Kieran Culkin tem uma regra: não fica longe da mulher e dos dois filhos mais de oito dias seguidos. Por isso, A Verdadeira Dor esteve prestes a não acontecer. Quando percebeu que a família não podia estar na Polónia com ele durante a totalidade das filmagens, quis desistir do projeto.
O realizador, argumentista e co-protagonista do filme, Jesse Eisenberg, só soube disso aquando da estreia do filme no festival de Sundance, já que o desastre foi travado a tempo por Emma Stone, uma das produtoras da longa-metragem. O telefone da atriz foi um dos responsáveis pela consagração na noite mias importante de Hollywood. Kieran Culkin venceu o Óscar de Melhor Ator Secundário graças ao papel de Benji, que embarca num passeio turístico pela Polónia com o primo, David (Eisenberg), para honrar a avó de ambos, sobrevivente do Holocausto. Completamente inconveniente — bastante comum nas personagens de Culkin —, é um homem em sofrimento, mergulhado num caos interior que, ao mesmo tempo, consegue tocar as pessoas que com ele fazem aquela viagem.
No discurso de vitória, após ter ganho o Óscar, Kieran Culkin diz que continua a não fazer ideia como chegou “aqui”. Elogiou Jeremy Strong, colega de Succession e nomeado na mesma categoria, Agradeceu à manager, a Jesse Eisenberg — “obrigado pelo filme, és um génio”. Agradeceu à mãe e também à mulher, que há um ano lhe disse: “Dou-te o quarto filho quando ganhares um Óscar”.
Sem ele é impossível imaginar A Verdadeira Dor e foi isso que Emma Stone (os dois foram namorados durante dois anos e permaneceram amigos) lhe explicou, usando uma espécie de psicologia invertida quando lhe ligou. Perante as reticências do ator, Stone disse-lhe que percebia perfeitamente se quisesse desistir, que o projeto não avançaria sem ele, mas que isso era um problema dos produtores.
▲ O ator como Benji Kaplan, em "A Verdadeira Dor", filme realizado (e co-protagonizado) por Jesse Eisenberg, papel que lhe deu o Óscar de Melhor Ator Secundário
“Eu disse: ‘Não é como se as pessoas fossem perder o emprego, certo’? E ela: ‘Sim, iriam, mas não é culpa tua. Não és responsável pelos trabalhos destas pessoas. Está tudo bem, faz o que quiseres”, recordou à Variety. Kieran Culkin desligou o telefone, respirou fundo e avisou a família que iam todos para a Polónia, onde decorre a ação do filme. Emma Stone foi no avião com eles para ter a certeza de que chegavam ao destino.
No set, foi um ator bastante imprevisível. Jesse Eisenberg revelou que nunca sabia se Culkin apareceria ou não. Descreveu o ator como uma pessoa “difícil de conhecer e imprevisível”. Aparecia sem nunca saber que cenas tinha pela frente. Contudo, quando estava presente transformava-se na “melhor atuação” que o realizador já vira. “No set é apenas uma ferida emocional aberta. E também consegue ser espirituoso.”
Eisenberg teve de abandonar tudo o que tinha preparado meticulosamente antes de os atores sequer chegarem e entregar-se ao método (ou falta dele) de Kieran Culkin. “Continuo sem saber como pensa ou trabalha. Não sabia as falas, mas eu mostrava-lhe uma página mesmo antes de começarmos a filmar e ele memorizava”, admitiu o realizador à revista Vogue.
Culkin não se preparou para o papel por sentir que “não havia buracos para preencher”, explicou ao The New York Times. “Só queria aparecer, não ensaiar e não pensar nisso porque a personagem é espontânea e surpreendente. Literalmente não dizia as falas alto até estarmos a gravar.” Eisenberg contratou-o sem audição. Não o tinha visto na série Succession ou em qualquer outro papel, mas acreditou na irmã, que lhe garantiu que Culkin era a pessoa certa para interpretar Benji.
