“Charlie Chaplin já entrou num concurso de sósias de Charlie Chaplin e ficou em terceiro lugar.” É assim que começa a publicação, uma de milhares que correm as redes sociais, e que alegam o mesmo facto. O ator e comediante britânico Charles Spencer Chaplin (1889-1977) não conseguiu ser o melhor sósia de si mesmo. A partir daí, diferentes publicações acrescentam mensagens de automotivação e autoajuda.

O boato tem mais de 100 anos e começou a ser divulgado em 1920, tendo chegado a ser publicado em vários jornais internacionais. No entanto, o próprio ator viria a desmentir a veracidade dessa história numa entrevista dada à revista Life nos anos 1960.

Publicação já foi partilhada mais de 200 vezes

O site brasileiro dedicado à verificação de factos desde 2002, o E-Farsas, levou a cabo uma grande investigação para concluir se a história é verdadeira ou não. Foi um comentário deixado no site que ajudou a desvendar a história: Jeffrey Vance, autor do livro “Chaplin: Genius Of The Cinema” (2003) alertou para uma entrevista de 1966 — e de que ele fala no seu livro — onde o comediante britânico fala, e desmente, a história.

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Contactado o Arquivo de Charlie Chaplin, foi cedida uma imagem da transcrição da entrevista dada ao jornalista e editor da revista Life Richard Meryman. “Porque é que eu faria isso? Passo o dia todo a trabalhar e certamente não iria querer fazer isso [entrar num concurso de sósias]”, respondeu Charlie Chaplin ao entrevistador.

A transcrição da entrevista cedida pelo Arquivo de Charlie Chaplin ao site brasileiro de fact-checks E-farsas

Conclusão

O próprio Charlie Chaplin desmentiu o boato, que circula desde os anos 1920, numa entrevista em 1966 ao jornalista e editor da revista Life Richard Meryman, como é possível verificar na transcrição da entrevista cedida pelo Arquivo de Charlie Chaplin ao site brasileiro de fact-checks E-farsas.

Segundo a classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

Nota: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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