O Benfica mudou de treinador. O Sporting manteve o treinador, mas revolucionou o plantel. O FC Porto manteve o treinador, não revolucionou o plantel e reforçou uma ideia. Ou seja, entre a mudança encarnada e uma espécie de evolução na continuidade leonina, os dragões procuraram seguir uma verdadeira máxima do futebol: afinal, em equipa que ganha não se mexe. 

“Falam de dar o próximo passo… O FC Porto é um clube enorme.” Querem que seja o novo Bruno de Newcastle, mas ele ainda é o Victor do Porto

O FC Porto conquistou a Supertaça Cândido de Oliveira contra o Torreense e Francesco Farioli juntou mais um troféu ao Campeonato alcançado na temporada passada, começando a nova época exatamente como terminou a anterior — a ganhar. Com mais de um mês de mercado de transferências pela frente, o treinador italiano ainda só recebeu André Silva e Hwang In-beom e no primeiro jogo oficial apresentou um onze inicial com apenas um reforço, vincando precisamente que a lógica para os próximos meses passa pela espinha dorsal que já lá estava.

Já depois do apito final, tal como já tinha acontecido com Victor Froholdt, Francesco Farioli mostrou que foi bem aconselhado antes do jogo e lembrou que o FC Porto ultrapassou o Benfica no que toca aos troféus, tornando-se o clube com mais triunfos em Portugal. “É absolutamente importante. Claro que vencer o troféu foi, por si só, uma conquista para nós. Mas com este título chegamos aos 88, não há discussão sobre qual é o clube com mais títulos em Portugal. Um ambiente muito bom, diante de muitos adeptos do FC Porto. Um jogo muito difícil, muito mérito para o Torreense pela organização e pela qualidade de muitos jogadores. Uma equipa muito física que nos complicou muito a vida, mas era importante vencer. Conseguimos e agora sim, algumas horas para celebrar e depois foco total na próxima semana e no início do Campeonato”, começou por dizer.

“Nós esperávamos que eles fossem competitivos. Na realidade, por vezes, o jogo sofre algumas alterações ou toma um determinado rumo. Logo na primeira bola do jogo tudo acabou num lançamento lateral e, a partir desse lançamento, durante três minutos não conseguimos recuperar a bola, não conseguimos sair do nosso meio-campo. E isso faz-nos sentir, faz com que o jogo comece logo com a sensação de estar muito complicado. Depois acho que ganhámos metros no campo, tivemos uma boa fase central na primeira parte e desbloqueámos o jogo. Não foi fácil naquele relvado, viu-se quantas vezes os jogadores escorregaram. Tivemos a lesão do Bednarek, que esperamos não ser nada de grave, mas ele fez uma espécie de torção no joelho, por isso amanhã temos de avaliar melhor a situação. Portanto, circunstâncias complicadas, mas um resultado muito importante”, acrescentou.

Mais à frente, e num novo capítulo da novela que também marcou a semana, o treinador italiano não quis comentar uma eventual saída de Diogo Costa nas próximas semanas — sendo que o guarda-redes festejou a conquista da Supertaça muito rodeado pelos colegas, num clima de aparente despedida. “Isso não dou como certo. Sobre esse assunto… Sei que vai ser um tema de conversa. Não é como se a cada hora tivéssemos novidades ou coisas novas a acrescentar. Por isso, acho que já me expressei em bom som e de forma muito clara. Honestamente, não tenho mais nada a acrescentar”, atirou.

Por fim, numa pergunta sobre que posição ainda gostaria de ser reforçada no plantel e seria essa a “prenda” que pediria a André Villas-Boas, Francesco Farioli foi duro: “Esse não vai ser um assunto para ser discutido à frente de um microfone”, concluiu.