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Este é o Dolby Theatre do empreendedorismo — que é como quem diz, o Centre Stage do Altice Arena

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Este é o Dolby Theatre do empreendedorismo — que é como quem diz, o Centre Stage do Altice Arena

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Do cão "Wall-E" a Margrethe "Streep" Vestager: os 11 Óscares da Web Summit /premium

  • Texto de Marta Leite Ferreira, Ana Catarina Peixoto, Manuel Pestana Machado e Ana Pimentel

Melhor ator, melhor atriz, melhor filme, melhor realizador e até a melhor banda sonora. A Academia Observador reuniu e escolheu os 11 ilustres que, em 2019, levam as estatuetas douradas para casa.

    Índice

Bem-vindos à primeira cerimónia de entrega de Óscares da quarta edição da Web Summit. A Academia do Observador elegeu os 11 melhores artistas, perdão, personalidades e momentos que marcaram a maior cimeira de tecnologia e empreendedorismo da Europa. A ver se ninguém nos troca os envelopes dourados. Bem, aqui vai: e o Óscar vai para…

Melhor Filme

Denunciantes

Juan Branco defende Julien Assange. Créditos: AFP/Getty Images

AFP/Getty Images

É um filme que se chama “Denunciantes”: começa com Edward Snowden na sessão de abertura, passou para Brittany Kaiser no dia seguinte e no outro foi a vez de Juan Branco, advogado de Julian Assange, subir a palco. O melhor filme desta Web Summit foi uma novela: não chegou aos calcanhares de uma “Gabriela”, de um “Rei do Gado” ou de uma mais recente “Avenida Brasil”, porque o enredo destes três dias se desenrolou demasiado rápido. Mas estamos à espera que a indústria de Hollywood invista mais uns milhões para garantir que este filme tenha uma sequela. Na verdade, gostávamos de uma saga inspirada em Star Wars, mas achamos que o mundo precisa de saber a verdade toda em menos episódios.

Edward Snowden, que é responsável pela maior fuga de informação dos EUA, fez a primeira parte: contou-nos a sua história e deixou alertas futuros sobre a privacidade dos nossos dados. Se este filme tiver um separador, vai ser este: “A minha geração e a geração a seguir à minha já não é dona de nada”. Seguiu-se Brittany Kaiser, ex-diretora da Cambridge Analytica e uma das responsáveis pelo uso indevido de 87 milhões de contas de Facebook para eleger Donald Trump. Como é a sua própria realizadora, confundiu-nos um pouco com a sua história (explicamos mais tarde), mas, neste plano, só se viu o rosto de Mark Zuckerberg, fundador do Facebook.

Por último, Juan Branco, o advogado de Julian Assange que quer que o hacker português Rui Pinto seja libertado. Foi a catarse antes do “corta” final: uma espécie de “Libertem Assange e Rui Pinto”, feito a partir da sala de imprensa. Foi na última parte que este filme teve mais ação, com ataques diretos a Trump, Macron e Tony Blair. Nem a Web Summit escapou às críticas. Resta saber se recorreu a duplos, para não sofrer na pele as consequências.

Melhor Ator Principal

Edward Snowden

Edward Snowden falou na Web Summit por videochamada a partir da Rússia. Créditos: MIGUEL A. LOPES/EPA

MIGUEL A. LOPES/EPA

Oliver Stone pôs Joseph Gordon-Levitt a fazer de Edward Snowden em 2016. Contudo, nada melhor do que o original. Esqueçamos Daniel Day Lewis a aceitar um terceiro Óscar ou charme de Jean Dujardin a mostrar o que de mais puro o cinema tem. Snowden mostrou como o mundo pode ser sujo. Contudo, tem salvação. E passa por nós.

Snowden passou em direto da Rússia para o palco da Web Summit. Terá sido por Skype? Messenger? Não interessa, o grande cabeça de cartaz do primeiro dia — daqueles que esgotam bilheteiras que nem um regresso da Guerra das Estrelas passado mais de uma década —- cumpriu as expectativas. O anti-James Bond da vida real da CIA (ou Jame Bond mesmo, porque há uns filmes em que este se rebela contra a pátria), explicou porque expôs o sistema de vigilância em massa dos EUA: “jurei cumprir a Constituição”. Foi o que fez? Não nos cabe a nós dizer, mas leva este Óscar do principal protagonista deste ano da Web Summit.

