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Victor Machado

Victor Machado

Lisboa com “Mais Ar Para Viver”

A arte tem o poder de transformar informação em conhecimento. Consegue desmistificar, simplificar, tornar acessível. Traduzir a DPOC numa obra de arte não só é possível, como aconteceu.

No passado dia 18 de maio, todos os caminhos foram dar à Avenida da Liberdade. Sendo uma das zonas mais poluídas da cidade, foi o palco escolhido para a inauguração de um Mural, uma ação da campanha “Mais Ar Para Viver”, pensada pela Sanofi e parceiros. Aqui, o mote foi tornar o invisível, visível, com uma intervenção artística pintada ao pormenor, pela artista Mariana Malhão, a convite da plataforma Underdogs.

Esta ação aconteceu graças à parceria com entidades como a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDR LVT), o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), do Grupo de Estudos de Doenças Respiratórias (GRESP) da APMGF, da Fundação Portuguesa do Pulmão (FPP), da Associação Portuguesa de Pessoas com DPOC e outras Doenças Respiratórias Crónicas (RESPIRA), e da Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP). Com o objetivo de continuar a alertar para a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC), a quinta principal causa de morte em Portugal, a campanha deu agora mais um passo na sensibilização para esta doença e recorreu à arte para apelar à reflexão e ao diálogo.

Provavelmente já passou por ela, sem nunca lhe ter dado a devida atenção. Provavelmente não se terá apercebido de que se trata de uma Estação de Monitorização da Qualidade do Ar. O que é certo é que esta estrutura, situada na Avenida da Liberdade, em Lisboa, foi a tela escolhida para a concretização do colorido mural, que funcionará, daqui em diante, como um lembrete para a importância do ar que respiramos. Com uma história circular, cada capítulo é contado de acordo com o lado em que decidirmos começar a vê-la. Nesta paisagem, os balões assumem a forma de brônquios – ora vivos, leves e cheios de ar; ora murchos e vazios, privados de oxigénio e vitalidade. No fundo, a obra é um contraste entre os fatores que se associam à doença e a esperança num futuro mais consciente. Sempre com o lembrete de que as crianças de hoje simbolizam os idosos saudáveis do futuro e que os elementos naturais são a ideia de regeneração, cuidado e continuidade.

  • Victor Machado
  • Victor Machado

Para Mariana Malhão, a artista por detrás da obra, “os elementos de natureza, como as árvores, têm a forma de um pulmão e, na verdade, essa é a sua função no planeta. As borboletas também se parecem com um pulmão e também elas são sensíveis ao ambiente onde vivem, tal como nós, humanos. Como é uma doença que afeta principalmente as pessoas mais velhas, decidimos incluir duas pessoas idosas. Mas a criança também está presente para mostrar que as crianças de hoje são os idosos de amanhã e que o que fazemos hoje vai influenciar-nos mais tarde. É essa a ideia de esperança, de poder agir e não ser uma coisa fatalista. A doença acontece, mas nós podemos fazer alguma coisa para melhorar”.

A inauguração aconteceu entre as 15h e as 17h, com o ritmo da cidade como pano de fundo, e contou com momentos de intervenção de cada um dos parceiros. Em todos eles, ficou clara a noção da importância do dia vivido, e da iniciativa, para uma consciencialização, e ação, que se quer cada vez mais evidente.

Perspetivando o impacto da iniciativa na ação, Vasco Anjos, Vereador da Câmara Municipal de Lisboa, com o pelouro do Ambiente, não hesitou em esclarecer que a arte tem um papel de comunicação que se estende a todos os níveis. “A arte comunica aquilo que quer e é um dos raros comunicadores para grandes massas. Portanto, apoiar todas as iniciativas que envolvem artistas, quando promovem valores tão importantes como aquele que estamos aqui hoje a partilhar, é da maior relevância para todos e para a cidade”.

