A justiça dos Estados Unidos (EUA) sentenciou um homem a 30 anos de prisão devido à morte de 53 imigrantes a bordo de um camião sobreaquecido em 2022, no Texas, no sul do país.

O juiz federal Orlando Garcia proferiu a sentença na terça-feira contra Rigoberto Ramon Miranda Orozco, que foi detido na Guatemala em agosto de 2024 e extraditado para os EUA em março de 2025.

Miranda Orozco já se tinha declarado culpado, em julho, de conspiração para trazer um migrante para os EUA resultando em morte, de cumplicidade no transporte de um migrante para os EUA resultando em morte, e de cumplicidade no transporte de um migrante para os EUA resultando em lesões corporais graves.

Os procuradores dos EUA e da Guatemala classificaram a sentença de Miranda Orozco como mais um passo em direção à justiça num dos casos mais letais de tráfico de seres humanos ao longo da fronteira entre os EUA e o México.

No final de junho de 2022, cerca de sessenta migrantes da Guatemala, Honduras e México, incluindo oito crianças e uma mulher grávida, foram transportados num semirreboque com um sistema de ar condicionado defeituoso.

Durante a viagem da fronteira mexicana até San Antonio, no Texas, à medida que a temperatura no veículo aumentava, alguns dos ocupantes pediram ajuda ou bateram nas paredes, sem sucesso, de acordo com as autoridades judiciais norte-americanas.

No total, 53 pessoas morreram, 48 antes de chegar a San Antonio e cinco no hospital; apenas 11 pessoas sobreviveram.

[Annie consegue estar presente nos últimos anos do pai, que não vai viver tempo suficiente para conhecer a sua sentença no julgamento do homicídio de Humberto Delgado. Entretanto, também ela vai ficar gravemente doente. Já pode ouvir o último episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]

“Ficou claro que sofreram tremendamente nas suas últimas horas nesta Terra”, disse na terça-feira o procurador federal Justin Simmons aos jornalistas, numa conferência de imprensa após a sentença.

O procurador relatou que os investigadores encontraram roupas que os passageiros tinham retirado na tentativa de se refrescarem, bem como marcas de unhas nas paredes do camião. “Estavam, literalmente, a tentar abrir caminho à força para sair”, disse Simmons.

O advogado de Miranda Orozco classificou a sentença como “muito severa”. Alfonso Cabanas Jr. afirmou que o cliente estava na Guatemala na altura e não tinha controlo sobre o tipo de transporte que os migrantes iriam utilizar para chegar a San Antonio, nem sabia que o sistema de ar condicionado estava com defeito.

Cabanas disse ainda não acreditar que punições severas sejam capazes de causar um impacto significativo neste tipo de operações.

“O que realmente precisamos é de uma reforma abrangente da imigração“, declarou.

Cada migrante pagou aos organizadores da operação de contrabando entre 12 mil e 15 mil dólares (entre 10.700 e 13.400 euros), de acordo com a acusação.

Em março de 2025, Felipe Orduna-Torres, considerado o líder e organizador da rede, e Armando Gonzales-Ortega, envolvido na coordenação, foram condenados por três crimes de auxílio à residência ilegal.

Felipe Orduna-Torres foi condenado a prisão perpétua e Armando Gonzales-Ortega a 83 anos de prisão.