Ia ser apenas uma conferência de imprensa. Mais uma conferência de imprensa. Para falar sobre o quê? O encontro do dia seguinte, os pontos fortes e a explorar do adversário, o momento da equipa, um resumo do que mudou nas situações clínicas que impedissem ou não alguns jogadores de marcar presença nos eleitos. Durante vários meses, isto era uma conferência de imprensa de Rui Borges enquanto treinador do Sporting. Agora, na antecâmara da deslocação a Rio Maior para defrontar o Casa Pia, houve de tudo um pouco – tudo menos isso. “Se calhar se tivéssemos perdido em Lens e vencido o LASK Linz, já estava tudo bem. É a forma como olhamos para as coisas, as expectativas que nós próprios criamos…”, disse mesmo o treinador a certa altura, entre o disparar de questões sobre uma possível saída do comando técnico dos leões. Poderia ser assim? Provavelmente não. Mas, mais do que a antevisão de um encontro, houve uma radiografia da época.
“A equipa está motivada para dar uma resposta diferente. Sabemos o clube que representamos e a exigência que é jogar no Sporting, de querer ganhar sempre. Sabemos das dificuldades, temos tentado abstrair-nos ao máximo do ruído dos resultados negativos. É saber conviver com isso, focar no trabalho e tentar fazer o nosso melhor e focar no adversário. Se sou um treinador a prazo? A prazo os treinadores estão sempre, desde que estou no Sporting que estou sempre a prazo. Estou focado naquilo que controlo, que é o jogo”, frisou. “Não vou dizer o teor das conversas com o presidente, como é óbvio. Falamos do dia a dia, da equipa. O ruído? Bola, zero. Passa-me ao lado. Podem acreditar, não me preocupa absolutamente nada. Não cheguei aqui de paraquedas. Não era o melhor, não sou o pior quando os resultados são negativos”, reforçou.
A opção pelo guarda-redes titular depois da grande exibição de Rui Silva, a construção do meio-campo com um Pedro Lima que se mostrou na Taça da Liga com um bis ou as opções no eixo central recuado passaram ao lado de uma conversa quase monotemática que tinha como tema único a posição de Rui Borges no clube e a capacidade de dar a volta aos maus resultados – com o técnico a colocar-se sempre do lado da solução e nunca na parte do problema. “Sei bem em que clube estamos. Sabemos a estratégia, o olhar para o futuro do clube. Foi sempre tudo feito em concordância, todos juntos. Se é preciso tempo? Podia estar a dizer que precisávamos mas no futebol não há tempo. O treinador está a prazo desde o primeiro dia, há uns que dizem que as malas estão sempre prontas. Não me vou justificar com isso, temos que evoluir e crescer o mais rápido possível. Vieram muitos jogadores novos para uma equipa que luta por tudo, os comportamentos eram totalmente diferentes, são jovens… Mas tenho de arranjar soluções, é isso que quero”, assegurou.
“Tem tudo a ver com a paciência ou não, o crescimento ou não dos jogadores. É óbvio que queríamos estar mais à frente nesse processo mas, até por um ou outro resultado negativo, acabámos por não ter a melhor confiança para dar consistência. Resta-nos continuar a trabalhar, extrair o melhor de cada um deles e fazer entender melhor o que cada um tem de fazer. Não me agarro à questão do tempo, tínhamos de fazer mais e melhor em alguns jogos e não fomos capazes. Por isso, o meu foco está em melhorar. Agora o Sporting parece que sofre um golo, ganha mas é o fim do mundo na mesma, se calhar os outros clubes têm mais ações defensivas. Tudo depende da forma como olhamos para as coisas, mesmo com o Sporting a ganhar parece que é o fim do mundo e não é assim tanto como parece”, voltou a lamentar em relação às “perceções”.
