Nuno Afonso saiu a mal do Chega, em rutura com André Ventura e grande parte do seu núcleo duro, e no livro que acaba de lançar “Ontem Éramos o Futuro” não poupa ninguém. Acusa Ventura de “traição” e, página após página, procura mostrar que o líder do Chega é o responsável não só por más escolhas dentro do partido — com inúmeras críticas à bancada de deputados da qual ficou de fora por opção do presidente do Chega — como por alimentar e “incentivar lutas internas”. Em 500 páginas, Nuno Afonso praticamente só defende quem esteve sempre ao seu lado durante todo o processo e não tem problemas em lavar roupa suja, nomeadamente divulgando conversas privadas que teve desde a formação do partido até à saída.
Praticamente dois anos depois de se desfiliar do Chega — uma decisão tomada meses depois de ser exonerado por Ventura de chefe de gabinete — Nuno Afonso resolve publicar um livro sobre o partido do qual foi fundador e militante número dois. Braço direito de Ventura durante muitos anos e amigo de longa data, Nuno Afonso não perdoa o facto de o presidente do Chega não ter aceitado a exigência de ser número dois por Lisboa quando considerava que nenhuma das opções tinha mais competência do que ele — algo em que insiste no livro — e cita Francisco Sá Carneiro para dizer que o que não pode, porque não tem esse direito, é calar-se “seja sob que pretexto for”.
E não se calou: defende que o Chega foi criado por “pessoas bem-intencionadas”, que se “desvirtuou” entretanto e tornou-se num “albergue para os rejeitados de outros partidos, para desempregados, incapazes e sobretudo transformado numa espécie de uma seita”. Aos olhos do ex-militante, tornou-se na “representação do pior que o chamado sistema apresenta”. Diz ainda que o Chega é agora um partido “sem ideias” e “sem vontade de mudança”.
A “pequena traição” de Ventura a Passos
Pouco depois do arranque do livro, Nuno Afonso dedica algumas páginas à amizade com André Ventura (“BFF”, forma abreviada para best friend forever em inglês, melhores amigos para sempre, em português) , a recordar como o presidente do partido chegou à política e à fundação do Chega — quem o fez, como e com que intuito.
Antes, conta uma história muito idêntica ao já conhecido esquema com que André Ventura procurou fazer oposição a Rui Rio, dentro do PSD, mas desta vez relativamente a Passos Coelho — alguém por quem o presidente do Chega sempre mostrou admiração (e que até ponderou apoiar caso se candidatasse a Belém).
Conta que, no início de 2015, “um muito restrito grupo de militantes esteve envolvido no lançamento do movimento quase secreto ‘Um Novo PSD – uma nova forma de fazer política é possível’”, que explica ter sido uma “ideia” de André Ventura. O objetivo do então militante do PSD e agora líder do Chega era, escreve Nuno Afonso, “promover um conjunto de novos valores na forma de fazer política, mas sobretudo estabelecer as bases para uma futura candidatura à liderança do partido, que apesar de nunca ter assumido diretamente na fase inicial, mesmo entre nós, seria a sua”.
“Mais tarde já viria a assumir que poderia ser ele o porta-voz, ‘se ninguém se importasse’, e enfrentar ele o presidente à altura, Pedro Passos Coelho”, escreve Nuno Afonso no livro, dizendo que se baseia em e-mails que tem na sua posse dessa altura — uma ideia que já tinha contado numa entrevista ao Observador, no programa Vichyssoise. Assegura que o “grande entusiasta” era André Ventura, que faltava apenas definir o timing — devido às eleições legislativas que se realizavam em outubro nesse ano (2015) — e que “provavelmente Passos Coelho nunca soube desta pequena traição”. Aliás, recorda até que, em 2019, “André Ventura tentou cavalgar a onda de popularidade de Passos Coelho entre o eleitorado do PSD e CDS, como estratégia política.”
Nuno Afonso: “Ventura fingiu que não sabia de nada em situações mais graves do que a de Arruda”
No livro, Nuno Afonso remete para uma altura em que foi eleito para o Conselho Nacional do PSD e começou uma tentativa de levar Ventura a candidatar-se a Sintra. Realça que o agora líder do Chega lhe terá enviado um artigo para publicar no jornal regional que “o apontava como possível candidato a Sintra”. “Ao jornal, vários congressistas sublinharam, efetivamente, que André Ventura ganha aqui uma grande base de apoio e legitimidade…”, recupera, sugerindo que os “vários congressistas” na “realidade chamavam-se todos André Ventura”. Garante também que, apesar de ter recebido contactos de várias pessoas que “não reconheciam ao André méritos ou capacidade” para tal, continuou a apoiá-lo.
Ora, a verdade é que a candidatura a Sintra nunca aconteceu, mas foi o facto de conseguir ser cabeça de lista a Loures que catapultou Ventura para uma dimensão diferente, até na política nacional, que levaria mais tarde à criação do Chega — um projeto em que ambos trabalharam.
