Índice
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[Esta é a 3.ª parte de uma história dos nomes das marcas de relógios em cinco partes, que segue, aproximadamente, a ordem cronológica da sua fundação (real ou mítica). As partes anteriores podem ser lidas aqui:]
Cartier
Louis-François Cartier (1819-1904) começou como aprendiz do joalheiro Adolphe Picard, em Paris, em 1837, e acabou por adquirir o negócio do patrão dez anos depois – data que marca o início da Cartier. Após impor-se em França, a Cartier abriu lojas em Londres (1902) e Nova Iorque (1909) e tornou-se fornecedora de casas reais um pouco por todo o mundo, de Portugal ao reino de Sião, de Eduardo VII de Inglaterra a Zog I da Albânia.
Louis-François Cartier
Um dos momentos decisivos da afirmação da Cartier no sector da relojoaria ocorreu em 1904, quando o aviador brasileiro Alberto Santos-Dumont encomendou ao seu amigo Louis Cartier (neto do fundador) um relógio que permitisse fácil consulta sem necessidade de tirar as mãos dos comandos dos seus engenhos voadores – o relógio de pulso concebido por Louis Cartier (um dos primeiros destinados ao público masculino) seria comercializado a partir de 1911 com o nome do aviador. A I Guerra Mundial marcaria a aparição de outro relógio célebre da Cartier, o Tank, inspirado (reza a lenda) nos primeiros tanques de combate que tinham acabado de surgir nos campos de batalha. Ambos os modelos, Santos e Tank, continuam hoje em produção, em numerosas variantes e edições.
Cartier Tank
A firma saiu das mãos da família Cartier em 1964 e, após passar entre várias mãos, faz, desde 2012, parte do grupo suíço Richemont. Embora a joalharia continue a ser o principal sector de actividade da marca, a Cartier surge em 3.º lugar no ranking da relojoaria suíça de luxo, com uma quota de mercado de 6.9%.
Omega
A origem da Omega está na firma fundada em 1848, em La Chaux-de-Fonds, no Jura, por Louis Brandt. Em 1879, os dois filhos de Louis, Louis-Paul e César, decidiram dar o salto da escala artesanal para a produção mecanizada em massa, nos moldes da Waltham Watch Company, que então dominava o mercado americano – para o efeito, relocalizaram a operação para Bienne (Biel, em alemão), no cantão de Berna. Em 1894 surgiu o modelo Omega que foi um sucesso de vendas tal que acabou por ser assumido também como nome da empresa – o rebaptismo ocorreu em 1903, ano em que a produção atingia já os 240.000 relógios por ano, o que fazia dela a n.º 1 da relojoaria suíça. 1903 foi também o ano da morte dos irmãos Louis-Paul e César e da passagem de testemunho ao jovem Paul-Émile Brandt (1883-1952), que presidiria à empresa durante quase meio século.
A Omega fez bom dinheiro durante a I Guerra Mundial a vender cronógrafos para o Exército dos EUA e para a Royal Air Force, mas a crise financeira do pós-guerra empurrou-a, em 1925, para uma aliança com a Tissot, acabando as duas marcas por fundir-se sob a égide da Societé Suisse pour l’Industrie Horlogère (SSIH).
Anúncio de 1959, na revista Esquire, ao Omega Automatic
No pós-II Guerra Mundial, a produção da Omega foi centrada nos cronógrafos (começando em 1932, a marca foi o cronometrista oficial dos Jogos Olímpicos por 28 vezes) e nos relógios desportivos e de mergulho e a sua reputação de desempenho de precisão sob condições extremas foi potenciada por ter sido a marca seleccionada pela NASA, após testes rigorosos, e por os astronautas Neil Armstrong e Buzz Aldrin terem usado Omega Speedmaster Professional Chronograph na sua pioneira missão à Lua em 1969.
Desde 1998 que a Omega faz parte da Swatch, grupo em que ocupa o posto de marca n.º 1 em termos de vendas; a sua posição do top global de vendas da relojoaria de luxo é a n.º 2, atrás da Rolex, com uma quota no mercado de 7.5%.
