Não foi propriamente uma bomba, mas não deixou de ser surpreendente. Cinco meses depois de conquistar a Taça de Portugal e o consequente apuramento para a Liga Europa, Luís Tralhão foi despedido pelo Torreense. João Nuno apareceu rapidamente como substituto, estreou-se com um empate com o Portimonense, o futebol europeu estava de volta — e o antigo treinador, o que fez história, esperou vários dias para reagir.
“Chegou ao fim a minha ligação ao Sport Clube União Torreense. Saio com tristeza pela forma inesperada como termina esta etapa, mas com uma enorme gratidão por tudo o que vivi e construímos juntos. Levo comigo, acima de tudo, o orgulho de termos escrito uma das páginas mais bonitas da história deste clube e do futebol português. A conquista da Taça de Portugal, por uma equipa da Segunda Liga, foi um feito inédito, daqueles que ficam para sempre na memória de quem os viveu e na história de uma instituição. A minha (nossa) passagem pelo clube vai ficar marcada para sempre pelos feitos conquistados, mas não se resume a números e a factos. O legado que me deixa mais orgulhoso é o impacto e a ligação que conseguimos fazer com as pessoas. Com os jogadores, com o staff, com a direção e com os adeptos”, escreveu Luís Tralhão, deixando ainda vastos agradecimentos.
Era ainda contexto, com apenas um jogo realizado pela nova equipa técnica, que o Torreense regressava esta quinta-feira à Liga Europa para receber o Ararat-Armenia. Com três pontos em três jornadas, já que venceu o Lillestrom, mas perdeu com o Sunderland e o Ferencváros, a equipa de Torres Vedras tinha uma oportunidade de ouro para voltar a subir na classificação e continuar a sonhar com a possibilidade de chegar ao playoff que dá acesso aos oitavos de final.
“Mais do que os resultados, o Torreense tem representado muito bem o nosso futebol e queremos continuar a dar esta imagem, ser extremamente competitivos. Na Liga Europa, as expectativas iniciais seriam baixas e aquilo que o Torreense tem feito, e tem que ver com o treinador anterior, jogadores e toda a estrutura do clube, é representar o futebol português muito bem. Se fôssemos à bolsa de apostas não tínhamos nenhum ponto e possivelmente íamos terminar com zero. O que os jogos têm mostrado tem sido diferente disso. Nós não vamos cair nesse erro. Todos os jogos da Liga Europa são vistos como uma oportunidade. Chegámos onde chegámos por mérito próprio”, garantiu João Nuno na antevisão.
Assim, a jogar no Estádio Dr. Magalhães Pessoa de Leiria, João Nuno lançava Jorge Aguirre como referência ofensiva, apoiado por Manu Pozo, Karem Zoabi e Dany Jean. Do outro lado, num Ararat-Armenia que tinha três derrotas em três jornadas e era o lanterna vermelha da Liga Europa, o também português Tulipa — que conta com o conhecido Rafael Bracali, antigo guarda-redes de Nacional, FC Porto, Arouca e Boavista, como diretor desportivo — apostava em no ex-Gil Vicente e Alverca Sandro Lima no ataque, com os portugueses Bruno Wilson, Hugo Oliveira e Benny (que jogou no Torreense, curiosamente) a aparecerem também no onze, sendo que Zidane Banjaqui e Bruno Pereira eram suplentes.
Jorge Aguirre abre o marcador para o Torreense ????
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Do céu ao inferno: Aguirre marcou aos 13' e foi expulso aos 25' ????#DAZNEuropa pic.twitter.com/BNKHxIuG31
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O Torreense abriu o marcador ainda dentro do quarto de hora inicial, com Jorge Aguirre a aparecer na área a responder da melhor maneira ao cruzamento de Javi Vázquez na esquerda (13′). Cerca de dez minutos depois, porém, o mesmo Jorge Aguirre borrou a pintura: fez uma falta inexplicavelmente dura na zona do meio-campo e sem perigo aparente, e foi expulso com cartão vermelho direto após revisão do VAR. Já perto do fim da primeira parte, aproveitando a superioridade numérica, o Ararat-Armenia empatou através de Karen Muradyan (41′) e o jogo chegou igualado ao intervalo em Leiria.
Já na segunda parte, Bruno Wilson carimbou a reviravolta e parecia ter deitado por terra as ambições dos portugueses (58′), que se viram a perder e com menos um elemento em campo. Já dentro do derradeiro quarto de hora, porém, tudo voltou a equilibrar-se quando o guarda-redes João Bravim também foi expulso ao travar Juan María Alcedo quando este seguia isolado para a baliza. Nos descontos, o impensável aconteceu mesmo: Javi Vázquez empatou de cabeça (90+3′) e Musa Drammeh, logo a seguir, levou Leiria à loucura ao aproveitar um ressalto na área para marcar (90+5′).
O Torreense venceu o Ararat-Armenia em Leiria depois de ter jogado muito tempo em inferioridade numérica e somou a segunda vitória em quatro jornadas da Liga Europa, chegando aos seis pontos e entrando na zona de apuramento para o playoff que dá acesso aos oitavos de final da competição.
JAVI VASQUEZ EMPATA NOS DESCONTOS ????
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