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DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

Bugalho sugere voto em Seguro à segunda volta: “O eleitor da AD não quer instabilidade”

Eurodeputado dá vários argumentos para eleitor da AD votar em Seguro, diz que Montenegro é “federador" do espaço da AD e acusa Carneiro de ser pouco inteligente ao partidarizar resultado da 1ª volta.

Sebastião Bugalho não diz com as letras todas que vai votar em António José Seguro, mas sugere-o diversas vezes ao longo da entrevista que deu à Rádio Observador no Parlamento Europeu, em Estrasburgo. Numa Vichyssoise especial, gravada horas antes de Marques Mendes anunciar o voto no socialista, o antigo cabeça de lista da AD nas Europeias estava condicionado por Marques Mendes então ainda não ter falado, mas deixou implícito que votará em Seguro e sugeriu que o anunciará em breve.

Sebastião Bugalho disse, por exemplo, que não lhe “passa pela cabeça” que um social-democrata como Marcelo Rebelo de Sousa votasse em André Ventura e não num candidato que “defende as instituições da República, que defende direitos, liberdades e garantias”. Disse também que o eleitor da AD, onde o próprio se inclui, “não quer instabilidade” e que “a grande batalha de Sá Carneiro foi contra a presidencialização do regime”, que Ventura defende.

Em dias em que a Europa foi contaminada pelas presidenciais — e em que até o presidente do Conselho Europeu disse de forma velada que ia votar em António José Seguro — Bugalho garantiu que não ia votar em branco e justificou as várias razões pelas quais um eleitor da AD não pode votar Ventura. O eurodeputado considera ainda que “não existe uma equivalência moral” entre Seguro e Ventura e que, por essa razão, defendeu que o PSD não deve fazer uma revisão da Constituição com o Chega.

“A vitória é de António José Seguro, não é do PS”

Além de ser eurodeputado, integrou recentemente a comissão política da candidatura presidencial de Marques Mendes. O Sebastião Bugalho já decidiu em quem é vai votar na segunda volta?
Não me parece que as poucas pessoas que têm a generosidade de me seguir, [compreendessem] que depois de semanas intensas a defender o voto em Marques Mendes, de repente, instintivamente, formalizasse o meu apoio a outra candidatura.

Por isso é que distinguimos o apoio do voto. A questão é se, a título pessoal, vai votar num destes dois candidatos?
Eu não vou votar em branco. E a maioria dos apoiantes, militantes e votantes da AD não vai votar em branco. Não me parece que esta seja um eleição em que essa opção seja a mais visada, nem a mais tentadora. Não vou ter problema nenhum em tornar público o meu sentido de voto, mas tenho esta condicionante que é o respeito pelo candidato que apoiei. E também quero dizer que compreendo, apoio e secundo mesmo a posição do presidente do PSD. Ou seja: não tomar uma posição institucional como presidente do partido sobre quem é que apoia para a segunda volta. É a solução mais responsável, mas também a mais democrática. Além disso, nas 72 horas que se seguiram à primeira volta, assistimos, algo que me surpreendeu, a alguma precipitação, irresponsabilidade para não dizer sofreguidão do líder do PS, que tentou partidizar completamente a segunda volta. Na noite eleitoral, o José Luís Carneiro anunciou diretas e recandidatou-se a líder do PS. Não me parece que essa seja a opção mais inteligente para quem quer [que Seguro vença].

É um aproveitamento da vitória de António José Seguro na primeira volta?
Não vou fazer considerações sobre isso, mas parece-me evidente que está a partidarizar uma eleição que, um, não é partidária, dois, se tenciona que António José Seguro vença à segunda volta, não o ajuda nada. Não me parece que estrategicamente faça sentido. E depois fez outra coisa, que ainda me pareceu mais gravosa e perigosa, que foi tentar atacar o primeiro-ministro com uma vitória de António José Seguro – que é uma vitória de António José Seguro, não é uma vitória de José Luís Carneiro e ainda menos uma vitória do PS, que de repente se tornou todo segurista. Fá-lo com aquelas declarações do ‘clarifique lá onde está’. E ao tentar usar a vitória de António José Seguro para atacar Luís Montenegro, o José Luís Carneiro está a transformar qualquer apoio a António José Seguro num ataque a Luís Montenegro. Portanto, está a afastar os eleitores da AD, de que Seguro depende para ganhar a segunda volta, de Seguro.