Melhor Atriz Principal

Margrethe Vestager

Margrethe Vestager é a comissária da União Europeia para a competitividade. Créditos: JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

A comparação de Margrethe Vestager a um David que combate os Golias das grandes empresas tecnológicas já está um pouco batida. Por isso arranjámos outra. Margrethe Vestager está para a Web Summit como Meryl Streep está para os Óscares: todos os anos está nomeada para alguma coisa porque todos os anos faz, ou pelo menos diz, alguma coisa incrível. Nesta edição, a quarta em Portugal, não foi exceção. Meryl Streep… Perdão, Margrethe Vestager veio preparada para pôr o Facebook no lugar e sacudir o ombro a Donald Trump. Mamma mia!

E “Mamma Mia!” pode muito bem servir de comparação para o início da intervenção da comissária europeia para a competitividade. Alerta spoiler: lembra-se como, nesse filme, a personagem de Meryl Streep educa a filha numa ilha grega com a ajuda da vizinhança? Pois bem. Uma das primeiras frases marcantes de Margrethe Vestager foi precisamente sobre esse assunto: “Dizem que é preciso uma vila para criar uma criança. Eu acho que é preciso uma comunidade que faça com que a tecnologia sirva os humanos. E é isso que vamos fazer”, disse ela.

Essa foi a citação do tipo musical que a comissária proferiu num dos debates mais esperados da noite. Mas Margrethe Vestager teve um momento “Dama de Ferro” com pitada de “O Diabo Veste Prada” — aquele em que apontou o dedo a empresas como o Facebook e a Google por, no meio de tanta “ambição”, não cumprirem os compromissos com os reguladores: “Ouço com muita atenção quando Mark Zuckerberg fala. Mas o que é inspirador não é apenas o que se diz, mas também o que se faz. Ele é um grande criador de um grande conteúdo. Não sou presidente do Facebook, não sou juíza, mas chegou a altura de colocar a ação à frente das palavras”, avisou.

Depois, para terminar, Margrethe Vestager voltou a encarnar uma Meryl Streep — desta vez a que deu corpo a uma jornalista, diretora do The Washington Post, no “The Post” — quando deixou uma pergunta no ar: “Simplesmente, não compreendo porque é que não pedimos as mesmas regras para o mundo digital. Temos andado com isto há décadas. Dizemos: ‘Muito bem, estas são as regras para a publicidade política’ ou ‘Estas são as regras para os debates democráticos’. Porque é que teríamos uma abordagem diferente para o mundo digital?”.

Melhor Ator Secundário

Michel Barnier

Michel Barnier é o chefe de negociações da saída do Reino Unido da União Europeia. Créditos: JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

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No Senhor dos Anéis, Gandalf é um mago sábio que tem consciência de tudo o que se passa e que chama à razão, com conselhos bem fundamentados, todas as personagens do filme. Na vida real (embora o Brexit muitas vezes mais se assemelha a uma saga de terror), esse é o papel de Michel Barnier, chefe de negociação da saída do Reino Unido da União Europeia. Francês, mas também um “europeu apaixonado”, Michel Barnier resumiu a experiência do Brexit numa simples frase: “É uma escola de tenacidade e paciência”.

Fosse este artigo uma entrega de Emmys, não de Óscares, e o político francês era uma espécie de Ross, uma das personagens do sitcom norte-americano Friends, desta Web Summit: é especialista em divórcios, mas nunca deixou de acreditar em casamentos. Pelo menos, esse meio termo não parece incomodar totalmente Michel Barnier, que, no fundo, não quer bem um divórcio. Só uma relação à distância: “O Brexit não é apenas sobre o divórcio entre a União Europeia e o Reino Unido, com tantas consequências subestimadas. É também sobre a construção de uma nova parceria com o Reino Unido, uma nova parceria que beneficia cidadãos e empresas que trabalham no Reino Unido, uma nova parceria que promove a estabilidade no nosso continente”.