Culkin apaixonou-se pelo argumento. “Foi um dos muito, muito, muito, muito raros argumentos em que me ri alto ao ler”, confidenciou à revista Variety. “Aconteceu aquela coisa rara de ‘Oh, eu sei quem é esta personagem e sei exatamente como fazê-lo’.” Além disso, reconheceu, ele podia perfeitamente ser aquela pessoa e uma das razões para isso não ter acontecido foi a decisão de deixar de fumar erva aos 20 e poucos anos: “Um pequeno passo em falso e era eu”.
Nas primeiras conversas com Eisenberg, Culkin esclareceu que não era judeu, mas o realizador assegurou que isso não importava. Perante o empenho e a dimensão, a tristeza, o peso e o brilho que Culkin dá a Benji, é realmente pouco ou nada relevante. Quando aceitou o papel, fê-lo sem pensar muito. A produção só começava dali a um ano, achou que era tempo suficiente, talvez até sobrasse. “Pensei: Oh, um ano? Isso nem é a vida real’. E depois passou esse ano e entrei em pânico.”
Em vez dos oito dias longe da família, ficou 25. Como é que aguentou? “Álcool”. Também pediu para ter menos um dia de entrevistas para poder viajar até Nova Iorque. “Estive em casa 32 horas e estive doente o tempo todo, portanto a viagem foi inútil, mas só precisava de estar em casa e ver os miúdos”, admitiu ao The New York Times.
“Bebe este refrigerante, usa os óculos, diz aquilo que memorizaste”
Kieran Kyle Culkin nasceu em Nova Iorque a 30 de setembro de 1982, sendo o quarto de sete filhos (o eternamente célebre Macaulay é o terceiro). Nos primeiros nove anos, a família viveu num pequeno apartamento de quatro divisões, na East 94th Street, com muitas dificuldades financeiras. A mãe, Patricia, era telefonista e o marido, Kit, um antigo ator. “Lembro-me de a minha mãe fazer um bolo que saiu inclinado porque o apartamento estava todo inclinado”, recordou numa entrevista à CBS News em novembro do ano passado.
As crianças dormiam em beliches — Kieran na cama de baixo com Macaulay — e a mãe fazia uma ginástica com cupões de desconto para conseguir comprar comida de forma económica e alimentar toda a gente. Em casa, o caos era constante, mas essas são as melhores recordações de Kieran Culkin. “Sempre que a porta se abria para deixar entrar os miúdos, eu costumava ficar de lado a contar, para me certificar de que os seis entravam antes de eu entrar”, disse à CBS News. “Também não conseguia adormecer enquanto eles não adormeciam todos. Eu só existia porque eles existiam à minha volta.”
Tinham um vizinho que trabalhava na produção do Light Opera of Manhattan e que, sempre que era preciso um miúdo para um espetáculo, lhes batia à porta. “Para os meus pais era: ‘OK, claro, de que género, de que idade? Temos uma data deles.”
Começou a fazer castings aos seis anos e apareceu pela primeira vez em televisão num anúncio publicitário sobre dificuldades de aprendizagem. A experiência não foi a melhor, com o realizador a gritar-lhe insultos como “idiota” e “estúpido” em vez de lhe explicar como atuar. “Mesmo com aquela idade, pensei: já percebi. ‘[Diz] fica aqui e faz de conta que estás triste’. Não sou um ator de método, tenho seis anos. O que é que se passa contigo?”, recordou em Smartless, o podcast de Jason Bateman, Sean Hayes e Will Arnett.
▲ Em "Sozinho em Casa" (de Chris Colombus, 1990), como o primo que só tinha de beber Pepsi; e em "A Estranha Vida de Igby", de Burr Steers (2002)
Estreou-se no cinema aos sete, ao lado do irmão, Macaulay Culkin, em Sozinho em Casa (1990) — era o primo Fuller, que bebia demasiada Pepsi e fazia chichi na cama. Não fazia ideia do que tratava o filme. O único briefing que lhe deram foi: “Bebe este refrigerante, usa os óculos, diz aquilo que memorizaste, mantém-te bonitinho e vai para casa”.