"José Luís Carneiro está a transformar qualquer apoio a António José Seguro num ataque a Luís Montenegro. Portanto, está a afastar os eleitores da AD, de que Seguro depende para ganhar a segunda volta, de Seguro."

É por isso que não quer declarar já esse apoio a António José Seguro. Não quer fazer parte dessa fileira? Para não haver a leitura que está a atacar Luís Montenegro?
Atacar Luís Montenegro não contam comigo para isso. Depois também não sou um peixinho no aquário à espera que um socialista me pesque para o apoiar. Não me parece que essa seja a postura de António José Seguro e ainda bem. Para responder diretamente: o que seria as declarações do secretário-geral do PS condicionarem o meu posicionamento público. Ainda não digo, de momento, em quem vou votar, porque não me parece avisado face ao facto de eu não ter conversado com o candidato que apoiei na primeira volta.

António Costa disse que vai votar no mesmo candidato da primeira volta.
Portanto, vai votar em branco? [Risos]

A pergunta é se é possível que o voto de Sebastião Bugalho seja alinhado com o de António Costa, ou seja, António Costa.
Não é impossível, mas não lhe vou dizer em quem vou votar. E também não pude votar em António Costa quando ele se candidatou ao Conselho Europeu, porque ao contrário do que alguns dos meus adversários nas Europeias tentaram fazer entender de forma demagógica, os deputados europeus não votam para  Presidente do Conselho Europeu. Mas, sim, o meu partido apoiou a candidatura de um ex-primeiro-ministro ao Conselho Europeu. Nestes momentos que estamos a viver enquanto continente, enquanto União, enquanto país, muitas vezes a responsabilidade pode ser coincidente com quem em tempos não foi assim tão responsável.

Sobre esta campanha eleitoral, Luís Marques Mendes chegou a aparecer a liderar as sondagens no último trimestre de 2025, o que é que correu mal. A responsabilidade foi do candidato ou do partido, que falhou a Luís Marques Mendes?
Uma coisa é certa: eu não tive nenhum problema em dizer na noite eleitoral que a responsabilidade também foi minha, que estive lá com ele todos os dias. Portanto, a minha cota parte de responsabilidade assumo-a. Agora, não vou aproveitar a derrota do homem em quem acreditei e acredito para vir aqui e dissecá-la dias depois. Não seria correto. Podemos dizer uma coisa que acho que é justa, que é: nunca tinha acontecido um partido, num ciclo inteiro, presidir as lideranças institucionais da democracia portuguesa. Isto é, se o PSD tivesse ganho as presidenciais, coisa que não vai acontecer. O nosso eleitorado pulverizou-se e privou-se de estar presente na segunda volta. Privou-se de ir à decisão de quem vai ser o chefe do Estado. Mas se tivéssemos conseguido isso, teria sido a primeira vez na história da democracia que um só partido presidia a todas as lideranças institucionais da República. Portanto, era uma liderança que quebrava esse precedente e, naturalmente, que era muito difícil de vencer esse precedente. Isso poderá não ter ajudado e, obviamente, como o Luís Marques Mendes disse na noite eleitoral, nós respeitamos essa decisão do povo português, como é evidente.

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

“Tenho a certeza que Marcelo votará no candidato que defende os direitos, liberdades e garantias”

Marcelo Rebelo de Sousa, disse no discurso comemorativos dos 40 anos da adesão de Portugal e Espanha aqui no Parlamento Europeu que não há “portugueses puros”. O Presidente estava a criticar o Chega e esta é uma forma também de mostrar para onde é que se vai inclinar na segunda volta?
O atual Presidente da República disse recentemente, que aquilo que aconteceu na primeira, acontecerá na segunda ou algo assim do género. Essas declarações já indiciavam, através da sua veia de analista político, que está convencido que o António José Seguro vai ganhar as presidenciais, mas é só a opinião dele. Eu respeito-o muito como analista político.

"Marcelo está convencido que o António José Seguro vai ganhar as presidenciais"

Leu isto como uma crítica a André Ventura?
Como uma crítica, não. E não quero estar aqui a procurar nas entrelinhas de Marcelo Rebelo de Sousa, mas posso lhe dizer uma coisa: conheço bem o Presidente da República e tenho a certeza que ele votará no candidato presidencial que defende a Constituição, que defende as instituições da República, que defende direitos, liberdades e garantias. Não me passa pela cabeça que um social-democrata e um social-cristão, como é o Presidente da República, fosse votar em alguém que não se revesse nesses princípios. Conhecendo-o, parece-me muito evidente.