Em vez de levar o Reino Unido ao altar, Michel Barnier é encarregue de conduzi-lo à certidão de divórcio. É um pouco como aqueles filmes de domingo à tarde — talvez o “Comer, Orar, Amar” porque já houve quem levasse comida e almofadas para o Parlamento britânico —, mas com um final menos previsível e um tom mais sério do chefe de negociações: “Senhoras e senhores, enquanto não completarmos as negociações com o Reino Unido, o risco de uma saída sem acordo permanece. E temos de nos manter vigilantes e preparados para qualquer final”, avisou. Afinal, isto até pode ser o “Jogos da Fome”.

Melhor Atriz Secundária

Katherine Maher

Katherine Maher é a CEO da Wikipédia. Créditos: JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

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A dona da Wikipedia subiu ao palco para nos lembrar que nem sempre se deve julgar um filme pelo trailer. Para quem esperava uma mera e aborrecida apresentação da maior enciclopédia online ou uma continuação do morno das conferências de terça-feira, Katherine Maher surgiu como uma Mary Poppins que trouxe um pouco de tudo à sala e deixou grande parte do público satisfeito com aquilo que viu e ouviu: interação, conhecimento, novidade e alertas que nem sempre são suficientemente valorizados.

Katherine Maher explicou como o mundo não está a viver uma crise de conhecimento, mas sim uma crise de confiança nos sistemas que “está a magoar a nossa sociedade, o nosso futuro e o ambiente”. Acredita também que não há ideias impossíveis sem oportunidade de um espaço no guião. Não será ela a Super Mulher que nos vai salvar a todos desta crise de confiança, mas deixou a garantia: “Confiem em vocês, eu acredito em todos”.

Melhor Realizador

Britanny Kaiser

Britanny Kaiser, ex-diretora da Cambridge Analytica e denunciante das práticas abusivas da empresa de análise de dados. Créditos: JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

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Brittany Kaiser realizou-se a si própria. Foi criadora, produtora executiva e protagonista do filme bioepic que revela a sua história e a do escândalo Cambridge Analytica. A ex-diretora da empresa de análises de dados britânica, que usou indevidamente dados de 87 milhões de contas de Facebook para ajudar a eleger Donald Trump, esteve no palco da Web Summit para apontar o dedo ao Facebook, mas esqueceu-se do mea culpa que lhe era devido.

No filme realizado por Brittany, a história conta-se desta forma simplista, mas nos ecrãs das milhões de pessoas que foram afetadas, o guião é outro. Brittany não é um Quentin Tarantino, nem tão pouco um Wes Anderson — nesta história, não há espaço para uma família Tenenbaums —, é o realizador possível para um filme que nos levanta mais dúvidas do que certezas. E realiza-o de dentro para fora, adaptando-o à realidade que quer promover. Só não sabemos ainda quanto esta realização tem de verdadeiro ou de fantasiosa.

Melhor Banda Sonora

O momento em que calaram Jaden Smith

Jaden Smith, filho de Will Smith, é músico e ator. Créditos: JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

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Havia um sítio na Web Summit dedicado à música, mas a melhor banda sonora foi tocada no palco principal. Quem não se lembra de discursos de agradecimento dos Óscares em que o galardoado teve de acabar o pensamento a correr porque havia uma música cada vez mais alta que não o deixava falar mais? Jaden Smith não ganhou nenhum prémio no evento, mas leva na memória o momento final da sua intervenção, quando tudo o que se ouvia era o instrumental de saída, cada vez mais alto, enquanto acabava de falar.

Não tinha sido o primeiro aviso musical: a banda sonora já tinha sido reproduzida duas vezes, quando a moderadora da conversa colocou a última questão. Nos dois ecrãs da Altice Arena, tudo o que se via era os oradores a irem embora, Jaden Smith a mexer os lábios e, mais tarde, uma cara de surpresa quando percebeu o que estava a acontecer. Ficou, literalmente, sem palavras. Estava mesmo na hora de sair dali.

