A acusação circula nas mais diferentes plataformas sociais, com algumas variações e comentários diferentes, mas, no essencial, presta-se a contar a mesma história: a 14 de fevereiro, durante a Conferência de Segurança de Munique, Boris Pistorius, então ministro da Defesa alemão, ter-se-á referido a JD Vance, novo vice-presidente dos Estados Unidos, como “Cristo-fascista”.
O termo foi cunhado nos anos 70, pela teóloga alemã Dorothee Sölle, para descrever segmentos da Igreja cristã que a autora caracterizou, entre outras coisas, como totalitários e imperialistas. Esta expressão ganhou maior relevância recentemente, especialmente nos Estados Unidos, sendo usada essencialmente para denunciar aqueles que tentam restringir direitos civis ou atacar minorias em nome de uma suposta fé cristã.
Acontece que Boris Pistorius, apesar das muitas críticas feitas à intervenção de JD Vance naquele mesmo encontro anual sobre segurança internacional, nunca se referiu ao vice-presidente norte-americano nestes termos. Pistorius condenou de facto as palavras de JD Vance e disse ser inaceitável que o norte-americano comparasse o projeto europeu com o que se vive em determinados regimes autoritários.
Mas, primeiro, a intervenção inicial de Vance. “A ameaça que mais me preocupa em relação à Europa não é a Rússia, não é a China, não é qualquer outro ator externo. E o que me preocupa é a ameaça que vem de dentro: o recuo da Europa em relação a alguns dos seus valores mais fundamentais, valores partilhados com os Estados Unidos da América.”
O número dois de Donald Trump, por entre muitas críticas aos parceiros europeus, diria em concreto sobre a Alemanha que era tempo de pôr termo ao cordão sanitário em torno do partido de extrema-direita AfD, dizendo que a “democracia repousa no princípio sagrado de que a voz do povo importa” e que não há espaço para “cordões sanitários”. Recorde-se que estas declarações foram ainda antes das eleições alemãs, que se realizaram a 24 de fevereiro.
Em resposta, Pistorius, que falou mais tarde nesse encontro, respondeu o seguinte: “Não posso ignorar o que acabei de ouvir. Se entendi corretamente, [JD Vance] comparou a condição da Europa com as de regimes autoritários. Senhoras e senhores, isso é inaceitável.”
Portanto, em momento algum, como pode ser comprovado no vídeo da intervenção do então ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius se refere a JD Vance como “cristo fascista”.
Conclusão
Ao contrário das alegações que circulam nas redes sociais, o ministro da Defesa alemão nunca se referiu ao vice-presidente norte-americano com “Cristo-fascista”.
Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:
ERRADO
No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:
FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.
NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.