Já trocou mensagem com algum dos candidatos que passaram à segunda volta, ou alguma espécie de contacto?
Com o André Ventura ou com o António José Seguro, desde que eles passaram à segunda volta? Não.

“Tenho uma relação e nunca o escondi, de estima pessoal e de distanciamento político de André Ventura e de estima cívica para com o António José Seguro”

Isso significa que antes pode ter trocado essas mensagens, é isso?
Tenho uma relação, como sabe, e nunca o escondi, de estima pessoal e de distanciamento político de André Ventura e de estima cívica para com o António José Seguro.

O PSD pode ficar em silêncio nestas três semanas ao ouvir André Ventura dizer que é o líder da direita?
Em silêncio não estaremos. O Governo não está morto, está bastante vivo e recomenda-se. Essa é a questão que eu gostava mesmo de vos transmitir com a maior clareza possível porque acho que é importante e tenho a impressão que ainda ninguém a disse: porque é que eu digo que a posição do PSD é a mais responsável e a mais democrática? Vamos pensar na opção inversa àquilo que toda a gente disse que nós deveríamos estar a fazer, que era declarar o apoio ao António José Seguro, ou em massa, o partido ter uma posição oficial de endosso à candidatura Seguro para a segunda volta. Isso seria o sonho de André Ventura.  É a mesma razão pela qual nós não anunciámos um parceiro preferencial para as negociações do Orçamento a seguir às últimas legislativas. Se de repente o PSD e o PS se juntassem institucionalmente para apoiar um candidato da Presidente da República contra o candidato do Chega, André Ventura poderia fazer campanha contra os mesmos de sempre, contra aqueles que são sempre os mesmos, contra aqueles que são todos iguais, contra o Bloco Central. Isso, obviamente, seria uma onda eleitoral que ele iria adorar surfar. Nós não lhe podemos oferecer essa onda. Isso seria fazer um favor a André Ventura.

"O PSD declarar apoio formalmente a Seguro seria o sonho de André Ventura"

“É evidente que não existe equivalência moral entre Seguro e Ventura”

Noutros tempos, noutro contexto, em que não houvesse um contexto político em que existisse um partido como o Chega, seria mais fácil e mais natural esse apoio, como aconteceu noutras circunstâncias? Por exemplo, a Mário Soares na recandidatura.
Mas são figuras diferentes, não é? E os opositores também eram diferentes. Quer dizer, o PSD não fez nenhuma equivalência moral entre as duas candidaturas. O PSD só reconheceu que os eleitores portugueses não escolheram o nosso candidato.

Quer dizer que essa equivalência moral não existe?
Como é evidente essa equivalência moral não existe. Sem querer estar aqui a puxar o lustro ao meu próprio fato, a seguir às eleições legislativas, dei a minha posição pessoal, sem querer vincular ninguém, em que não me passava pela cabeça que houvesse uma revisão constitucional feita entre o PSD e o Chega. Dei a minha posição pessoal, não quis vincular mais ninguém. Portanto, obviamente, não há equivalência moral, nem histórica.

O Sebastião não vai votar em branco, supomos que também não vai desperdiçar o voto votando nulo. Também percebo das suas palavras que nunca votará no líder do Chega. Parece-me bastante claro quem é que vai votar na segunda volta.
Mas isso é a vossa veia analítica. Estão à vontade para fazer as suas análises. Mas eu não disse isso. Mas deixa-me dizer uma coisa, sem querer estar também a fugir daquilo que está a dizer. A mim parece-me claro que um eleitor do PSD, um eleitor da AD, não quer a instabilidade, não quer a tentação constante de convocar eleições ou dissolver a Assembleia da República. A mim parece-me ainda mais claro que, numas eleições em que toda a gente enchia a boca com o nome do Francisco Sá Carneiro, aqueles que conhecem o legado do Francisco Sá Carneiro sabem uma coisa: a grande batalha dele, foi contra a presidencialização do regime. Foi contra uma presidência que pudesse mandar no Parlamento, nos partidos, no país. Portanto, parece-me claro que essa opção não é próxima nem dos princípios, nem da conveniência política de quem se revê na Aliança Democrática.