Melhor Filme de Animação

Boston Dynamics

Marc Raibert veio mostrar um robô-cão da Boston Dynamics. Créditos: JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

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Wall-E, o filme de animação da Pixar que mostra um simpático robô que ficou a limpar o mundo depois de os humanos abandonarem uma Terra mostrou que, se calhar, podemos confiar nos robôs. Ver Spot, o robô da Boston Dynamics a entrar no Pavilhão Atlântico deixou todos os que ali estavam boquiabertos. Foi difícil olhar para o robô que subiu ao palco da Web Summit como se pudesse ser um Exterminador Implacável.

A reação do público diz muito sobre aquilo que a Boston Dynamics está a fazer pelo mundo tecnológico, como explicou o fundador da empresa em palco, Marc Raibert. Depois do entusiasmo em ver um robô-cão em palco, um simples vídeo de um robô humanóide a fazer uma sequência de ginástica arranca expressões de espanto às pessoas. E assobios — daqueles de quem gostou. Convém lembrar que esta reação é a mesma que se encontra nas redes sociais quando se vê as máquinas que nos foram prometidas para o futuro finalmente a andarem entre nós.

Melhor Filme Estrangeiro

A guerra comercial China-Estados Unidos

Michael Kratsios, diretor financeiro da Casa Branca e um dos conselheiros de Donald Trump. Créditos: JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

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Take 1. O dia estava a ser calmo. Demasiado calmo, mesmo, como pode ler neste Termómetro da Web Summit. Guo Ping, o atual líder da um dos nomes mais esperados para o arranque da cimeira, foi ao palco principal falar da tecnologia 5G.

O filme podia ter descambado logo aqui, já que, minutos antes, Edward Snowden tinha tecido críticas à marca: “Se temos de confiar na Nokia ou na Huawei, temos um problema”, afirmou. Mas Guo Ping ignorou a dica e dedicou-se apenas a dois ângulos. O primeiro, falar um pouco da tecnologia que a Huawei está a desenvolver: “Prevemos 60 redes de telecomunicações 5G até ao final do ano. Um milhão de utilizadores assinaram contratos 5G durante os primeiros 60 dias. Permite três vezes mais dados do que um um utilizador 4G consegue”. O segundo, criar um pouco de diplomacia: “A Huawei está ansiosa de trabalhar com a indústria e com as startups para criar o futuro das aplicações. Convidamo-vos a criar uma nova era inteligente”.

Take 2. No Centre Stage da Web Summit, mesmo no meio do barulho das luzes e ao lado do fundador do Wikileaks, Michael Pillsbury, diretor de estratégia chinesa do laboratório de ideias norte-americano Hudson Institute, deu voz ao elefante na sala: a guerra comercial entre a China e os Estados Unidos. “A posição chinesa é muito clara. Eles querem todas as taxas removidas ou então não darão nada em troca. E a posição americana é precisamente o contrário. As tarifas vão continuar e eles precisam de merecer algo melhor que isto se adotarem uma boa conduta”. Palavras fortes? Ainda não viu nada. Fique desse lado.

Take 3. Chegámos ao clímax deste filme. Michael Kratsios, diretor tecnológico da Casa Branca e um dos homens de Donald Trump, mete o dedo na ferida e mostra perante o público as origens da guerra comercial: “O governo chinês construiu um estado autoritário avançado, distorcendo a tecnologia para colocar a censura sobre a liberdade de expressão e o controlo dos cidadãos sobre o empoderamento, através de seu sistema massivo de censura”, atirou. E acusou: “Há notícias sobre como a Huawei instalou equipamentos tecnológicos de comunicação na sede da União Africana. Depois, os computadores deles foram hackeados e os dados foram transferidos para os servidores em Shangai todas as noites durante cinco anos”.

Take 4. Minutos depois das duras palavras de Michael Kratsios — apenas oito minutos após o encerramento da Web Summit —, a Huawei enviou para os jornalistas o que considera serem “os momentos mais marcantes” de Guo Ping no Centre Stage. Será este um recado para os Estados Unidos? E como vai acabar este filme? Não saia daí, porque nós também não.

