Os tumultos em Paris deixaram vários luso-franceses temporariamente sem trabalho e com prejuízos devido ao uso do seu material de construção em ações de violência, segundo o presidente da associação CIVICA, que reúne milhares de autarcas portugueses em França.

Paulo Marques, vice-presidente do Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP), disse à Lusa que os portugueses e os franceses de origem portuguesa que vivem em Paris ou lá trabalham estão a ser afetados pelos tumultos na capital francesa.

Alguns estabelecimentos comerciais onde estes portugueses trabalham foram fechados após a sua destruição parcial ou como medida preventiva e isso está a impedir que os funcionários trabalhem, disse.

Por outro lado, explicou, a forte presença portuguesa no setor da construção civil faz com que muitos luso-franceses estejam a arcar com prejuízos elevados, por causa do uso indevido do material para ações de violência, como arremesso contra lojas e construção de barricadas.

Paulo Marques ressalva que estes roubos e atos violentos foram feitos “à margem das manifestações” e por “profissionais dos desacatos e da violência”.

Questionado sobre uma eventual participação de portugueses ou franceses de origem portuguesa nestes tumultos, o presidente da CIVICA afirmou que para já não existe informação nesse sentido.

Segundo o Portal Diplomático do Ministério dos Negócios Estrangeiros português, a comunidade portuguesa em França é a mais numerosa na Europa e uma das principais comunidades estrangeiras estabelecidas nesse país, rondando um milhão de pessoas.

Após os graves distúrbios e pilhagens registados no fim de semana na capital francesa e noutras cidades, foi decretado um novo recolher obrigatório para a noite desta terça-feira em algumas zonas de Paris.

Pelo menos 2.400 pessoas foram detidas em todo o país durante os incidentes, que incluíram pilhagens de centenas de estabelecimentos comerciais e ataques contra edifícios públicos.

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