LUSA
Nuno Afonso acusa Ventura de ser “líder fraco” que “incentiva lutas internas”
Nuno Afonso dedica longos capítulos a esses tempos, desde a fundação do Chega à recolha de assinaturas — em que ficou no olho do furacão devido a alegadas falsificações de assinaturas para a fundação do partido, um processo que acabou arquivado. Contudo, dá também muito destaque a momentos mais recentes e que o atiraram para fora do partido.
Chama-lhe “traição” sem pudor e não parece ter qualquer embaraço em expor momentos pessoais entre ambos (e não só) — designadamente conversas privadas com André Ventura, muitas até com citações. Acusa o homem que considerava amigo de gerir o gabinete parlamentar do Chega “da mesma forma e com os mesmos esquemas que faz no partido, incentiva as lutas internas, subvertia deliberadamente as hierarquias” — “Se a mim falava mal dos outros, acredito que com eles fizesse o mesmo sobre mim.”
“É assim que Ventura ‘lidera’ reflexos de um ‘líder’ fraco, desorganizado e acima de tudo inseguro que precisa de dividir para que ninguém ouse contrariá-lo, para que não haja amizades que lhe possam fazer qualquer espécie de sombra e para ter sempre gente sem espinha dorsal que faz gáudio, ou melhor, não tem vergonha nem dignidade, para fazer queixinhas, como se de crianças se tratassem”, escreve no livro.
Aliás, Nuno Afonso atribui até responsabilidades a André Ventura, insinuando que começou a “desconfiar e posteriormente a confirmar que era o próprio André quem urdia e incentivava as conspirações” contra si, “revelando esse que é o seu modus operandi”. Afirma até que Ventura pôs contra si um presidente de uma distrital e diz que o mesmo assumiu numa publicação que cita: “Tinha ordens para correr com ele (eu) em Amares, ou pensas que o ódio e desagrado era solteiro!? Eram ordens meu caro amigo. Ordens.” O que leva o ex-militante do Chega a concluir que “desde o início de 2020 que Ventura já tentava atirar uns contra os outros, neste clima de guerra permanente”. E, como em grande parte do livro, para provar o ponto, escreve: “A mim, também me falava mal deste e de outros presidentes de distritais.”
Noutra parte do livro recupera um episódio de uma Convenção do Chega, em que lhe terá sido pedido para abordar a “produtividade do grupo parlamentar” e percebeu que pessoas que se tinham inscrito depois começaram a falar antes. Resolveu pedir explicações a André Ventura, que lhe terá dito que “isso é com a mesa”. “Na mesa, questionei o motivo de todas aquelas pessoas me terem passado à frente, qual tinha sido o propósito das inscrições, se não eram cumpridos os parâmetros anunciados, responderam-me que eram “indicações do André”. Eu retorqui: “Mas ele acabou de me enviar uma mensagem a dizer que a responsabilidade disso era da mesa”, então mostraram-me as mensagens de Ventura, a dar as indicações de quem deveria falar e por que ordem. Confesso que, apesar de nesta altura já saber quem era Ventura e o seu modus operandi, fiquei surpreendido com a desfaçatez”, conta.
Sobre um artigo de opinião que escreveu em determinada altura, Ventura terá questionado Nuno Afonso relativamente ao conteúdo e à utilização do termo “populistas” associado ao Chega. De acordo com as citações que disponibiliza no livro, o autor terá dito que “o Chega é um partido populista” e que estudou Ciência Política, apontando que nem sequer era “algo pejorativo”. “Neste ponto ele interrompeu-me ainda mais chateado, “mas isso lês tu que sabes, eles não sabem isso…, também já aborrecido respondi, “mas isso é um problema teu, se escolheste para o teu lado gente que não percebe nada de política é um problema teu!”
Aos olhos de Nuno Afonso há, agora, a ideia de que “Ventura representa tudo o que de mal critica nos outros”, acusando-o de em 2022 ter provado que “qualquer um pode ser deputado, mereça ou não, tenha ou não capacidade para trabalhar em prol do nosso país”. “Quando eu, em reunião de direção apontava o não ter ‘rabos de palha’ como algo importante para os futuros deputados, parece que Ventura se esforçou para me contrariar ao máximo”, escreve.
“Deputados serão mais uma pastilha elástica de Ventura”
Em várias páginas, Nuno Afonso praticamente destrói um por um as pessoas que rodeiam André Ventura. E não só: faz questão de revelar conversas e opiniões onde procura provar que o líder do Chega se quis rodear de “pessoas que nunca o confrontariam por terem tudo a perder”.