Omega Speedmaster Professional Chronograph
Tissot
Em 1853, em Le Locle, no Jura, Charles-Félicien Tissot e o seu filho, Charles-Émile, constituíram a firma Ch. Félicien Tissot & Fils, que funcionava ainda segundo moldes pré-industriais, não dispondo de produção própria e assentando numa rede de oficinas “domésticas” para assegurar as suas encomendas. Estas tenderam a multiplicar-se, sobretudo depois de Charles-Émile ter começado a viajar regularmente para a Rússia para promover os seus produtos. O florescente mercado russo, que justificara a remodelação da empresa e a construção de uma fábrica própria em 1907, colapsou em 1917, quando a Revolução Bolchevique dissolveu ou forçou ao exílio a aristocracia que comprava relógios de luxo e em 1925 a Tissot viu-se forçada a aliar-se à Omega (ver entrada acima), marca com a qual tem partilhado o domínio da cronometragem oficial de múltiplas competições desportivas. Detém uma quota no mercado da relojoaria de luxo de 3.1%, o que a coloca no 7.º lugar do ranking.
Eterna
Foi fundada em Grenchen (Granges, para os francófonos), no Jura, em 1856, por Josef Girard e Urs Schild, nenhum dos quais era relojoeiro: Girard era médico e Schild era mestre-escola. A Dr. Girard & Schild durou pouco tempo com este nome, pois ao fim de quatro anos o Dr. Girard retomou a prática da medicina e vendeu a sua quota a Schild. Quando Schild faleceu, em 1888, a companhia passou para a posse dos filhos, agora como Schild Frères. O nome Eterna, que começou por baptizar um modelo de relógio em 1889, foi adoptado como designação da empresa em 1905.
Em 1896, a firma criou a ETA SA, uma subsidiária destinada a fabricar movimentos para si mesma e para outras marcas suíças, que, em 1932, se autonomizou da empresa-mãe, como ETA Manufacture Horlogère. Esta viria a fundir-se com a Ébauches SA (“ébauche”, que significa “esboço”, é, na indústria relojoeira francófona, sinónimo de “movimento”), dando origem ao maior fabricante mundial de movimentos – ainda que nunca produzindo relógios acabados.
Pelo seu lado, a Eterna foi afirmando-se como fabricante de relógios de topo de gama, sobretudo no domínio dos relógios automáticos (i.e., accionados pelo movimento do braço do utente), através da linha Eterna-matic, surgida em 1948. Em 1974, a Eterna deixou de estar na posse da família Schild e entrou numa roda-viva entre proprietários, sendo o mais recente (desde 2011) a China Haidian Holdings (entretanto rebaptizada CityChamp), de Hong Kong.
Quanto à ETA SA, juntou-se em 1985 ao Swatch Group e fornece movimentos, não só para as marcas deste grupo como para dois outros grupos, a LVMH e a Richemont – é a eminência-parda da relojoaria de luxo.
Eterna-matic, 1928
Roskopf
Durante muito tempo, a produção de relógios esteve orientada para as classes possidentes, como atestam as histórias das marcas que temos vindo a desfiar. Na Europa, a democratização do relógio só chegou com Georges Frédéric Roskopf (1813-1889), que nascera em Niederweiler, na Alemanha, como Georg Friedrich Roskopf, e aos 16 anos se instalou em La Chaux-de-Fonds, na Suíça, onde se tornou aprendiz numa fábrica de peças para relojoaria e, depois, numa relojoaria. Foi nesta cidade que, em 1851, se estabeleceu por conta própria no ramo de relojoaria – mas só em 1860 é que teve início o seu papel decisivo, com a invenção de um novo tipo de mecanismo de escape que permitia construir relógios mais baratos (ainda que um pouco menos precisos). Porém, a meritória ideia de Roskopf de tornar os relógios de qualidade acessíveis às pessoas comuns teria ainda de enfrentar a resistência dos fabricantes artesanais que lhe forneciam peças e movimentos, que não estavam dispostos a aceitar as concepções revolucionárias de Roskopf, de forma que só em 1867 os primeiros “relógios dos pobres” começaram a ser comercializados.