O facto de Luís Marques Mendes ter ficado fora da segunda volta e do PSD não ter ninguém da sua área política numa segunda volta das presidenciais significa que vêm tempos difíceis para o governo de Luís Montenegro. Vai ser preciso acelerar o calendário ou dar um novo ímpeto ao governo?
Nós há três meses tivemos o melhor resultado autárquico de sempre estando no Governo. Há 40 anos que o PSD não ganhava umas eleições autárquicas estando no governo, temos um resultado autárquico estando no poder que não tinha precedentes em 40 anos. Três meses depois tivemos o pior resultado nacional de sempre de uma candidatura apoiada pelo PSD. Isto mostra várias coisas. Primeira coisa que mostra é que o sistema político está muito acelerado e muito volátil. Ou seja: nós não podemos dar nada por garantido. E nós percebemos isso. O PSD percebe isso, o Governo percebe isso, o primeiro-ministro percebe isso e sabe isso perfeitamente. Outra coisa que esse resultado também mostrou, e acho que é importante dizer, é a importância federadora de Luís Montenegro no espaço político da AD. Ele ganhou essa importância. Os resultados eleitorais dele quando disputou eleições em condições particularmente adversas e nas próprias autárquicas mostram que ele é uma figura federadora do nosso país.

E acrescenta à AD em termos eleitorais?
Para mim não há dúvidas sobre isso. E depois também gostava de desdramatizar com factos. Perguntaram-me se vêm aí tempos difíceis. É verdade que estar três semanas, no fundo, sem estar no centro do debate político, quando nós estamos no centro da governação, é um pouco paradoxal. Não escondo isso. Quer dizer, em 1991, Cavaco Silva não apoiou nenhum candidato presidencial e dez meses depois teve a maior maioria absoluta de sempre. Em 2021, António Costa também não apoiou ninguém explicitamente e teve maioria absoluta um ano depois, em 2022. Portanto, esta é a ideia de que as três semanas de presidenciais, que são complexas politicamente, se traduzirão numa hecatombe política para quem está no governo, parece-me exagerada ou mal intencionada. Percebo que há muita gente desapontada porque meteram as fichas todas numa crise política oriunda do Ministério Público. Não aconteceu. Depois puseram as fichas todas numa crise política oriunda das presidenciais. Não vai acontecer. Eu interrogo-me a frustração constante com que eles devem viver.

Não pressiona uma remodelação, o resultado das presidenciais?
O Luís Montenegro não é pressionável por nada.

E não está a insistir demasiado na manutenção da Ministra da Saúde?
Luís Montenegro não é pressionável por nada.

Até em prejuízo próprio, não? 
Sou amigo pessoal da ministra da Saúde, jamais faria comentários políticos que não fossem justos para com ela.

Disse que o Luís Montenegro é a figura federadora, agregadora da direita ou da AD. O nome de Pedro Passos Coelho vai sempre ecoando e nestas presidenciais também ecoou. Acha que o Luís Montenegro já substituiu Passos Coelho como figura federadora das direitas?
Quando as figuras políticas têm dimensão não são substituíveis. O Luís Montenegro e o Pedro Passos Coelho são figuras políticas muito diferentes. Portanto, eu não usaria o termo substituição, usaria o termo sucessão. O Luís Montenegro foi o primeiro primeiro-ministro do PSD depois de Passos Coelho, portanto cronologicamente é o seu sucessor. E neste momento é a figura política mais federadora do espaço político da AD. Ele é o líder da AD. Depois também tenho que lhe dizer que, obviamente, tendo o maior respeito e até grande apreciação pelo Pedro Passos Coelho, naturalmente que as pessoas que têm um legado, e ele tem um legado, um legado de peso, exemplar para nós, que vê o seu nome ecoar cada vez que há um ato eleitoral. A sua posição interessa-nos. Aquilo que ele pensa sobre o país interessa-nos. Aquilo que ele pensa sobre os candidatos interessa-nos. Claro que sim. Mas, ao que me foi dado a entender e àquilo que li, ele não tinha qualquer interesse na disputa presidencial.

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“Há muitas pessoas que querem acreditar no regresso de Passos”

O eleitor da AD, que naturalmente fica inclinado a votar em Seguro, também Pedro Passos Coelho estaria aí incluído?
Não sei, teria que perguntar. Mas, quer dizer, se alguém que escolheu o silêncio na primeira volta e já anunciou que vai manter o silêncio na segunda volta, é alguém que provavelmente ou não se revê em nenhum dos dois, ou não quer revelar qual dos dois prefere, mas eu respeito muito o silêncio do doutor Passos Coelho.

