Foi planeada em plena pandemia, entrou num mercado maduro e concentrado em Portugal e, 4 anos depois do seu surgimento em terras lusas, prevê ultrapassar os 200 milhões de euros de faturação. Esta é, de forma resumida, a história da PortuloGOs (uma empresa de distribuição de energia), a qual se confunde com a da sua diretora, Pilar González. Ambas cresceram num país que lhes era desconhecido, mas que abraçaram como sendo a sua casa.
O início
A história da PortuloGOs começa em Espanha. Do grupo LoGOs Power nasceu a LoGOs Energía, uma comercializadora com sede no norte do país vizinho que foi alargando progressivamente a distribuição de energia a todo o território espanhol. Em 2020, com a pandemia de Covid-19, a empresa, como todas as outras, viu-se obrigada a repensar a sua forma de atuação: é que as visitas presenciais a clientes e reuniões físicas deixaram de existir de um dia para o outro. A alternativa? Apostar no digital. Mas havia algo que a empresa não queria abdicar: a dimensão humana no momento da contratação. “Não queríamos ser um site frio que vende energia; queríamos continuar a ser pessoas a falar com pessoas, ainda que através de um ecrã”, recorda Pilar González, atual diretora da PortuloGOs. Foi neste contexto que surgiu um objetivo claro: crescer na Península Ibérica.
Destino: Portugal
Com o objetivo traçado, Portugal era, assim, o destino. E, com ele, surgiu uma nova marca dentro do grupo: a PortuloGOs. Mas “entrar em Portugal não foi um capricho nem uma ideia improvisada”, sublinha a responsável. O CEO do grupo, José Payno, tinha trabalhado 7 anos no mercado português e conhecia de perto os pontos fortes e as fragilidades do setor energético. A estratégia de entrada estava, por isso, definida desde o início. O desafio, ainda assim, era considerável: tratava-se de um mercado maduro e muito concentrado, além de que o momento estava marcado por uma crise energética criada pela pandemia. A chave esteve nos parceiros locais. Foram os primeiros distribuidores e parceiros em Portugal que permitiram à empresa estabelecer uma presença real e “criar raízes no país”.
José Francisco González Payno, CEO da PortuloGOs
O telefonema no momento certo
Se, por um lado, os parceiros portugueses tinham permitido que o projeto andasse, por outro, faltava alguém que compreendesse simultaneamente Espanha e Portugal, e que fosse capaz de fazer avançar a empresa no terreno. Foi então que o telefone de Pilar González tocou, e, do outro lado da linha, surgiu uma proposta: “Eu queria trabalhar fora do país, e, por isso, quando a LoGOs Energía me contactou para ajudar a liderar esta aventura em Portugal, não hesitei”, conta.
A realidade revelou-se exigente: mudar de país, aprender a língua do zero, enfrentar objetivos de crescimento muito ambiciosos e conquistar a confiança de uma equipa que mal a conhecia não eram tarefas fáceis. A tudo isto, somava-se o facto de ser mulher num setor em que distribuidores e comercializadores continuavam a ser maioritariamente homens: “Foi um enorme desafio. E ser mulher neste setor tornou-o ainda maior. Quando procuramos distribuidores e comercializadores de energia, a maioria continua a ser composta por homens. Fazê-lo sem dominar a língua e sem conhecer plenamente o setor português foi, sem rodeios, complicado.”
Dar a volta ao(s) desafio(s)
O início não foi fácil. Ser mulher num ‘mundo de homens’ trouxe a Pilar alguns desafios. Mas a diretora da PortuloGos não se inibiu, e passou a encarar essa responsabilidade como “uma oportunidade para contribuir para uma liderança mais diversa”. Foi assim que a PortuloGOs assumiu, desde o início, uma cultura assente na igualdade de oportunidades e no mérito. Um compromisso que foi reconhecido, em 2024, com o Selo da Igualdade Salarial da Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE). Para Pilar González, a distinção vale “muito mais do que um certificado: é a prova de que é possível construir algo diferente”.
Mas havia outro desafio: o de convencer os parceiros já existentes em Portugal — que tiveram um papel preponderante para desenvolver a rede comercial da empresa — de que uma comercializadora recém-chegada iria realmente crescer. “Mas, pouco a pouco, cliente a cliente, fomos conquistando o nosso espaço.”
Quatro anos depois, os números falam por si. A PortuloGOs aproxima-se da dimensão da LoGOs Energía em Espanha e prevê ultrapassar os 200 milhões de euros de faturação em 2026. “Hoje, 4 anos depois, olho para trás e custa-me acreditar até onde chegámos”, confessa Pilar González. Quando nasceu em Portugal, a empresa tinha apenas sede em Lisboa, mas, entretanto, abriu uma delegação em Penafiel para cobrir o norte do país (onde se concentra a maioria dos clientes), está presente em todo o território nacional, e conta com 20 pessoas em Portugal, integradas num grupo ibérico de 70 colaboradores. Um modelo que, segundo a diretora, garante o equilíbrio certo: “Isto dá-nos autonomia para decidir o que é melhor para Portugal, sem perder as sinergias que resultam de fazermos parte de um grupo de maior dimensão.”
José Payno e Pilar González nos escritórios da PortuloGOs em Portugal.
Próximo passo: as famílias portuguesas
Depois de vários anos focada no segmento empresarial, a PortuloGOs prepara-se para, agora, entrar no mercado residencial. Consciente de que as famílias têm “ritmos e necessidades próprios”, a empresa está a adaptar processos, canais e comunicação. A mensagem é simples: “A energia não tem de ser complicada”. O objetivo é que cada família compreenda o que contrata, escolha a solução mais adequada ao seu consumo e sinta que tem uma equipa disponível sempre que precisar. “Proximidade, clareza e confiança: estes serão os nossos pilares junto das famílias portuguesas”, refere Pilar González.
Apoiar o que é nacional
Com ADN espanhol, mas vivência portuguesa, a PortuloGOs quer “sentir-se e comportar-se como portuguesa”, afirma Pilar González. Esse compromisso traduz-se no apoio ao desporto, a causas solidárias e às relações institucionais com a Câmara de Comércio Hispano-Portuguesa e a Câmara de Comércio e Indústria Luso-Espanhola. No desporto, a empresa apoia o FC Porto, o SC Braga e o Clube de Rugby do Técnico. E sem esquecer as raízes que criou em Penafiel, a PortuloGOs apoia também o AC Vila Meã. “Dentro das nossas possibilidades, queremos continuar a dar-nos a conhecer desta forma, com os mesmos valores de proximidade e compromisso com Portugal que nos trouxeram até aqui”, refere Pilar González.