Começa por Pedro Pinto, que garante que “não caiu nada bem” que fosse o candidato por Faro, desde logo para a distrital, realçando que “chegaram a dizer ao André que não queriam especificamente essa pessoa, muitos diziam que iria fazer a campanha sozinho, porque não participariam em ação nenhuma (uns cumpriram, outros não), uns ameaçaram demitir-se e sair do partido (uns cumpriram, outros não), mas depois da intervenção direta do presidente e de terem entendido que o melhor seria não contrariarem, aceitaram a escolha”.
Recuperou o tema de um confronto no corredor da Assembleia da República com um assessor do Chega, em que Pedro Pinto chamou “anão” a Nuno Saraiva e “com uma atitude agressiva ameaçou partir-lhe “a tromba”, acrescentando “ainda tens muito que crescer para me chamares fascista”. E foi também buscar o caso em que o líder parlamentar “terá agredido um árbitro de futebol de 18 anos e tentou agredir um outro da mesma idade, num torneio de futebol de formação em que participava a equipa do seu filho”.
“Já no ano anterior tinha ocorrido uma situação com algumas semelhanças num torneio de futebol em Arronches, no distrito de Portalegre, mas não foi noticiado porque o envolvido se recusou a falar com jornalistas e a apresentar queixa, mas há mensagens escritas em que confirma o que sucedeu. O que fez Ventura? Desculpabilizou o agressor, tal como habitualmente acusa os outros de fazerem e não tomou qualquer atitude ou teve quaisquer palavras de condenação para com agressões”, aponta, contando ainda que, alegadamente, houve um Conselho Nacional em que “Pedro Pinto e mais outros líderes distritais correram atrás do Jorge Rodrigues de Jesus para o ameaçarem” e que “uma militante do partido de Beja, Irene Martins, também uma das mais antigas no partido, partilhou nas redes sociais mensagens de assédio”.
Nuno Afonso prossegue com críticas a outros deputados do Chega, escreve que Bruno Nunes, tal como “outros colegas do grupo parlamentar”, “tinha dívidas em nome da empresa, outras em nome individual, [e] pagou muitas delas antes das eleições”. “É um português de bem calmo e controlado”, ironiza, para logo descrever uma mão cheia de alegados episódios: “Envolveu-se em confrontos físicos com um funcionário do partido (Gerardo Pedro, ex-dirigente nacional), à frente de testemunhas.
Posteriormente, num dos episódios rocambolescos que envolveram o partido nos corredores da Assembleia da República, provocou verbalmente e terá tentado encostar a cabeça ao deputado social-democrata André Coelho Lima, que discutia com o também deputado Pedro dos Santos Frazão, depois deu-se o episódio de violência contra o deputado do próprio partido Gabriel Mithá Ribeiro, que terá acontecido na sala Acácio Lino.”
Sobre Pedro Santos Frazão, a quem até faz alguns elogios, diz que “entre insultos e mentiras” já tem “vários casos contra si” e recorda o caso do autocolante na porta de Joacine Katar Moreira na Assembleia da República, quando ainda nem era deputado, para defender que “não foi esse Chega” — “misógino e homofóbico” — que, realça, ajudou a “criar”. Conta que num Conselho Nacional sugeriu a uma militante que se referiu a ele como veterinário que lhe daria “consultas gratuitas”. “Fez o seu número, este tipo de ofensas resulta muito bem entre os seguidores de Ventura”, critica, prosseguindo para dizer que também numa comissão parlamentar “atacou despudoradamente a sem grande nexo uma deputada socialista, foi agressivo e desrespeitador”.
Para o ex-chefe de gabinete, que tem acusado André Ventura de ser um líder como os outros, todos os casos que reporta no livro têm duas semelhanças: “O envolvimento do mesmo deputado e o conhecimento por parte de André Ventura, que não tomou qualquer medida quanto a estes episódios (porque há mais) de violência ocorridos na Assembleia da República, envolvendo deputados seus.” Acusa até o líder do Chega de ter estado “presente” em alguns casos — alegadamente até quando “o Gabriel [Mithá Ribeiro] foi, alegadamente, agredido pelo Bruno Nunes” — e de ter dito que “não se apercebeu de nada”. “Um deputado é agredido por um colega, em plena Assembleia da República e nada é feito?”, questiona.
JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA
Rui Paulo Sousa é outro dos visados no livro de Nuno Afonso, que diz que “também ficou conhecido por, além de português de bem e alguém que em plenário diz “póssamos”, “seijamos” e se engasga com palavras com mais de três sílabas, ter uma extraordinária capacidade de acumular cargos políticos”. “As mulheres são conhecidas pela sua capacidade de multitasking, Rui é todo um outro campeonato”, remata, numa referência ao facto de ter acumulado vários cargos ao mesmo tempo.
