Ainda com a igualdade consentida frente ao Arouca na cabeça, a par da primeira grande reação em Alvalade contra Rui Borges pelo terceiro empate em sete encontros no Campeonato, Frederico Varandas aproveitou a passagem pelos Portugal Football Globes para esvaziar a possível pressão que se criara em torno do técnico. Mais: garantiu que não tivera qualquer reunião de urgência para analisar os resultados e defendeu aquilo que o treinador fizera desde que chegara a Alvalade, mesmo sem conquistar títulos em 2025/26.

O que podia ser um início não deixou de soar a despedida (a crónica do Casa Pia-Sporting)

“Nunca esteve em causa sequer o lugar de Rui Borges. 17.ª vez que o Sporting perde vantagem? Estamos a falar de um ano e meio de Rui Borges, esse é um dado estatístico. Poderia dizer outros, como o treinador com maior número de vitórias em casa na Champions, com mais vitórias seguidas em Alvalade, com menor percentagem de derrotas, que fez duas épocas com 82 pontos, uma vez campeão e uma Taça de Portugal. Se é um dado relevante? É, mas se perguntasse a um adepto do Sporting se gostaria que os treinadores tivessem os dados que eu disse, o Museu estaria espetacular”, apontou de forma convicta nessa intervenção.

“Plantel? Se há coisa que corre muito bem, foram os reforços que vieram. Dá para ver a qualidade que têm. O Sporting joga bem futebol e foi superior aos adversários. Nos empates, o Sporting teve autogolos e expulsões que não podem acontecer. O que define a continuidade de Rui Borges não é o facto de ter seis meses ou um ano e meio de contrato, é o facto de acreditarmos no processo e como a equipa joga. Temos dos plantéis mais jovens da história do Sporting, os reforços vieram com uma média de idade de 21 anos. O Sporting acredita que o treinador tem condições para atingir os objetivos do clube: lutar pelos títulos e qualificar-se para a Champions. Tivemos um desafio em que queríamos substituir determinados jogadores com qualidade inquestionável. Hoje alguém fala do Hjulmand? Já temos grandes jogadores ali. O Sporting joga bem, cria muitas ocasiões, marca muitos golos. O nosso selecionador [Jorge Jesus], dos melhores treinadores com que trabalhei, ganhou o que Rui Borges ganhou?”, acrescentou ainda o presidente leonino.

Com essa intervenção, o “caso” passou a ser um “não caso”. Ainda assim, e em termos internos, percebia-se que esse passo em frente a dar o corpo às balas na defesa de Rui Borges era também uma atitude para criar margem para dar um passo atrás e perceber o que tinha eventualmente falhado para que a temporada não estivesse a correr conforme previsto. Havia essa certeza de que seria necessário dar tempo ao treinador pelas inúmeras alterações na espinha dorsal, havia também alguns sinais que mereciam uma maior reflexão. Os encontros em Braga e em Lens afastaram esse cenário, as derrotas em Alvalade com LASK Linz e Ac. Viseu trouxeram-no de novo e com mais força – e nem a vitória do Marítimo afastou esse trabalho interno.

Ponto de situação atual? Novo deslize do Sporting em Rio Maior poderia ter significado um fim de linha de Rui Borges em Alvalade, a vitória carimbou o passaporte para Londres, onde os leões vão defrontar na terça-feira o Shakhtar Donetsk na quarta jornada da Liga dos Campeões. Quer isso dizer que o técnico está seguro e longe de qualquer saída? Também não. O momento tem sido de reflexão interna pela SAD verde e branca, seja pelas condições que Rui Borges tem ou não de potenciar de melhor forma o atual plantel, seja pelo perfil de um eventual sucessor que pudesse aceitar o repto de poder abraçar o projeto de outra forma.

De acordo com informações recolhidas pelo Observador, e dentro de uma ideia que passa pela prioridade de manter a aposta num treinador português, algumas possibilidades que se podiam levantar foram tendo as portas fechadas. Exemplos: Leonardo Jardim, técnico que deverá deixar o Flamengo no final da temporada qualquer que seja o desfecho do Brasileirão (e que tem relação há vários anos com Frederico Varandas), não pretende regressar a Portugal; Abel Ferreira, que no final de novembro vai discutir a quarta final da Taça dos Libertadores desde 2020 pelo Palmeiras, pode ou não continuar no Verdão mas também não se vê a voltar a Alvalade; Vítor Pereira, bicampeão português pelo FC Porto que está sem clube desde que foi dispensado do Nottingham Forest, pretende prosseguir a carreira em ligas como a inglesa; Sérgio Conceição, que em termos internos teria alguns “apoiantes”, não é opção para o Sporting. Assim, e apesar de terem sido ventilados outros nomes nos bastidores como Paulo Sousa ou Vítor Matos, Paulo Fonseca é a principal hipótese.