Pouco depois, graças ao sucesso estrondoso do filme e à loucura em torno de Macaulay, a família passava a vida em sets de filmagens ou a viajar de helicóptero para o rancho de Michael Jackson, Neverland. “Era o melhor sítio para brincar e tínhamo-nos uns aos outros, também. […] O Michael estava lá, claro. Era muito simpático”, disse ao The Guardian. O irmão, Macaulay, garantiu que nunca foi abusado pelo cantor nem nunca viu nada de suspeito na propriedade. Já Kieran preferiu não se pronunciar sobre o assunto que levou Jackson a tribunal em 2005.
Já disse inúmeras vezes que considera a mãe como a única progenitora. Amou-o incondicionalmente, assegura, enquanto o pai era só “uma presença indesejada”. Desde que o casal se separou em 1995, após mais de 20 anos juntos, que Kieran não tem contacto com o pai. A meia-irmã mais velha (fruto de um primeiro relacionamento do pai) morreu de overdose aos 30 anos e outra irmã, Dakota, de quem era muito próximo, morreu atropelada, também aos 30. “Só sabia quem eu era por os meus irmãos serem quem são. Perder um foi como perder grande parte de mim. […] Não fica mais fácil, mas habituamo-nos”, explicou à CBS News.
“É isto que vou fazer, não tenho outros talentos”
Macaulay afastou-se da vida de ator depois da fama astronómica atingida com Sozinho em Casa, algo demasiado avassalador para uma criança gerir. Só Kieran e o irmão mais novo, Rory, continuam a viver da representação. Enquanto cresceu, atuar era uma espécie de negócio familiar: Kieran Culkin nunca teve propriamente escolha. Desistiu do ensino secundário para fazer castings atrás de castings. Participou em projetos como O Pai da Noiva (1991), Ela É Demais (1999) e Regras da Casa (1999).
Em 2002, com 20 anos, recebeu a primeira nomeação para um Globo de Ouro, graças à interpretação de um adolescente sarcástico em A Estranha Vida de Igby. Nessa altura, no meio do sucesso do filme, percebeu que tinha chegado ali sem nunca ter decidido nada, o que foi “aterrador”. Afastou-se do cinema porque precisava de perceber o que queria realmente fazer na vida.
Quando estava a trabalhar na peça The Moment When não conseguiu travar antes de pregar uma partida ao elenco. Havia um saco com charros falsos e a tentação de trocar um deles por um verdadeiro foi demasiado grande. “Tinha 17 anos e era estúpido”, recordou ao The Guardian. Quando, numa das récitas, sentiu o odor característico enquanto viu Mark Ruffalo a dar uma grande passa, soube que estava em apuros. Ao intervalo, Ruffalo disse-lhe: “Não fumo erva há dez anos, a segunda parte vai ser divertida”. Os outros atores também se riram, mas a produção não achou tanta piada.
“A diretora de cena entrou e disse: ‘Não me interessa de quem é, nem o que aconteceu, mas Kieran, dá-me o charro’. Eu, envergonhado, entreguei-lhe o charro e ela disse: ‘Arruína a tua vida no teu tempo livre’”. Manteve-se no teatro e foi aceitando trabalhos de representação que realmente lhe diziam alguma coisa. Infinity Baby (2017) foi um deles.
Tinha 33 anos quando estava a rodar o filme e foi aí que teve uma espécie de epifania. “Pensei: Oh, é isto que vou fazer para me sustentar porque não tenho outros talentos. Estou a falar a sério: não tenho literalmente mais nada. Abandonei a escola secundária, nem sequer sei como funciona a internet, nunca tive redes sociais. Não sei o que é o LinkedIn, não sei o que é o Reddit. Não sei o que são estas coisas e é suposto ir para o mundo e arranjar um emprego?”, explicou em entrevista ao jornal The Guardian.