Georges Frédéric Roskopf
O novo relógio, que, mercê do engenho de Roskopf, continha apenas 57 peças, ao invés das usais 160, custava 20 francos, o que representava quatro dias de ordenado de um operário especializado e ¼ do preço dos modelos mais baratos da concorrência. Como conta David S. Landes em A revolução no tempo: Os relógios e o nascimento do mundo moderno, houve oficiais pela Europa fora que “lhe escreveram directamente para comprar em quantidade para os subordinados: foi o caso do coronel Tyvolowitch, que encomendou 240 exemplares para o seu batalhão de infantaria”, aquartelado na Finlândia.
O mecanismo de um Roskopf de 1867
Em 1873, Roskopf vendeu o negócio à firma Wille Frères, mas, por esta altura, a fama de baixo custo e fiabilidade dos Roskopf já alastrara e a designação “Roskopf” foi apropriada liberalmente por vários fabricantes suíços para os seus relógios produzidos em massa, sob designações como “A. Rosskopf & Cie.”, “Système Roskopf”, ou “Vero Rosskopf”. Alguns destes “Roskopf” gozavam, ao menos, da legitimidade da consanguinidade: era o caso da marca “F.E. Roskopf & Cie.”, do filho (Fritz Édouard) de Georges Frédéric Roskopf, e das marcas “Louis Roskopf S.A.”, “Petit Fils Roskopf” e “Roskopf Nieto”, do neto (Louis-Frédéric) do fundador. Enquanto, entre 1867 e 1873, Georges Frédéric Roskopf produzira um total de 100.000 relógios, o seu neto viria a produzir um total de 10 milhões.
A fama dos “Roskopf” chegou, inevitavelmente, a Portugal, onde está na origem do termo “roscofe”, usado para designar, genericamente, produtos de qualidade inferior, o que é uma injustiça para com a memória de Georges Frédéric Roskopf.
A contrafacção em relojoaria não se fica pelos modelos de luxo: Anúncio a falsos Roskopf
Waltham Watch Company
Georges Frédéric Roskopf não estava só na sua visão de democratização do relógio: na verdade, no outro lado do Atlântico já havia quem tivesse adaptado à relojoaria os conceitos da padronização de peças e de fabrico em massa antes de Roskopf ter lançado o seu “relógio dos pobres” em 1867.
Em 1850, em Roxbury, Massachusetts, foi criada a Howard & Davis, resultante da combinação dos esforços dos empresários Edward Howard, T.P. Davis e Samuel Curtis e do relojoeiro Aaron Lufkin Dennison. A produção em massa – a primeira na história da relojoaria – começou em 1852, já sob o nome de Warren Watch Company (as mudanças de nome são uma constante na história da empresa), mas a comercialização só teve início no ano seguinte. Nesse ano o nome da empresa foi alterado para Boston Watch Company e em 1854 as instalações foram transferidas para Waltham, no Massachusetts. Três anos depois a Boston Watch Company faliu e nos anos seguintes passou por várias mudanças de propriedade e de nome, até que em 1885 a American Watch Company deu lugar à American Waltham Watch Company. Em 1907 assumiu o nome pelo qual costuma ser designada genericamente (nas suas sucessivas reencarnações), Waltham Watch Company, e seria com este nome que conheceria o fim definitivo, em 1949. A conturbada história da Waltham não oferece grandes sucessos comerciais nem inovações tecnológicas nem esmeradas peças de relojoaria – o que explica que tenha caído no esquecimento –, mas o seu pioneirismo nos processos de fabrico industrial influenciou as marcas suíças de relojoaria.
As instalações da Waltham Watch Company, em Waltham, foram classificadas em 1989 no Registo Nacional de Locais Históricos
Timex
A Waltham não foi um fenómeno isolado: na década de 1850, a conjugação de know-how suíço (trazido por imigrantes) e empreendedorismo americano criou no vale do Rio Naugatuck, no Connecticut, uma florescente indústria relojoeira vocacionada para o mercado de massas (o que levou a que o vale fosse baptizado como “Suíça Americana”). Uma dessas empresas foi a Waterbury Clock Company (assim baptizada por ter sede em Waterbury), fundada em 1854, pela Benedict & Burnham, um fabricante de peças em latão. Começou por fabricar relógios de parede, mas em 1877 a Benedict & Burnham criou uma companhia-irmã, a Waterbury Watch Company, consagrada exclusivamente aos relógios de bolso: o primeiro deles tinha apenas 58 peças (número similar ao do primeiro Roskopf) e vendeu-se tão bem que em 1887 a Waterbury Watch Company era o maior produtor de relógios do mundo, mas estratégias de vendas desastradas e erros de gestão levaram ao seu rápido definhamento e colapso.