Recordando o processo do jantar em Braga em plena pandemia da Covid-19, Nuno Afonso revela que Rui Paulo Sousa apresentou a demissão e que André Ventura não aceitou. Diz até que “com o passar do tempo” se tornou a “pessoa mais próxima de Ventura”. E deixa um caso por contar, mas não se coíbe de o deixar no ar: “Também ainda durante a campanha presidencial circulou uma notícia que confirmei com o pai da Rita Matias e com outra pessoa que assistiu, mas este caso guardarei, por agora. Correu o partido e foram os próprios amigos que puseram esta história cá fora.” No mesmo sentido, também sobre o agora deputado Ricardo Dias Pinto diz que sabe “muitas histórias” que não lhe agradam, mas que não as revela por serem “do foro pessoal”.
“Estes deputados serão, na sua maioria, mais uma pastilha elástica de Ventura. Estão ali agora para se prestarem a estas figurinhas e depois de perderem o sabor (serem queimados política e socialmente) serão cuspidos por aquele a quem prestam vassalagem”, escreve Nuno Afonso, apontando também que Pedro Pessanha é “fácil de entender” e que Ventura “nunca o respeitou, nunca lhe reconheceu qualquer mais-valia” e “chegou a gozar com um discurso enfadonho a que teve de assistir dele em Lisboa” — “Usou-o e até em eleições para a Distrital de Lisboa, disfarçadamente apoiou outro candidato, contra Pessanha e Bruno Nunes”, sugere.
Por outro lado, conta também a sua versão sobre aquilo que diz ser a visão de André Ventura relativamente a Bruno Nunes: “É um caso diferente”, entende, salientando que o líder do Chega “reconhece-lhe valor político e experiência”. O problema, diz, foi Ventura ter visto Bruno Nunes perto de si. E explora um cenário em que acredita: Ventura “fez, portanto, aquilo que os manuais de estratégia ensinam, “dividir para conquistar”. Ao oferecer emprego ao Bruno, ao Pessanha, ou ao Filipe Melo (…), Ventura não pretendia mais [do] que isolar-me. Obviamente que me apercebi desta jogada bastante atempadamente, não foi algo de extraordinário, era o previsível”, remata.
Sublinha também que o presidente do Chega “sabe que o Bruno Nunes não é de confiança”. “Disse-mo várias vezes, a última delas quando em dezembro conversávamos sobre as suas escolhas”, atira, assumindo que disse a Ventura que Bruno Nunes seria “o primeiro a virar-se contra ele, mas pela calada”. “‘Preocupaste-te e tentaste destruir-me a mim, que te ajudei a fazeres um bom trabalho e não tenho interesse nenhum no teu lugar e puxaste para o teu lado o gajo que te vai dar a facada’, disse-lhe eu a rir”, conta. Ao que Ventura terá, segundo escreve Nuno Afonso, respondido: “Eu sei bem quem é o Bruno Nunes, não te preocupes”. Além disso, entende que Ventura tem posto Bruno Nunes no “seu lugar”.
Nuno Afonso aborda também o tema da página “Sérgio Pereira” — que durante muito tempo publicava fugas de informação do Chega no Facebook — para dizer que Bruno Nunes tinha uma “estranha obsessão” por esse tema e sugeriu que o deputado, a dada altura, “contactou alguns antigos militantes, prometendo que se lhe dissessem quem era o autor da referida página, conseguiria que voltassem ao partido com os números iniciais”.
A determinado momento, alegadamente quando André Ventura terá dito a Nuno Afonso que tinha de “decidir de que lado” é que queria estar, o ex-militante número dois terá dito: “Olha, André, eu sei de que lado não quero estar. Não quero estar ao lado de gajos que têm filhos deficientes e não pagam pensão de alimentos, não quero estar do lado de gentinha que faz boas vidas e deve dinheiro a toda a gente, não quero estar ao lado de gajos que falam em princípios e valores e usam dinheiro do Estado para viajar, não quero estar ao lado de deputados que ofendem e gritam a mulheres como vi hoje. E sabes uma coisa? O André Ventura que eu conhecia há 25 anos também não estaria desse lado de certeza.”
Nuno Afonso conta que André Ventura terá ficado “vermelho” a a “enfiar-se no cadeirão”, o que o leva a concluir que o presidente do Chega sabia que “tinha razão”: “Um dos problemas do André comigo (e com mais algumas pessoas) é precisamente porque reconhece que não tem o caráter e a idoneidade que ele próprio queria ter, somos um pouco a sua bússola moral, que lhe aponta as suas falhas de caráter.” O ex-chefe de gabinete garante ter sido ameaçado para declarar que estava “incondicionalmente com o presidente do partido” — algo que diz ter recusado fazer e que lhe terá valido a exoneração. Ainda assim, Nuno Afonso volta a criticar André Ventura, desta vez para dizer que tem uma “muito limitada, para não dizer inexistente, capacidade de conviver com o contraditório, ou com o pluralismo”.