Melhor Argumento

Marcelo Rebelo de Sousa

Marcelo Rebelo de Sousa fez a última intervenção da quarta edição da Web Summit em Portugal. Créditos: JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

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Foi uma poderosa narrativa aquela que o Presidente da República veio defender no palco principal da Web Summit. Tinha Easter Eggs e tudo — ou não tivesse Marcelo começado o discurso com um: “Conseguimos” que recordou a todos aquela vez em que o Chefe de Estado celebrou a escolha de Lisboa como cidade anfitriã das Jornadas Mundiais da Juventude.“Conseguimos. Portugal. Lisboa. Esperávamos. Desejávamos. Conseguimos”, lembra-se?

O espírito foi mais ou menos o mesmo no último dia da cimeira. Na história que Marcelo veio contar, “Lisboa e Portugal tornaram-se num centro fundamental da revolução digital, da revolução tecnológica”. Portugal é basicamente o Bruce Wayne, que à noite é Batman do empreendedorismo.

Mas como não há herói sem um companheiro fiel, Marcelo Rebelo de Sousa arranjou um Robin para este Batman: “De certa forma, a Web Summit antecipou a maior parte das mudanças mais importantes desta revolução tecnológica”.E depois criou uma verdadeira Liga da Justiça: “Com Stephen Hawking discutimos ciência, tecnologia, a vida, a morte, o passado, o presente e o futuro. Com o Al Gore, antecipámos as alterações climáticas e o aquecimento global. Com Guterres, falámos de multilateralismo. Com Michel Barnier, falámos sobre o papel da Europa no mundo”, enumerou. Mais tarde, referiu Margrethe Vestager, que é a Mulher Maravilha deste enredo: com ela “falámos do problema da competitividade nas tecnologias em mudança”.

A Legião do Mal do enredo não teve rosto nas palavras de Marcelo. Mas tinha uma kryptonite: “Falámos sem medo de manipulação que vinha tanto dos poderes políticos como dos poderes económicos. Porque sabemos que a política e a lei estão muito atrás na resposta a estes desafios. Porque precisamos de instituições internacionais mais fortes”, apontou o Presidente. É um verdadeiro combate ao mal: “Não podemos deixar ninguém para trás. O mundo está a mudar com a Web Summit porque não temos medo de falar de todas as coisas. E falamos deles com uma liberdade democrática com pessoas que representam o mundo inteiro”, terminou Marcelo. Fim.

Melhor Argumento Adaptado

Kevin Weil

Kevin Weil é responsável pelo desenvolvimento da nova moeda do Facebook, Libra. Créditos: JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

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Quando subiu ao palco principal da Web Summit, Kevin Weil venceu imediatamente o nosso Óscar para Melhor Argumento Adaptado. Num mundo que chegou a desconfiar se Mark Zuckerberg era um robô por causa da frieza que transparecia quando aparecia em palco, o diretor de produto da Calibra, a empresa do Facebook que está a desenvolver a moeda virtual da rede social, veio dar alguma humanidade ao discurso do grupo.

Mais do que isso, Kevin Weil  veio adaptar a comunicação da empresa perante o público e admitir que, apesar dos erros do passado, está disponível para reconquistar a confiança dos clientes: “Vou ser direto. Vai haver gente que não está confortável com a utilização de produtos do Facebook. E não há problema. Esse é o objetivo da forma como este sistema está a ser desenvolvido. Não se tem de usar um produto do Facebook nunca mais para ter todo o valor de uma grande acessibilidade a custos baixos”, disse.

Kevin Weil é o bom da fita, mas não tentou fazer do patrão um vilão. Ao longo do discurso, referiu-se várias vezes a Mark Zuckerberg como o bom samaritano incompreendido: “O Mark é muito movido pelas missão. E quando se compromete, realmente compromete-se”, disse numa ocasião. Parece que, além de ser um Indiana Jones que saltou de aventura em aventura — que é como quem diz, de rede social em rede social —, Kevin Weil é também o herói misericordioso da história. Vá, o Thor. E Mark Zuckerberg é um Loki: mau, nos olhos de muitos internautas; mas com bom fundo para outros.

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