplicação da inteligência artificial à saúde”.

O financiamento de 2,1 milhões de euros, proveniente do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), envolve também a RISE-Health, “a maior unidade de investigação do país na área da saúde”, com sede na FMUP.

A inauguração está marcada para quarta-feira-feira às 11h00 no Centro de Investigação Médica da FMUP.