Entre o verdadeiro inquérito que foi acontecendo, houve também um momento mais emotivo que entroncou em muito do que Rui Borges há muito tempo tem lamentado: considerar que nunca foi reconhecido como deveria ser. “Contestação? Fico igual, exatamente igual. De coração. Claro que ficamos um pouco tristes aqui ou ali, não sou nenhum robô, mas percebo. Desde o primeiro dia em que disse ‘Quero ser treinador’… Nunca fui um grande jogador, se calhar podia ter sido melhor, mas fui sempre líder, capitão. Percebi sempre que não queria ser adjunto, que queria ser treinador principal, e sabia que ia estar exposto a muita coisa. Vou ser o mais honesto possível, só há uma coisa que me magoa: quem sofre não sou eu. É o meu filho, a minha mulher, os meus pais, a minha irmã. Tem havido muita falta de respeito pelo Rui Borges desde que cheguei, magoa-me. O meu filho foi enxovalhado no último jogo dele por ser filho de quem é. E isso não admito. O resto, o ruído… Por vocês, já tinha sido despedido há uns anos e fui campeão nacional”, atirou.
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“Tudo tem a ver com arranjar equilíbrios. Principalmente nesta fase, com algum desconforto e desconfiança, haver mais equilíbrio. Temos tido algumas dificuldades contra blocos baixos porque a nossa equipa não é comparável ao Sporting anterior. No ano passado a equipa era madura, com jogadores feitos, de qualidade, que se conheciam de olhos fechados. Este ano a equipa é diferente, tem características diferentes. Podem ser daqui a dois ou três anos diferentes? Podem. Nesta fase, é uma equipa mais de jogo de corredores. Temos de melhorar as chegadas à área e tirar partido de tudo isso. O jogo interior vai existir sempre mas não vai ser tanto como antes. Não é essa a questão. Esta fase tem muito mais a ver com o conhecimento e como podemos extrair ao máximo o individual de cada um, dentro de um sistema adaptável”, rematou, numa nova análise agora mais tática às principais virtudes e problemas de um conjunto que apresenta dez caras novas.
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Porquê refletir tanto sobre uma só conferência? Porque havia essa ideia clara de que Rui Borges podia estar numa das últimas conferências, tendo em conta todo o ambiente que se vai vivendo em Alvalade. Ao mesmo tempo, porque este era também aquele momento em que se vê a forma de reagir de um grupo e de todos os jogadores, que após os triunfos com personalidade em Braga e em Lens acabaram por “colapsar” em dois jogos que ninguém esperava deixando a margem de erro no Campeonato tendo em conta a desvantagem de nove pontos para o FC Porto e de cinco para o Benfica. Houve reação. Não tanto como se podia esperar, mais do que suficiente para o regresso às vitórias. E aquilo que podia ser o início de algo, com Pedro Lima a voltar a mostrar que tem características que podem acrescentar muito ao meio-campo do Sporting (quando expirou em termos físicos, esse setor sentiu a falta), não deixou de soar a despedida – venha ou não a acontecer.
Ficha de jogo
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Casa Pia-Sporting, 0-2
10.ª jornada da Primeira Liga
Estádio Municipal de Rio Maior
Árbitro: Miguel Fonseca (AF Porto)
Casa Pia: Patrick Sequeira; André Geraldes, Khaly, David Sousa (Jatta, 85′), Pedro Rosas; Seba Pérez, Ofori (Gabi Pereira, 64′); Mohamed Salah (Livolant, 46′), João Rego, Pauwels (Abdu Dafé, 74′) e Henrique Araújo (Cassiano, 85′)
Suplentes não utilizados: Ivan Mandic, Kevin Prieto, João Goulart, Felipe Silva, Selvi Clua, JP e Evans Maurin
Treinador: Filipe Coelho
Sporting: Kaique Pereira; Iván Fresneda, Eduardo Quaresma, Gonçalo Inácio, Maxi Araújo; Altimira, Pedro Lima (João Simões, 76′), Silas Andersen (Doumbia, 62′); Luís Guilherme (Geny Catamo, 62′), Irankunda (Flávio Gonçalves, 62′) e Luis Suárez (Ioannidis, 86′)
Suplentes não utilizados: Rui Silva, Vagiannidis, Ibrahima Ba, Eduardo Felicíssimo, Moncef Zekri, Jesse Derry e Rafael Nel
Treinador: Rui Borges
Golos: Pedro Lima (13′) e Geny Catamo (90+4′)
Ação disciplinar: cartão amarelo a David Sousa (9′), Khaly (20′), Silas Andersen (29′) e Maxi Araújo (90+3′)
Entre todas as previsíveis alterações na equipa inicial, à luz da última partida de terça-feira com o Marítimo em Alvalade para a Taça da Liga, Rui Borges decidiu mexer um pouco mais nas opções: fez regressar a defesa tipo com Eduardo Quaresma em vez de Ibrahima Ba, mudou o meio-campo apostando em Silas Andersen e Pedro Lima com Altimira e voltou a apostar em Luis Guilherme, Irankunda e Luis Suárez na frente diante de um Casa Pia em crescimento, com outros argumentos em termos de organização defensiva e mais capacidade de controlar as partidas como não acontecia nas jornadas iniciais. Foi isso que imperou nos minutos iniciais, entre uma falta não assinalada sobre Pedro Lima à entrada da área apesar de ter ficado com a bota rasgada e alguns passes curtos errados que emperravam toda a dinâmica em ataque organizado dos leões. Contudo, ficava um sinal importante: o Sporting queria agarrar no jogo e mostrava confiança para isso.