Já Gonçalo Conde da Costa, Vice-Presidente da CCDR LVT, faz das palavras do Vereador do Ambiente da autarquia lisboeta as suas, complementando: “A monitorização da qualidade do ar é feita com todo o rigor científico e constitui uma missão central da CCDR LVT. Esta iniciativa permite trazer para o espaço público, para os munícipes e para quem nos visita, uma ligação essencial entre a qualidade do ar que todos respiramos, a saúde pública e a qualidade de vida.
“Precisamos de prevenir. E como é que fazemos isso? Com campanhas como esta. É sabido que a má qualidade do ar promove o aparecimento de doenças respiratórias, entre elas a DPOC. E nós sabemos que esta doença está subdiagnosticada em Portugal. Portanto, precisamos de diagnosticar precocemente e, depois disso, é necessário tratar adequadamente”
Cristina Bárbara, Diretora do Programa Nacional para as Doenças Respiratórias da Direção-Geral da Saúde

Além do momento da inauguração, e ao longo da tarde, a Fundação Portuguesa do Pulmão esteve presente no evento, a realizar rastreios respiratórios através de espirometrias gratuitas, um exame simples para avaliar a função respiratória. A par de todos os envolvidos, qualquer pessoa que passasse por ali poderia realizar o exame, esclarecendo dúvidas, sem qualquer hesitação.

Palavra de Parceiro

“Sem pulmão não respiramos. Portanto, a sensibilização tem de partir daqui. Respirar é viver. E esta é a mensagem que temos de passar. Viver bem, viver com qualidade é sempre o nosso objetivo. É fundamental prevenir e, para isso, temos de falar dos assuntos, falar dos sintomas e rastrear as pessoas. Fazer rastreios, com o objetivo de identificar logo no seu início. Mas depois não chega rastrear. É preciso rastrear e tomar medidas”
Maria da Conceição Gomes, da FPP
“Nós promovemos muitas ações de formação para profissionais de saúde, não só médicos de família, como de outras áreas. E a formação também é extremamente importante para capacitar estes profissionais para tratar esta patologia e a diagnosticar precocemente. Existe cerca de 86% de subdiagnóstico da DPOC. Mais do que nunca, é necessária uma atuação multidisciplinar”
Ricardo Brás, GRESP da APMGF
"Segundo os últimos dados, 70% das pessoas não sabiam o que era a DPOC. Se perto de um milhão de pessoas em Portugal terão esta doença, não faz nenhum sentido não a conhecerem. Não conhecendo a doença, não se conhecem os sintomas. Não conhecendo os sintomas, as pessoas não vão ao médico, não o pressionam para lhes fazer a espirometria. Portanto, a sustentabilidade do sistema de saúde não é poupar na prevenção, mas sim apostar na prevenção”
José Albino, presidente da RESPIRA

Duarte Mesquita, Diretor Médico da Sanofi Portugal, alertou para a importância de reconhecer os sinais, muitas vezes esquecidos e desvalorizados, bem como de procurar ajuda junto dos profissionais de saúde, sempre que for necessário. Para este responsável, a arte pode assumir um papel fundamental neste caminho, dando uma perspetiva um bocadinho diferente, “que acreditamos que também apele mais às emoções das pessoas”. E concluiu: “Que, através da arte, a mensagem fique de alguma forma interiorizada e as pessoas possam procurar ajuda sempre que necessário”.

“Se pensarmos que a DPOC é a quinta doença que mais mata em Portugal, naturalmente que há um problema. A Sanofi está comprometida em combater a falta de literacia em saúde, mais concretamente em saúde respiratória. E, portanto, acreditamos que esta iniciativa possa, de alguma forma, contribuir nesse sentido, porque é importante que as pessoas percebam que a DPOC é uma patologia que é tratável, mas que tem de ser diagnosticada o mais atempadamente possível. Com isto, esperamos que as pessoas estejam atentas e curiosas para saber mais sobre a doença, mas não só.”
Duarte Mesquita, Diretor Médico da Sanofi Portugal

A tarde terminou com uma certeza: o ganho está em prevenir. Se a DPOC é uma realidade, viver com ela também pode ser possível. Mas, para lá chegar, é preciso adquirir conhecimento, diagnosticar a doença e perceber o que podemos fazer para a controlar. O primeiro passo pode ser passar pela Avenida da Liberdade, apreciar este novo Mural e perceber como é que podemos ter “Mais Ar Para Viver”. Acredite, as suas cores não passarão despercebidas. Vamos a isso? Não deixe para amanhã o ar que pode respirar hoje!

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