Entretanto, em 1882, em Nova Iorque, os irmãos Robert Hawley e Charles Henry Ingersoll tinham criado uma firma de venda de artigos baratos por via postal, que, em 1892, incluiu na sua carteira de produtos um relógio de parede barato fabricado pela Waterbury Clock Company. Foi o início da Ingersoll Watch Company, que, voltando a recorrer a “movimentos” fabricados pela Waterbury Clock Company, rubricaria um êxito estrondoso a partir de 1896, agora no campo do relógio de bolso, com o Ingersoll Yankee, que se vendia pelo inaudito preço de um dólar e era produzido ao ritmo de 8.000 por dia.
Ingersoll Yankee
A parceria entre a Waterbury Clock Company e a Ingersoll Watch Company produziu 40 milhões de relógios em 20 anos e estendeu a actividade à Europa em 1905, com a introdução na Grã-Bretanha do modelo Crown, que custava cinco xelins (o equivalente a um dólar). Quando, em 1912, após uma longa agonia, a Waterbury Watch Company exalou o último suspiro, a Ingersoll adquiriu a sua fábrica para produzir os seus próprios relógios, processo iniciado em 1914. A Ingersoll e a Waterbury passaram a correr em pistas separadas – agora tendo os relógios de pulso como principal produto –, mas a I Guerra Mundial revelou-se pouco favorável aos negócios da Ingersoll e em 1922 foi comprada pela Waterbury Clock Company, dando origem à Waterbury-Ingersoll.
Fábrica da Ingersoll, c.1900
A Grande Depressão deixou em sérios problemas muitas empresas – entre elas estavam a Waterbury-Ingersoll e a Walt Disney Company, que acabaram por salvar-se graças a um empreendimento conjunto assente num relógio pouco convencional surgido em 1933: o Mickey Mouse Watch. A Waterbury-Ingersoll adquiriu a licença de produção à Disney e em apenas dois anos vendeu 2.5 milhões destes relógios (a um preço unitário de três dólares); o total acumulado de vendas atingiu 25 milhões em 1957.
A II Guerra Mundial trouxe mudanças importantes à Waterbury-Ingersoll: foi comprada por dois empresários noruegueses que se tinham refugiado nos EUA, reorientou a produção para temporizadores de artefactos explosivos e foi rebaptizada em 1944 como Time Corporation. Quando o final da Guerra da Coreia fez a procura por equipamento bélico cair, a Time Corporation decidiu regressar aos relógios acessíveis, que começara a produzir em 1950 sob a marca Timex. As campanhas publicitárias da nova marca apostaram não só na boa relação qualidade-preço como na resistência a condições adversas e maus-tratos.
Anúncio ao Timex Marlin, 1956
A aposta correu tão bem que em 1962, um em cada três relógios vendidos nos EUA eram da marca Timex, o que justificou que a Time Corporation fosse rebaptizada como Timex Corporation. Em 1973, a Timex atingiu uma produção recorde de 21 milhões de relógios (57.000 por dia), o que representava 98% da produção total de relógios dos EUA. Porém, não tardaria a sofrer o impacto da concorrência dos relógios de quartzo japoneses, que a forçaram a reduzir os seus efectivos de 30.000 para 6000 trabalhadores. No início dos anos 80, a Timex associou-se à Sinclair para produzir os famosos computadores ZX81 e ZX Spectrum, mas depois voltou a concentrar-se nos relógios acessíveis, agora dominantemente na modalidade quartzo, mas o fabrico deixou os EUA, estando repartido entre o Extremo Oriente e a Suíça.