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Aconteceu cedo a primeira substituição do jogo ????#sporttvportugal #LIGAnaSPORTTV #ligaportugalbetclic #CasaPiaAC #SportingCP pic.twitter.com/Mx6QB58OdU
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Esse foi um dos pontos mais importantes para desbloquear aquilo que podia ser o encontro até ao primeiro golo – nem mesmo os erros por mera falta de concentração no capítulo do passe abalaram a vontade verde e branca em fazer imperar a lei do mais forte. Irankunda, de livre direto, deixou o primeiro aviso para defesa segura de Sequeira (10′), Pedro Lima não perdoou e voltou a marcar após ter bisado pela primeira vez na carreira com o Marítimo, desviando de forma oportuna na área um passe de Iván Fresneda numa jogada que começou na esquerda em Irankunda (13′). O Sporting estava na frente, o Sporting manteve-se na frente: Luis Suárez, lançado por Pedro Lima na profundidade, puxou para o meio e rematou de pé esquerdo ao lado (16′), antes de voltar a tentar com pouco ângulo na área para defesa apertada de Sequeira (21′). Tudo com uma outra nota que podia passar mais despercebida mas era tão ou mais importante: o Casa Pia não tinha sequer um remate ou situação de perigo também pela forma como os leões conseguiam “jogar” sem bola.
31m [ Casa Pia 0-1 Sporting ]
???? Sporting já soma 10 remates, 4 deles enquadrados, contra 2 (desenquadrados) dos "gansos". As alterações de Borges vão resultando em maior dinâmica ofensiva#CPACSCP pic.twitter.com/UFuNBCkenV
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Foi dessa forma que o intervalo chegou, com Luis Suárez a ter mais uma boa oportunidade para marcar após uma grande jogada individual de Luis Guilherme mas a rematar por cima (42′) e Sequeira a ter mais uma boa intervenção depois de uma tentativa em arco de Luis Guilherme de fora da área (44′). Nem tudo estava a sair como pretendido, com Maxi Araújo a ter mais um encontro discreto em termos ofensivos (numa trajetória que começou com a entrada de Irankunda na equipa, não pelo rendimento do australiano mas pelas suas características como ala), mas o Sporting ganhou solidez, recuperou algumas dinâmicas do passado com sucesso (exemplo prático: em vez de ser Altimira a fechar como quinto elemento entre os centrais foi Luis Guilherme que algumas vezes desceu com Fresneda a defender por dentro) e saía para o descanso não só em vantagem mas cada vez mais seguro daquilo que era capaz de fazer em termos coletivos frente ao Casa Pia.
INTERVALO ⏱️
[ Casa Pia 0-1 Sporting ]???? Pedro Lima virou o goleador da semana no reino do leão e assinou o tento que vai fazendo a diferença no marcador
???? Mudanças de Borges vão rendendo mais remates, frente a "gansos" que chegam ao descanso com ambos os centrais amarelados… pic.twitter.com/vmRd9QL7It— GoalPoint (@_Goalpoint) October 30, 2026
Filipe Coelho lançou Livolant na posição de Salah ao intervalo mas nem por isso a estratégia mais cautelosa do Casa Pia foi desfeita, tentando priorizar blocos médios sem bola quando a pressão mais alta não tinha efeito com saídas rápidas para encontrar os espaços que foram faltando no primeiro tempo. E nem foi preciso muito para haver algo “diferente”, com a subida do lateral Pedro Rosas pela esquerda a resultar num remate de meia distância para defesa apertada de Kaique (51′). Foi esse momento que acabou por funcionar como despertador para a formação verde e branca, que não demorou a ter o primeiro lance de construção ofensiva para o remate rasteiro de Pedro Lima que ficou nas mãos de Sequeira (55′). Estava na altura das alterações, com uma falta de Silas Andersen, já com amarelo, sobre João Rêgo a acelerar essas mesmas mexidas.
