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Os Ensaios do Observador juntam artigos de análise sobre as áreas mais importantes da sociedade portuguesa. O objetivo é debater — com factos e com números e sem complexos — qual a melhor forma de resolver alguns dos problemas que ameaçam o nosso desenvolvimento.

A actual pandemia veio trazer ao de cima o longo debate sobre o papel dos sectores público e privado nas economias de mercado. Para alguns, observa-se um aparente retrocesso para uma economia em que o Estado volta a assumir um papel relevante como produtor de bens e serviços, muito para além dos sectores a que está hoje confinado. Nada indica que venha a ser assim, embora uma certa corrente ideológica procure utilizar todos os pretextos como justificativo para voltar a tentar aquilo que, pela via do conhecimento científico e da experiência, se sabe que não funciona.

Antes de mais, não podemos perder a perspectiva de que estamos num período único, em que a excepcionalidade do momento limita necessariamente a capacidade preditiva. No domínio da economia, essa limitação é particularmente severa. O tremendo fluxo de informação (muitas vezes contraditória) a que estamos sujeitos, assim como a raridade do impacto da evolução pandémica sobre as empresas, as pessoas e as instituições, dificultam o rigor das análises. E isso gera um campo fértil para a indução de enviesamentos cognitivos capazes de amplificar a natural tendência de alguns para verem em todos os acontecimentos um pretexto para a consecução daquilo que sempre desejaram. De facto, perspectivar o futuro agora, no meio deste processo único, é um pouco como tentar observar o horizonte quando se está no fundo de um desfiladeiro. Claramente, não é o momento ideal.

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