Em 2008, o Timex Group foi adquirido por uma holding holandesa, que, sob o nome Timex Group B.V., detém numerosas marcas de relógios associadas a marcas de moda, umas na gama média, como Guess e Versace, outras no segmento da “urban fashion”, como a Marc Ecko e a Nautica. Os relógios comercializados sob estas marcas são todos fabricados pela Timex.
TAG Heuer
A Uhrenmanufaktur Heuer AG (Fábrica de Relógios Heuer AG) foi fundada em 1860, em Saint-Imier, no Jura, por Édouard Heuer (1840-1892), um relojoeiro com apenas 20 anos que seria responsável por introduzir várias inovações tecnológicas. Algumas delas permitiram-lhe construir cronógrafos muito precisos e funcionais – foi o primeiro fabricante a produzi-los em massa, a partir de 1880. Em 1916, a Heuer, já sob a direcção dos filhos do fundador, foi a primeira a comercializar cronógrafos precisos até ao centésimo de segundo; foi também pioneira no fabrico de relógios e cronógrafos para embutir nas consolas de automóveis e aviões. Em 1962, John Glenn, usou um cronógrafo Heuer na primeira missão orbital tripulada dos EUA (foi antes de a Omega se ter imposto junto da NASA).
Anúncio aos cronógrafos Heuer, 1943 (ao contrário do que os capacetes poderão levar a pensar, os soldados são suíços, não alemães)
A aura de prestígio junto de pilotos e astronautas não poupou a Heuer a dificuldades nas décadas de 1970-80, e em 1985 viu-se forçada a juntar forças com a TAG (Techniques d’Avant-Garde), um fabricante de componentes para aviação e automobilismo de competição. A TAG Heuer, que em 1999 foi adquirida pelo grupo de luxo LVMH, detém hoje uma quota no mercado da relojoaria de luxo de 2.3%, o que a coloca no 10.º lugar do ranking.
Entre as marcas suíças históricas, a TAG Heuer é das que menos fiel se tem mantido à tradição: em 1975 lançou o primeiro cronógrafo de pulso de quartzo e em 2015 lançou um smartwatch, o Connected, cujo preço de 197.000 dólares faz parecer irrisórios os 17.000 dólares pedidos pelo Apple Watch em ouro lançado nesse mesmo ano
Chopard
Foi fundada em 1860 em Sonvilier, perto de Berna, por Louis-Ulysse Chopard (1826-1915) e começou por especializar-se em relógios de bolso e cronógrafos. A operações da empresa foram transferidas para La Chaux-de-Fonds em 1921 e para Genebra em 1937, mas manteve-se sempre nas mãos da família – até 1963, altura em que foi vendida a Karl Scheufelle III, herdeiro de uma família alemã de joalheiros e relojoeiros (que detinham a marca Eszeha).
Actualmente a Chopard fabrica em média 75.000 relógios por ano, tem uma centena de lojas espalhadas pelo mundo e em 2021 ficou em 18.º lugar no ranking da relojoaria de luxo, por volume de negócios.
Panerai
Num mundo dominado por marcas suíças, a Panerai parece fazer figura de outsider, uma vez que foi fundada (como Orologeria G. Panerai & C.) em Florença, em 1860, por Giovanni Panerai (1825-1897). O negócio teve escala muito limitada até que Guido, neto do fundador, inventou um novo tipo de mira para artilharia e se tornou fornecedor oficial de equipamento óptico e instrumentos de precisão para a Marinha Real Italiana. Este vínculo levou a que a Panerai investisse no ramo dos relógios de mergulho, mas acabou por concluir que os lucros neste sector eram limitados e que as possibilidades no sector do luxo eram mais apelativas.
Dos tempos passados a produzir material para a marinha, a Panerai herdou uma tradição de robustez e fiabilidade, mesmo em condições extremas. Infelizmente para o orgulho italiano, os relógios Panerai sempre recorreram a “movimentos” fabricados na Suíça, pela Rolex e pela Jaeger-LeCoultre, e em 1997 a marca foi comprada pelo grupo suíço Richemont, que determinou que os relógios Panerai passassem a ser integralmente fabricados na Suíça pela Rolex. A Panerai detém 1.5% da quota de mercado da relojoaria de luxo e ocupa o 15.º lugar do ranking.
A loja da Panerai em Florença, c.1860