Tem mais de 40 anos mas ainda admite que qualquer final traz aquele nervosismo miudinho como se fosse a primeira da carreira. Mais do que isso, joga com a mesma vontade e entrega como se estivesse à procura de um primeiro troféu. Da forma como lidera a equipa na entrada para os habituais exercícios de aquecimento à maneira como é o patrão da defesa e do coletivo ao longo do encontro, Pepe continua a ser mais do que uma extensão de Sérgio Conceição em campo. É o líder, o farol, a referência. E são todas essas valências que mais uma vez permitiram que fosse um dos últimos a subir a escadaria do Jamor para receber outro título. 

Otávio chegou ao meio e começou a dança do “chora bebé” (a crónica do Sp. Braga-FC Porto)

Ao ser mais uma vez titular e capitão do FC Porto na final da Taça de Portugal frente ao Sp. Braga, o central tornou-se apenas o terceiro jogador a discutir a decisão da prova com mais de 40 anos, juntando-se a dois guarda-redes: Quim (Desp. Aves) e Melo (Estrela da Amadora). Com isso, fez o 36.º encontro da temporada pelos azuis e brancos, com um total de quase 3.000 minutos em cinco competições (2.998), juntando a isso a participação no Campeonato do Mundo e em mais quatro jogos da Liga das Nações, num total de 44 que fecharam com aquele que foi o 30.º título do internacional português, 28.º em clubes: um Europeu e uma Liga das Nações por Portugal; três Ligas dos Campeões, dois Mundiais de Clubes, duas Supertaças Europeias, três Ligas, duas Taças e duas Supertaças pelo Real Madrid; uma Taça Intercontinental, quatro Campeonatos, quatro Taças de Portugal, uma Taça da Liga e quatro Supertaças pelo FC Porto.

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“Sinto um orgulho tremendo por poder ganhar mais uma Taça de Portugal neste estádio, que é emblemático para o nosso país. Hoje estivemos de parabéns, um jogo bastante disputado com duas boas equipas, muito bem trabalhadas. Acho que merecemos ganhar este título”, começou por destacar em declarações à SportTV ainda no relvado, antes de fazer um balanço da temporada e falar das possíveis saídas no plantel.

“Foi uma época positiva, até porque ganhar três títulos é sempre especial. Queremos sempre mais, quando começámos a época tínhamos o pensamento de ganhar todas as provas em que estávamos inseridos, não foi possível este ano ganhar como no ano passado, mas estamos de parabéns pelo trabalho que fizemos. Uma equipa que mais uma vez ultrapassou a barreira dos 80 pontos no Campeonato, mais uma final da Taça de Portugal… Conseguimos uma Taça da Liga que ainda não tínhamos, com um trabalho em que acreditamos muito naquilo que o mister nos pede. Momento? Para já, é ganhar força para estes dois jogos da Seleção. Tenho de recuperar bem, foi uma época desgastante. Durante as férias temos dois jogos, é sempre difícil, o FC Porto volta a 3 ou 4 de julho. É pouco tempo, as pessoas não olham para o esforço que nós jogadores fazemos. É descansar quatro ou cinco dias, voltar a trabalhar, ter foco na Seleção”, destacou o central.

“Supertaça? Agora é desfrutar deste dia. De certeza que o nosso mister vai preparar esse jogo. É um jogo na pré-temporada uma semana antes de começar o Campeonato e de certeza que os 11 que entrarem serão os melhores para defrontar o Benfica e poder conquistar mais um titulo. Provar que fomos a melhor equipa? Nós provamos todos os dias e hoje mais uma vez provámos. Se fizermos um balanço, num ano disputámos [o campeonato] com o Sporting, no outro com o Benfica, o FC Porto está sempre a disputar. É um sinal que o trabalho está a ser bem feito, ano após ano estamos sempre a ganhar títulos. Este ano não foi possível ganhar o Campeonato mas estivemos na luta até à ultima jornada. Não foi como no ano passado em que ganhámos e só perdemos um jogo durante essa temporada. Somos uma equipa muito sólida, muito trabalhadora, humilde, respeitamos muito os nossos adversários”, acrescentou a esse propósito Pepe.

“Notícias do interesse de Itália em Sérgio Conceição? Só valoriza mais o trabalho dele. Tanto interesse que há no nosso treinador como em vários jogadores também, temos de nos encher de orgulho de poder tê-lo cá connosco. É um treinador que desde o primeiro dia até hoje dá sempre o seu melhor, faz com que nós jogadores acreditemos mesmo em momentos difíceis da época. É muito especial ganhar mais um título com todos ele. Diogo Costa? Se eu pudesse mandar… O mais importante é ele sentir-se feliz, hoje em dia cada vez mais é uma realidade que os clubes portugueses têm de vender. O Diogo é um grandíssimo guarda-redes, na minha opinião está entre os três melhores do mundo, é normal. Pelo trabalho que faz, por aquilo que demonstra dentro de campo, é normal existir esse tipo de interesse. Foi comigo há quase 20 anos, é difícil chegar a um momento e segurar esses jogadores”, concluiu o internacional português.