Pedro Passos Coelho foi um dos vencedores destas eleições presidenciais. Concorda?
Não, porque um ex-líder do PSD nunca ganha quando o PSD perde.

Mas não era uma eleição partidária.
Sim, mas obviamente tem um significado político. O candidato apoiado pelo PSD não irá à segunda volta. Não fujo das minhas responsabilidades nessa derrota. Também não me pareceu que o primeiro-ministro o fizesse, e nenhum de nós, na verdade.

Sobre a ambição ou não presidencial do Pedro Passos Coelho, ele tem outra ambição, ou pelo menos nunca escondeu ter uma outra ambição, que era ter uma espécie de desforra na chefia de governo, não é? Disse que ele era o antecessor de Luís Montenegro. Também pode ser o sucessor?
Quem dera a muitos partidos de governação ter na reserva alguém com o currículo e o peso de Pedro Passos Coelho. Mas o que é facto é que ele se tem manifestado sempre distante da política ativa, e eu acredito na veracidade das suas afirmações.

Não acredita num regresso sebastiânico?
Há muitas pessoas que querem acreditar nesse regresso. Eu como tenho muito, muito respeito por ele, jamais colocarei palavras ou intenções na boca dele.

O sebastianismo fica mais para o Sebastião, é isso?
Por acaso, esteve um enorme nevoeiro nestas presidenciais, mas não julgo que tivesse a ver com o meu primeiro nome.

Quando se estreou, no primeiro dia, precisamente neste edifício, neste Parlamento e nesta instituição, nós ficávamos a falar sobre esse futuro. Sobre esse futuro e sobre a hipótese de vir um dia a liderar o governo, e isso era uma ambição. Depois disso já colocou até uma geração à sua frente. O “estou nem aí” ainda não passou a “nunca mais”?
Vou ser muito sincero, já passou um ano, e eu não sou um protagonista deste ciclo político, estou mais aqui a comentar os resultados do que como protagonista deles, que não sou de todo, mas quando me desafiou a dizer a frase ‘eu nunca quererei ser’, eu só não disse a frase por uma razão muito simples: é que eu achei que a nossa entrevista era boa o suficiente para não precisar desse título. Do mesmo modo que acho que esta também é. Portanto, eu não tenciono ser líder de nada. Mas tenciono, como tenho feito desde que me juntei a este partido, estar presente ativamente em todos os combates, autárquicas, presidenciais, legislativas, como tenho feito.

Isso tem de ser estar presente, independentemente do lugar em que esteja nesses combates.
Julgo que aquilo que é mais importante não é o lugar, são as convicções. Acreditei convictamente na recandidatura de Luís Montenegro a primeiro-ministro, ele ganhou, acreditei convictamente nos 98 autarcas que apoiei candidatos a câmaras municipais, e acreditei convictamente em Luís Marques Mendes, que infelizmente não passou à segunda volta desta eleição presidencial. Eu movo-me por convicções.

“O João Cotrim Figueiredo quer destruir o PSD”

Vamos avançar, portanto, para a fase do Carne ou Peixe. Se fosse presidente do PSD, quem a convidaria para primeiro-vice-presidente? Alexandre Poço ou Miguel Morgado?
Aceitaria ser primeiro-vice-presidente do PSD do Alexandre Poço. 

Não do Miguel Morgado?
Disponível para ajudar, estarei sempre. O que me parece é que é muito mais provável que um seja presidente do que o outro. 

Preferia ser ministro num governo de Hugo Soares ou de António Leitão Amaro?
Acho que aceitaria o convite dos dois.

Preferia fazer 15 dias na estrada em campanha ao lado de Pedro Passos Coelho ou de Luís Montenegro?
Bem, de Luís Montenegro já fiz e gostei muito. Pedro Passos Coelho acho que também gostaria de fazer. É como digo: estou disponível para o partido. 

Se um dia for primeiro-ministro, preferia ter como ministro da Economia João Cotrim Figueiredo ou Pedro Siza Vieira?
O João Cotrim Figueiredo quer destruir o PSD, portanto, dificilmente será convidado para um governo PSD.

Os jornalistas do Observador e o programa Vichyssoise viajaram a Estrasburgo a convite do Parlamento Europeu

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