Além da entrada de Doumbia para o lugar do dinamarquês, Rui Borges trocou também os alas, com Flávio Gonçalves e Geny Catamo a irem a jogo. Em menos de um minuto, o moçambicano quase marcou, com mais uma recuperação de bola de Pedro Lima a dar a oportunidade para o remate de meia distância defendido por Sequeira para canto (63′). No entanto, as características do encontro tinham mudado de vez, com o Casa Pia a subir linhas percebendo que o Sporting perdera o controlo do meio-campo como teve no primeiro tempo e os leões a aproveitarem de quando em vez os espaços que ficavam para saírem em transição e terem também oportunidade de “fechar” a partida, com Pedro Lima a lançar mais uma dessas arrancadas para Luis Suárez assistir Flávio Gonçalves isolado na área para o remate rasteiro na área travado por Sequeira (70′).
64m [ Casa Pia 0-1 Sporting ]
???? David Sousa, mesmo amarelado, soma já 10 acções defensivas e vai confirmando o porquê de ser o melhor "ganso" da Liga, com um rating consolidado de 6.21#CPACSCP pic.twitter.com/BfO2kqL8Dr
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72m [ Casa Pia 0-1 Sporting ]
???? A jogar agora no contragolpe, o Sporting desperdiça uma grande ocasião com 0.65 xG, por intermédio de Flávio Gonçalves, embora com muito mérito para Sequeira, que soma a 8a defesa no jogo e já lidera os ratings #CPACSCP pic.twitter.com/2d7x3pCU9B
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Mesmo contando com a quebra a pique na qualidade de jogo em comparação com o que se tinha visto na primeira parte, o Sporting perdia a oportunidade de resolver aquele tipo de encontros que, percorrendo os minutos na margem mínima, abria espaço a surpresas. E essa tendência adensou-se nos dez minutos finais, quando Geny Catamo foi lançado na profundidade numa transição, fletiu para o meio e atirou para mais uma grande intervenção de Sequeira (82′). Os minutos foram passando e, sem grandes lances de perigo junto da baliza de Kiaque Pereira, os leões conseguiram conservar a vantagem até ao final, voltando aos triunfos na Liga num jogo com todas as condições para deixar uma imagem diferente daquela que ficou com o 2-0 no quarto minuto de descontos por Geny Catamo, que aproveitou uma subida de Sequeira à área contrária numa bola parada para ser lançado rápido sem oposição para marcar sem ninguém na baliza.
[ Casa Pia 0-2 Sporting ]
Leão ruge mas com resultado mais vistoso do que a exibição???? Vencer por dois golos fora e sem sofrer não tem sido hábito mas o Sporting conseguiu, apesar de ter mostrado pouco brilhantismo, frente a um Casa Pia esforçado mas inofensivo no ataque
????… pic.twitter.com/snwOM8BBDi
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[Duarte Lima admite ter estado com Rosalina Ribeiro na noite em que a herdeira milionária desapareceu mas nega ter sido a última pessoa a vê-la com vida. Conta que, depois da reunião que tiveram, no Rio de Janeiro, levou a cliente até Maricá, para um encontro com uma mulher chamada Gisele. É uma versão que não bate certo com as primeiras provas recolhidas pelas autoridades brasileiras. Enquanto Duarte Lima se torna, para a polícia, o principal suspeito do homicídio, perde força a outra linha de investigação. Olímpia Feteira era inimiga assumida da antiga companheira do pai mas garante que nunca desejou a morte dela. E, ao contrário de Duarte Lima, disponibiliza-se para prestar todas as informações necessárias à polícia brasileira. Já pode ouvir o segundo episódio de “As Sombras de Duarte Lima”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]