Em Succession (que se estreou em 2018), Roman Roy, o imaturo, irresponsável, inconveniente e traiçoeiro herdeiro de um império de media, catapultou-o para um nível de fama que não desejava, mas também lhe deu o reconhecimento merecido pelo trabalho. Quando o chamaram para o casting, foi para o papel do primo Greg, mas Culkin soube logo que quem lhe interessava era Roman. Gravou vídeos a interpretar esse papel e enviou-os a Jesse Armstrong, o criador da série, que ficou imediatamente convencido.
Refere-se à série como “suck session”, mas é um fã incondicional. Quando gravou a última cena com Sarah Snook (que interpretava a irmã, Shiv), não aguentou a emoção. “Abracei-a e fui-me abaixo”, contou à Vogue. Os dois ficaram tão amigos que Sarah Snook é madrinha do filho mais novo de Culkin.
▲ Com Michael Cera em "Scott Pilgrim Contra o Mundo" (de Edward Wright, 2010); e em "Infinity Baby", de Bob Byington (2017)
Viu todos os episódios ao domingo à noite com a mulher, como qualquer comum mortal — exceto o último, uma vez que já estava na Polónia a filmar A Verdadeira Dor. Gostou tanto da série que por vezes sonha com uma nova temporada. “Parte de mim pensa: ‘Quando é que vão ligar’? Talvez seja porque não fechei o ciclo ao não ver a merda daquele último episódio”, admitiu à Variety.
Nas filmagens é raro seguir as marcas no chão e dizer as falas exatamente como estão no argumento. Dez minutos antes de filmar uma cena são suficientes para saber o que tem de dizer. Foi em Succession que descobriu que improvisar o deixava à vontade. Na série, o showrunner e criador, Jesse Armstrong, gostava de trabalhar assim. Culkin estranhou no início, pouco à vontade, mas percebeu que a impulsividade podia jogar a favor dele. Agora — para desespero de muitos realizadores — é assim que trabalha. “Está escrito e eu entendo a personagem. E depois algumas merdas saem algumas vezes, é isso. E não o forço”, explicou à Variety.
Trabalhar assim não é para todos. Sobre o facto de poder ser rotulado como um “ator difícil”, respondeu ao The New York Times: “[Encontra-se o ritmo certo] ao trabalhar com os outros atores, desde que eles não se importem [de trabalhar assim]. Se perguntar a alguém de Succession, tínhamos uma ótima relação e nunca fui o ator difícil. Podemos apostar dinheiro nisso”.
“Tudo isto é maravilhoso, mas só estou a tentar ir para casa”
Nascido e criado em Nova Iorque, vive agora em Brooklyn com a mulher, a publicitária inglesa Jazz Charton, que conheceu em 2011 num bar. Quando o amigo que estava com ela saiu, Culkin ocupou o lugar na mesa dela e apresentou-se. “Nunca tinha sido tão atrevido. Nunca, até àquele momento, me tinha aproximado de uma mulher”, recordou numa entrevista à revista Vogue. No ano seguinte, numa viagem pelos EUA, casaram-se numa das cidades onde pararam. Até há bem pouco tempo viviam num T1 em Lower East Side que o ator tinha desde os 20 e poucos anos.
Quando recentemente venceu um Emmy, disse a meio do discurso que queria um terceiro filho. “Adorei ser um de sete, é por isso”. Durante muito tempo achou que não iria ser pai por não conseguir. “Estavamos [ele e Charton] juntos há oito anos e nunca tínhamos tomado precauções”. Ainda assim, a primeira filha, Kinsey, nasceu em 2019, e o segundo filho, Wilder, em 2021.
