As sugestões de que um”ex-general” da NATO “surpreendeu o mundo” ao apelar que a Europa para declare guerra aos Estados Unidos caso Trump tome posse da Gronelândia estão a circular nas redes sociais, com a argumentação de que aquilo que parecia “impensável está agora a ser dito em voz alta pelos aliados europeus”.

Em causa está o tenente-general (não ex-general) francês Michel Yakovleff, ex-NATO, que deu uma entrevista ao canal Télévision Française 1 e que falou num “divórcio” e não num conflito armado iniciado pela Europa como retaliação aos EUA. Quando foi questionado sobre a possibilidade de Donald Trump decidir invadir a Gronelândia, território pertencente à Dinamarca, o tenente-general explicou que isso seria, “por definição”, o “fim da NATO”.

Yakovleff começou por ser perentório: “Não vamos entrar em guerra com os Estados Unidos porque não temos meios para ir para a guerra contra os Estados Unidos.” E explicou que a Europa seria “como uma criança perante um progenitor tóxico” e que seria “apanhada de surpresa”, justificando que os países europeus é que sairiam prejudicados. “Se a NATO acabar e Trump falar connosco dessa forma, é altura de falar com os advogados e falar em divórcio. Temos de pôr um ponto final nisto”, resumiu.

Ainda que não o tenha dito na entrevista, Michel Yakovleff queixou-se, em declarações ao Snopes, que não lhe foi dado tempo para se explicar e assegurou que isso “não representa a totalidade das suas opiniões”, que considera serem “um pouco mais sofisticadas” do que disse até ser “interrompido”. Para o tenente-general, é relevante a criação de uma “força simbólica europeia” destinada a enviar mensagens políticas e não a travar uma guerra real com os EUA.

Mais do que isso, acrescentou também que “provocar Trump de forma aberta e direta não está, neste momento, em cima da mesa”. Na opinião do especialista, era relevante destacar uma “pequena força” para a Gronelândia para proteger, por exemplo, edifícios públicos, para que, caso as tropas norte-americanas entrassem no território, tivessem “a perspetiva de confrontar alguns dos seus aliados”. “É claro que venceriam”, esclareceu, mas deixou claro que, “do ponto de vista dos fuzileiros navais dos EUA, das forças especiais ou de quem quer que fosse, disparar efetivamente contra aliados europeus seria algo ligeiramente problemático”.

Conclusão

Não é verdade que o tenente-general francês Michel Yakovleff tenha apelado a que a Europa declarasse guerra aos EUA caso Trump tomasse posse da Gronelândia. Na opinião do especialista, transmitida numa entrevista e esclarecida numa resposta ao Snopes, seria preciso falar em “divórcio” porque a NATO estaria a ser posta em causa. Ainda assim, Yakovleff considera que a Europa devia ter um posicionamento “simbólico” naquele território.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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