Existem dois possíveis obstáculos a um acordo com o antigo técnico do FC Porto, que depois de deixar o Dragão passou por Paços de Ferreira e Sp. Braga antes de deixar o país durante uma década com projetos na Ucrânia (Shakhtar Donetsk), em Itália (Roma e AC Milan) e em França (Lille e Lyon). Por um lado, a vontade do treinador português de 53 anos, que ocupa atualmente a quinta posição da Ligue 1 a seis pontos do líder PSG com menos um jogo e o 12.º lugar na Liga Europa com duas vitórias e uma derrota. Por outro, o acordo que teria de ser alcançado entre clubes, com essa nuance de haver ainda um pagamento de 6,8 milhões de euros pelos franceses ao Sporting pela mais-valia da venda de Afonso Moreira ao Bayer Leverkusen. Os próximos dias poderão trazer novidades sobre este cenário. Para já, Rui Borges continua a ser o treinador.

De forma inevitável, todo o “ruído” que o técnico diz passar ao lado não tem caído bem mas nem por isso alterou aquele que é o principal propósito do treinador que chegou do V. Guimarães em dezembro de 2024: mostrar que continua a fazer parte da solução e que nunca foi um problema para os leões. E foi isso que Rui Borges voltou a defender após o triunfo em Rio Maior frente ao Casa Pia por 2-0, entre vários elogios à segurança coletiva demonstrada e ao rendimento de caras novas como Pedro Lima ou Silas Andersen.

“Podíamos ter feito mais golos e deixado o jogo mais para o nosso lado. Não fizemos o 2-0 tão cedo e isso deixa sempre o adversário com esperança. Não concordo que tenhamos acabado a sofrer, o Casa Pia não causou qualquer perigo, apenas nos deixou nalguns momentos em bloco baixo. Estivemos sempre compactos e fomos muito competentes. Em relação à parte da ansiedade, depende de como vemos as coisas. Baixámos um pouco o bloco mas não senti a equipa ansiosa em nenhum momento”, disse à SportTV.

“Bom rendimento de Silas e Pedro Lima? O futebol é assim, cada um faz a sua equipa. O Doumbia era bom a duplo pivot, agora parece que já não é… O Silas foi muito importante até na questão das bolas paradas. Recordem-se que o FC Porto ganhou aqui com um penálti e duas bolas paradas. Portanto sabíamos que também era uma situação que tínhamos de nos preocupar. Vitória importante depois da contestação? Não estou preocupado com nada disso. Estou focado no Shakhtar”, completou ao canal de desporto.

“Sobre a minha segurança, já disse que desde o primeiro dia em que entrei no Sporting, a confiança é demonstrada por toda a gente diariamente, logo à cabeça pelo presidente. Por isso não vejo necessidade de nada. Sei bem aquilo que é o nosso dia a dia, sei bem o que é o dia a dia da Academia do Sporting. Estamos, sim, à procura de melhorarmos. Era importante a vitória, sim, porque vínhamos de um resultado negativo, porque já estávamos a muitos pontos, que não queríamos, do primeiro classificado. Era importante voltar às vitórias. Mais do que isso, tudo o resto é ruído. Balão de oxigénio? Eu, felizmente, estou bem de saúde, não preciso, graças a Deus… Em relação a tudo o que é ruído, não estou preocupado. Foi um jogo equilibrado em todos os momentos: defendemos bem quando tínhamos de defender bem, atacámos com qualidade quando tínhamos de atacar com qualidade, saímos em transição muito bem algumas vezes quando tínhamos de sair. Não viemos para aqui tocar ópera, viemos fazer um jogo de futebol contra outra equipa competitiva e conseguimos uma boa vitória, que é mais do que merecida”, disse depois na conferência.

“Já disse: não estou preocupado se diminui ou não o ruído. Estou preocupado com aquilo que é o meu grupo e a minha equipa. E era importante o grupo sentir esse carinho, acima de tudo, dos adeptos. É natural que às vezes, quando as coisas não correm tão bem, os adeptos sintam, faz parte. Em relação a mim, não estou preocupado com o ruído, se diminui ou se aumenta. Estou preocupado em ajudar os jogadores e que a equipa cresça e ganhe essa confiança que já teve mais atrás e que agora está mais diminuta, pelos resultados. Estou é focado em ajudá-los. Sinto claramente de forma diária que querem é dar uma resposta sempre melhor e diferente, à procura de tornar o Sporting mais forte”, rematou Rui Borges.

[Duarte Lima admite ter estado com Rosalina Ribeiro na noite em que a herdeira milionária desapareceu mas nega ter sido a última pessoa a vê-la com vida. Conta que, depois da reunião que tiveram, no Rio de Janeiro, levou a cliente até Maricá, para um encontro com uma mulher chamada Gisele. É uma versão que não bate certo com as primeiras provas recolhidas pelas autoridades brasileiras. Enquanto Duarte Lima se torna, para a polícia, o principal suspeito do homicídio, perde força a outra linha de investigação. Olímpia Feteira era inimiga assumida da antiga companheira do pai mas garante que nunca desejou a morte dela. E, ao contrário de Duarte Lima, disponibiliza-se para prestar todas as informações necessárias à polícia brasileira. Já pode ouvir o segundo episódio de “As Sombras de Duarte Lima”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]