Várias publicações que circulam no Facebook alegam que um navio da Marinha argentina atacou e afundou um navio pesqueiro chinês, por considerar que este pescava ilegalmente numa área não especificada. “A Marinha argentina abriu fogo contra um navio pesqueiro chinês, afundando-o por pesca ilegal”, lê-se numa das publicações, que partilha um vídeo de um barco a afundar-se. Outros posts alegam ainda o ataque da Marinha argentina terá sido ordenado pelo Presidente argentino, Javier Milei.

Nos últimos anos, têm-se intensificado as disputas territoriais nas águas do mar do Sul da China, com Pequim a reivindicar zonas marítimas que a ONU considera pertencerem a outros países, como Taiwan, Filipinas ou Vietname. Já houve vários incidentes entre navios destes países, o que fez aumentar a tensão naquela região. No entanto, essa zona não é disputada pela Argentina, um país que fica muito longe da costa chinesa, do outro lado do Oceano Pacífico.

Se é verdade que existe uma grande distância ideológica entre as lideranças da China (comunista) e a Argentina (que elegeu um presidente populista ligado à direita ultra liberal), este incidente nada teve a ver com um ataque de um navio argentino a um pesqueiro chinês.

O vídeo em causa circula nas redes sociais desde 2013, e mostra os momentos que se seguiram ao resgate, por elementos da Marinha Argentina, de várias pessoas que estavam a bordo de um barco que naufragou a cerca de 30 quilómetros de Villa Gesell, uma cidade costeira na província de Buenos Aires, em outubro desse mesmo ano. O barco acabou por se afundar. Como relatava a imprensa argentina à época, foram resgatados 18 tripulantes da embarcação.

Não há, aliás, qualquer registo de alguma ver ter existido um confronto entre a Marinha argentina e barcos de pesca chineses.

Conclusão

As imagens partilhadas nas publicações no Facebook não mostram a Marinha argentina a afundar um barco de pesca chinês, mas sim um naufrágio ocorrida na costa argentina em 2013.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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