Diz que adorava ser pai a tempo inteiro, não gosta de falhar reuniões na escola, nem as rotinas banais. “Sinto que mais nada importa. Agora sou pai e o meu único papel na vida é esse. Essa é a vida real. Tudo isto [o trabalho] é maravilhoso, mas só estou a tentar ir para casa”, explicou numa conversa com o ator Colman Domingo.
A fama não lhe diz nada, talvez porque tenha visto como o irmão foi escrutinado em criança, além do mediático divórcio dos pais que arrastou os filhos todos para os tablóides. “Pessoalmente, não conheço ninguém que tenha atingido a fama e que goste disso. Tenho um amigo que ficou famoso do dia para a noite e o terror dele foi ter percebido: ‘Oh, é demasiado tarde. Lixei [ou um palavrão mais explícito] a minha vida’”, revelou ao The New York Times.
Apesar de, durante muito tempo, ter andado à procura da sua identidade, garante nunca ter consumido drogas. “Nunca consumi cocaína, nunca tomei comprimidos, isso nunca me interessou”, garantiu ao The Guardian, corrigindo logo a seguir essa afirmação para dizer que fumou erva.
Gosta de cozinhar, de videojogos antigos e de ver combates de wrestling — é uma verdadeira enciclopédia. Tem o braço direito cheio de pulseiras. Algumas foram feitas pela filha, outras comprou e outras foram oferecidas por fãs. As restantes, viu no braço de alguém e perguntou se podia ficar com elas. “É engraçado, às vezes, se pedirmos coisas às pessoas, elas dão, é estranho”, disse na conversa com Colman Domingo para a revista Variety.
É um pouco inconsequente, como as personagens que interpreta. A diferença, garante, é que tenta não insultar ninguém — apesar de, uma vez, ter chamado à sogra “ganso que interrompe” devido ao barulho que ela fazia antes de falar. E apesar de parecer não dar importância a nada — diz não querer saber se um filme é um fracasso porque o trabalho que tinha a fazer, está feito, e o mesmo é válido ao contrário —, o que o ator que não se leva a sério diz também não pode ser levado demasiado a sério, garantiu a cunhada Brenda Song, atriz e noiva de Macaulay Culkin.
▲ Kieran Culkin como Roman Roy, o papel que desempenhou na série "Succession" (2018-2023) e que o elevou a um patamar superior
“Todos os prémios dele estão expostos. É isso que se passa, é tudo a brincar [referindo-se aos discursos sarcásticos que Kieran profere cada vez que ganha uma distinção]. Ele tem um sentido de humor incrível, que é também humor auto-depreciativo e é maravilhoso”, disse em entrevista ao canal E!.
Desde o final de Succession (em 2023) recebeu mais de 50 argumentos e propostas de trabalho em cinema e televisão. Nenhuma lhe interessou. Em vez disso, segue-se o regresso ao teatro na Broadway, na primavera, com uma reposição de Glengarry Glen Ross. Estará ao lado de Bob Odenkirk e Bill Burr. Achou que seria uma vida mais tranquila, até perceber que teria de trabalhar seis noites por semana, perdendo banhos e jantares das crianças. Pediu aos produtores que passassem a peça de domingo (um dos dias mais fortes) para segunda-feira, geralmente o dia de folga, e contra todas as expectativas, disseram-lhe que sim.
O Óscar, o maior reconhecimento do cinema, vai agora juntar-se aos outros prémios (entre os quais dois Globos de Ouro, dois SAAG, dois Critics’ Choice Awards, um Emmy e um Bafta). Ficará arrumado na estante a assistir, sendo apenas testemunha daquilo que Kieran Culkin considera serem os verdadeiros prémios que conquistou na vida: “Estar em casa com os meus filhos, quando lhes leio histórias ou canto até adormecerem. Esse é o verdadeiro propósito da vida. O resto, faço-o para poder voltar a isso”.