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As notas dos heróis Pepe e Quaresma (e também dos outros jogadores) /premium

A nossa querida selecção nacional quer matar-nos de ataque cardíaco e já não temos idade para isto. Além disso, os iranianos foram chatos. Foram mesmo muito chatos.

Rui Patrício: 6

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Só há um momento do jogo que Patrício teme: aquele em que Pepe não o pode auxiliar – é o caso dos penalties e no de hoje nada podia fazer. ?

Raphael Guerreiro: 5

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Deve ter crescido num meio rural, tamanho é o seu amor por correr desenfreadamente cada vez que vê faixas de verde à frente. Gosta de espaço e parecia tê-lo quando, logo no minuto inicial, arrancou o primeiro cruzamento do jogo. Mas depois passou a tremideira aos iranianos e tudo se tornou mais complicado: o espaço desapareceu, as camisolas brancas pareciam em superioridade numérica, João Mário tinha sempre um homem em cima, Ronaldo não conseguia descer para tabelar. Ainda tentou arrancar pelo meio, mas o espaço que deixou nas costas só ajudou à desordem que reinou.

José Fonte: 5

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Um dia, quando tudo isto tiver terminado e o caneco for nosso, além de ter uma medalha e um belo ficheiro com cortes de cabeça e pelo chão (e o ocasional encosto), poderá dizer aos netos: “Fiz o Campeonato do Mundo ao lado do Pepe”. Mas a bem da honestidade, convém não falar muito do jogo de hoje.

Pepe: 8

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Querido neto: ao terceiro jogo da competição que nos sagrou campeões mundiais, íamos no minuto 57, os nervos ferviam, Fonte não estava lá (tinha saído para dobrar), o cruzamento veio rasteiro, estava um iraniano na área para encostar, mas apesar de tudo Patrício estava calmo – e porquê? Porque estava lá Pepe, que foi ao chão cortar, impedindo o golo do Irão e o meu ataque cardíaco. Merecia o Prémio Corte de Ouro, por esse lance mas também por aquele aos 70, quando roubou a bola a um iraniano que ficaria isolado em frente a Patrício – mas fez mais que isso: conduziu, empurrando a bola para a frente, limpou tudo o que surgiu e apenas não o fez ao sebo dos iranianos e ao árbitro porque hoje é um homem maduro e consciente de que precisamos dele.

Cédric: 6

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No seu livro de final de liceu estará por certo escrito MOST LIKELY TO BE “óptimo tropa”: de certeza que engraxaria irrepreensivelmente as botas todos os dias e seria capaz de limpar o chão com uma escova de dentes ao ponto de o dito chão se tornar espelho – isto é uma forma de enaltecer a sua capacidade de cumprir ordens sem nunca correr riscos. Mas na melhor bota cai a nódoa e foi ele que “ofereceu” o penalty do empate, num daqueles lances que o absurdo da leitura moderna das regras transforma em falta – em particular porque Cédric está de costas. Como se não bastasse, viu amarelo no fim. Raisparta a volumetria.

João Mário: 4

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Tinha a dupla missão de ser médio esquerdo, apoiando as subidas de Raphael quando CR7 não descaísse para o flanco, e criar superioridade numérica no meio quando o nosso Bola de Ouro recuasse. Oscilando entre uma posição e outra adormeceu-se a si próprio, ao ponto de logo aos oito minutos ter rematado por cima com a baliza aberta – e também adormeceu quem estivesse atento à sua exibição.

