Vivemos na era da inteligência artificial. Ela está em todas as frentes e torna-se impossível ignorar a sua presença. Mas será ela uma ferramenta ou um substituto? Surgiu para complementar ou erradicar aquilo que conhecíamos até aqui? Foi para abrir o diálogo sobre este tema que aconteceu, no passado dia 18 de setembro, o Fusion 2025. Este evento apresentou-se como o ponto de encontro entre a tecnologia e a humanidade, a ética e a inovação, a utopia e o pragmatismo, e a academia e a indústria, com o objetivo de cruzar perspetivas sobre inteligência artificial e contribuir para um futuro mais informado, responsável e colaborativo.
“Decidimos fazer um evento onde pudéssemos ter um espaço de discussão sobre o tema da inteligência artificial que, hoje em dia, é tão importante e onde pudéssemos trazer todas as pessoas para participarem e para darem os seus contributos”, quem o disse foi Bruno Mota, CEO da Devoteam Portugal. “O que é que se passa com a inteligência artificial à data de hoje? Há pessoas que têm medo e há pessoas que estão extremamente entusiasmadas com o tema. Nós, enquanto experts, queremos apoiar os nossos clientes, os nossos parceiros, sempre que possível, com a nossa expertise. Entre utopia e pragmatismo, o nosso objetivo é fornecer essa literacia. Para Bruno Mota, a missão passará por cada um encontrar o seu espaço, com a noção de que, ainda que esta ferramenta possa vir a substituir determinadas funções desempenhadas por humanos, existirão outras coisas novas a surgir. A palavra de ordem será, assim, reinventar.
Uma porta aberta para o futuro
Se é verdade que a inteligência artificial está a mudar a forma como comunicamos, como trabalhamos, será que estamos a ter as conversas que devíamos ter? Como é que a vamos utilizar? Como colocá-la ao serviço do humano? E como é que colocamos o humano no centro da decisão? Estas foram algumas das perguntas que lançaram o mote para o arranque da manhã. Depois das boas-vindas dadas por Bruno Mota, CEO da Devoteam Portugal, e Sebastien Chevrel, Group Managing Director da Devoteam, Patrícia Milheiro, AI Agency Strategy Director da Devoteam, juntou-se para deixar uma mensagem sobre a importância do denominador comum que juntou todas as pessoas presentes no auditório: o diálogo. Para entender a extensão da inteligência artificial, para perceber como podemos encontrar as respostas que procuramos, “não vamos fechar o debate, vamos abri-lo. Temos de fazer as perguntas certas”.
E se nunca tinha pensado em relacionar orquestras com inteligência artificial, o maestro Martim Sousa Tavares subiu a palco para mostrar como é possível fazê-lo. Fazendo o paralelismo entre a direção de uma orquestra e a direção de uma equipa, mostrou como é fundamental a vontade de se colocar as pessoas em primeiro lugar, sempre com a empatia como motor de ação. “A empatia é a capacidade de ler a sala. Ignorá-la pode funcionar no curto prazo, mas traz consequências no médio e longo prazo”. Entre o conhecimento, o raciocínio e a dita empatia, ficou clara a necessidade de encontrar o equilíbrio.
Dado o pontapé de partida, seguiram-se os painéis
A meio da manhã deu-se início aos verdadeiros momentos de troca de ideias. Com quatro painéis conduzidos e moderados pela Jornalista da SIC e moderadora de todo o evento, Ana Patrícia Carvalho, os quatro momentos dividiram-se pelos temas: Humanidade e Tecnologia; Utopia e Pragmatismo; Ética e Inovação; e Academia e Indústria. Estes painéis contaram com o contributo de diferentes especialistas, das mais diversas áreas, no que foi um verdadeiro momento de partilha e troca de ideias.
Algumas ideias-chave
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- Importância da automação da tecnologia, com equilíbrio entre a criatividade humana;
- Importância de organizar equipas para acompanhar todo este desenvolvimento;
- Falácia: tratar a Inteligência Artificial como se se tratasse de uma máquina. É uma ferramenta que, como qualquer outra, precisa de ser entendida para ser possível de utilizar em todo o seu potencial;
- Necessidade de um equilíbrio entre inovação, proteção do cliente e de todos os colaboradores;
- 71% das organizações que investem em IA ainda têm dúvidas sobre ela. Torna-se fundamental abrir portas ao diálogo para que o tema possa ser desmistificado;
- Impacto da IA em temas como a sustentabilidade, através da eficiência de processos. É uma ferramenta para agilizar aquilo que é a empresa, com uma rapidez de adoção e de aprendizagem. Ficou claro o benefício da utilização da IA em tarefas de baixo valor, funcionando como um bom assistente nas restantes;
- Importância da literacia na transformação de processos e posterior implementação de inteligência artificial, com capacidade de impactar diferentes departamentos de uma empresa;
- IA como futuro da liderança;
- É importante pensar numa inteligência artificial responsável e regulada. A regulação não deve ser um travão, mas sim um facilitador para as empresas. A existência de regras permite que as empresas saibam para onde podem avançar;
- IA como escudo de proteção ou como arma? Ambos. A adoção de IA requer a avaliação de novos riscos. É necessária a criação de ecossistemas seguros e éticos;
- É preciso, mais do que nunca, preparar profissionais e gerações futuras para a adoção e utilização desta ferramenta. É necessário adotar e apostar numa escola de resolução de problemas;
- Academia e indústria: haverá uma ponte entre as duas? Ficou claro que sim. Apostar num esforço colaborativo entre universidades, instituições e empresas, pode ser o caminho para acelerar o ciclo de inovação para a inteligência artificial em Portugal, promovendo um ecossistema mais rico e com espaço para o progresso tecnológico.
Entre troca de ideias, diferentes perspetivas e opiniões, a manhã de debate chegou ao fim com as palavras de Gonçalo Saraiva Matias, Ministro Adjunto e da Reforma do Estado. “A decisão humana é sempre indispensável e é sempre insubstituível”, começou por dizer, acrescentando: “Ninguém quer desempenhar tarefas de baixo valor acrescentado. É preciso deslocarmos as pessoas para desempenhar as tarefas de alto valor. As pessoas têm de ser formadas, valorizadas, para que todas possam tirar partido da tecnologia”. Numa mensagem de esperança para o futuro, o Ministro Adjunto terminou com a ressalva de que “Portugal tem todas as condições para liderar a transição energética”.
Ao longo de toda a conferência, ficou claro que a inteligência artificial surge não como uma substituição das nossas capacidades, mas sim como uma amplificação do nosso potencial. Saber aproveitá-la é a verdadeira ferramenta. Assim, é caso para dizer que a evolução não deve ser vista como um campo de batalha, mas antes como um lugar de cocriação. Um verdadeiro espaço de possibilidades, onde todas as ideias se encontram.