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Vencedores

António Costa

Ganhou as Europeias e não foi por “poucochinho” — dez pontos percentuais de distância em relação ao segundo classificado é um resultado que dá ânimo e dá força. Mas não dá (decididamente, não dá) a maioria absoluta. Com os resultados deste domingo, António Costa percebeu que daqui a quatro meses, nas legislativas, o BE vai dar luta — o que quer dizer que o PS não conseguiu usar a “geringonça” para sepultar a extrema-esquerda. Aliás, no seu discurso de domingo à noite, António Costa fez questão de elogiar os partidos da “geringonça” (o que já não fazia há algum tempo). A próxima legislatura vai ser feita de muitas negociações.

Pedro Marques

Ganhou, mas há um pormenor que diz tudo. Na noite da vitória eleitoral, o cabeça de lista do partido mais votado teve que dividir o palco com o líder do PS. Ficou assim claro o que António Costa pensa de Pedro Marques.

Catarina Martins

O BE é agora a terceira força política. Mais importante: tem quase metade dos votos do PSD e mais 50% do que os votos do CDS. A passagem do Bloco de partido do protesto para partido da paz e do amor está a resultar. E isso é um problema para o PS.

Marisa Matias

Depois das presidenciais, é a segunda campanha eleitoral que corre bem a Marisa Matias: na rua, foi popular; nos debates, foi tranquila. E, no final, ganhou mais um eurodeputado. Quando Catarina Martins quiser reformar-se, já se sabe para onde é que o partido vai olhar.

André Silva

O resultado do PAN — com 5,1% e um eurodeputado — mostra que os partidos do sistema têm um problema: resta-lhes quatro meses, até às legislativas, para arranjarem um discurso ecologista sólido e coerente. Caso contrário, arriscam-se a entregar uma geração inteira de jovens ao único partido que mostra preocupação com o ambiente. A esquerda vai seguir o caminho fácil: só precisa de copiar as banalidades correntes sobre as maldades do capitalismo. Mas a direita precisa de mais inteligência e arrojo se quiser ser relevante. Talvez pudesse começar por um nome: Gonçalo Ribeiro Telles.

Vencidos

Rui Rio

O PSD teve o pior resultado de sempre em eleições, mas Rui Rio não tem a mais pequena dúvida: ele é que tem razão. No seu mundo muito particular, o líder social-democrata aparece como um visionário incompreendido: defende há muito formas de campanha menos tradicionais (o que fulminaria a abstenção), insiste há muito nos consensos de regime (o que acabaria com os desiludidos do sistema), luta há muito pela unidade do partido (o que terminaria com o cepticismo entre os laranjinhas) — e por aí adiante, numa interminável litania de auto-elogio disfarçado de humildade. Como não podia deixar de ser perante tudo isto, Rio está convencidíssimo que tem “condições para levar o PSD à vitória”. Claro que sim.

Paulo Rangel

Nestas eleições, tudo correu mal a Paulo Rangel. A partir do momento em que o PSD se deixou fotografar ao lado da extrema-esquerda na crise dos professores, estava tudo perdido — mas Rangel também ajudou. Os argumentos não funcionaram, os ataques não funcionaram e os truques também não funcionaram. No dia em que se candidatar à liderança do PSD (se esse dia chegar), Paulo Rangel terá que explicar este resultado com todos os detalhes e pormenores.

Jerónimo de Sousa

O líder do PCP justificou o mau resultado do PCP com a existência de “campanhas difamatórias” contra o partido. Foram, pelos vistos, “meses onde campeou a mentira, a difamação, a desvalorização e o apoucamento da CDU”. Os comunistas continuam a optar pela fantasia nas noites de derrota eleitoral.

João Ferreira

Teve o discurso mais populista e mais eurocéptico dos grandes partidos: dividiu o mundo entre as “elites” de Bruxelas e o povo; e culpou a União Europeia e o euro por todos os males do universo. Resultado: uma desgraça.

Assunção Cristas

A líder do CDS assumiu a derrota refugiando-se em duas ficções. Primeiro, disse que o CDS esteve “forte e unido” — se a força e a união dão um partido em penúltimo lugar, então os centristas têm um problema. Depois, culpou a “polarização dos votos à direita” — quando, na realidade, não houve “polarização” nenhuma. O CDS precisa de descer à Terra.

Nuno Melo

O mais notório representante da ala conservadora do CDS adora fazer campanha, mas não soube fazer campanha. Nos últimos dias, o cabeça de lista do CDS agarrou-se desesperadamente a dois argumentos que se revelaram vazios. Primeiro: os centristas eram os únicos representantes da direita. Segundo: a democracia exigia que o CDS ficasse à frente do BE e do PCP. No final, a direita optou por discordar. Chegado aqui, Nuno Melo ofereceu à pátria uma desculpa muito simples para os resultados desastrosos do CDS: “A direita tende a ir à praia, a esquerda tende a ir às urnas”. Está explicado.

Pedro Santana Lopes

Queria eleger dois eurodeputados, mas não elegeu nenhum. Queria tirar eleitorado ao PSD, mas acabou com menos de 2%. Queria mudar a política, mas só mudou de partido. No final, disse: “Temos muito trabalho para fazer”. De facto, têm.

André Ventura

André Ventura convenceu-se que, para fazer um partido político de sucesso, só era preciso produzir comentários de futebol e pendurar cartazes com inanidades. Enganou-se. Os resultados — com apenas 1,5% — mostram que André Ventura não representa nada. Já se tinha percebido, mas agora veio a confirmação dos números: é um vazio.

Marcelo Rebelo de Sousa

O Presidente da República falou três vezes sobre a abstenção, mas enganou-se sempre no tom e no conteúdo. Usando o discurso de sempre em Portugal, tratou os eleitores que decidiram não votar como se fossem uma vergonha para a nação. Quase 70% dos eleitores estão errados?