William Carvalho: 5

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Teve um protagonismo inesperado durante os frenéticos minutos iniciais quando, sem ninguém no seu raio de acção, se viu obrigado a tomar decisões inesperadas, como tentar desmarcar André Silva ou virar (longo) para Quaresma. A partir do quarto de hora foi assarampantado por dois e três adversários que tentavam impedir a construção portuguesa, de modo que voltou ao seu registo habitual: roubar bolas com o seu posicionamento, tocar para o lado – enfim: arrumar a casa. A meio da segunda parte viu-se meio perdido no meio do frenesim iraniano, ao ponto de ter feito penalty aos 75 – de modo que teve de fazer o que não gosta e impor-se à bruta. Enfim, tudo isto são experiências para o dia em que deixar o futebol e criar uma empresa de Limpeza & Arrumações, usar sempre linho e panamá e ser ciclicamente capa de revista de lifestyle quando o bigode voltar a estar na moda.

Adrien Silva: 6

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Esteve dois jogos no banco à espera disto: um jogo desvairado, em que os adversários, mais que a futebolistas, se assemelham a monstros da Tasmânia. Não teve um único rasgo, um lance que mereça ser enaltecido pela sua qualidade técnica, mas foi uma espécie de sarna, atazanando todo e qualquer indivíduo vestido de branco que ousasse ter a bola. Se não tivesse sido futebolista podia ter sido um excelente guarda-costas – ou uma admirável e insondável doença de pele.

Ricardo Quaresma: 7

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Como todos os românticos, Quaresma é um homem deslocado da contemporaneidade: na época da intensidade perde tempo a acariciar o couro, na era das transições passeia languidamente pelo campo. Ver um jogo de Quaresma é um pouco como assistir a Houdini a livrar-se de grilhetas num tanque: não se sabe quando, mas crê-se sempre que vai emergir com um sorriso nos lábios, como se o milagre fosse desde sempre óbvio. O seu golo só podia vir do nada, num movimento interior, com a parte de fora do pé. Se a FIFA soubesse o que era arte inventava o Prémio Trivela de Ouro para Quaresma ganhar todos os anos.

Cristiano Ronaldo: 4

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Mau dia para revelar-se humano. É responsável pelo meu mau feitio actual, pelo meu défice de sociabilidade neste momento e pela presença de álcool no meu sangue – ainda por cima um péssimo vinho branco que ingeri exponencialmente a partir do momento em que CR7 falhou o penalty. Tentou ter influência no jogo, abrindo na esquerda ou recuando para tabelar e facilitar linhas de passe, mas viu-se rodeado por uma praga não de gafanhotos mas de iranianos. Foi brilhante aos 65 minutos quando, vindo da esquerda para o meio, fintou vários adversários, mas errou demasiados passes e aquele penalty que nos faria evitar o Uruguai. Houve quem tivesse dito que ele merecia vermelho num lance mais brusco, já nos 80 e tais minutos – não sei, ainda não jantei, bebi demasiado agora para o fim, estou irritado.

André Silva: 2

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Lindíssimo como sempre, e responsável por uma data de desmaios e gravidezes espontâneas. Além disso, para instragramer não joga mal futebol. Já para futebolista, deixou muito a desejar.

Bernardo Silva: 2

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Gosta de jazz, guia um carro pequeno apesar de ser milionário, tem bom toque de bola, enfim, tem tudo para agradar à imprensa, que cisma que ele está no Mundial – pessoalmente não tenho nenhuma prova disso.

João Moutinho: 5

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Quando cheguei ao fim deste texto ligaram-me a avisar que faltava Moutinho. E de facto faltou — tanto no texto como no jogo, para pôr ordem na casa.

Fernando Santos: 5

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Não só consegue fazer a selecção passar em segundo (como era obrigatório) como lhe coloca dificuldades tácticas (com este 4-4-2 manco que resultou por sorte no Europeu), de modo a estimular o estoicismo da mesma. Enfim.

Marcelo Rebelo de Sousa: 7

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Razoável no comentário futebolístico no final do jogo mas excelente no seu humanismo ao dizer que também é Presidente do treinador do Irão (Carlos Queiroz). Como Presidente da República, talvez saia um pouco do raio de acção que um homem mais cauteloso determinaria para si mesmo, mas como figura pública do século XXI sabe do que é o que seu povo gosta.

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