Momentos-chave
- O que se passou até agora
- Nova ofensiva israelita na Cidade de Gaza deverá arrancar "em meados de setembro", avança imprensa de Israel
- IDF matam militante do Hezbollah no sul do Líbano. Forças israelitas já mataram mais de 230 membros do grupo desde o cessar-fogo
- Israel rejeita “Estado terrorista jihadista” na Cisjordânia
- Autarca de Barcelona denuncia "ato hostil" do governo israelita e diz que Telavive quer "isolar o povo palestiniano"
- Gabinete de Netanyahu diz que relatório da IPC é uma "mentira descarada"
- Diretor da UNRWA apela a vontade política para travar fome em Gaza
- Hamas faz novo balanço de mortos em Gaza: foram pelo menos 71 vítimas de ataques israelitas só nas últimas 24 horas
- Hamas exige abertura das passagens fronteiriças de Gaza após declaração de "fome"
- Presidente da câmara de Barcelona impedido de entrar em Israel
- “Basta, cessar-fogo imediato”, exige coordenador da ajuda de emergência da ONU
- "É um falhanço da humanidade como um todo", diz Guterres sobre a fome em Gaza
- Israel refuta relatório de organismo apoiado pela ONU. É "falso e tendencioso"
- Organização apoiada pela ONU considera oficialmente, pela primeira vez, que há fome em Gaza
- Ataques israelitas em Gaza fazem pelo menos 30 mortos desde a madrugada
- "Nazis!". Ator espanhol Javier Bardem acusa Forças de Defesa de Israel e recupera vídeo antigo de palestiniano alvejado
- "As portas do inferno vão abrir-se" na cidade de Gaza, avisa ministro israelita
Histórico de atualizações
-
O que se passou até agora
- A ONU, através do relatório do IPC, declarou oficialmente que existe fome em Gaza, chamando a situação de um “falhanço moral” e pedindo uma resposta rápida para reverter a crise. O secretário geral da ONU, António Guterres, considerou a fome em Gaza um desastre provocado pelo homem e apelou a um cessar-fogo imediato e ao acesso irrestrito a ajuda humanitária.
- O governo israelita rejeitou o relatório do IPC, afirmando que se baseia em dados fornecidos pelo Hamas e acusando o relatório de ser uma “mentira descarada”. Israel afirmou ter permitido a entrada de significativas quantidades de ajuda humanitária em Gaza e alegou que o aumento dos preços dos alimentos no enclave é devido aos esforços humanitários.
- A situação humanitária em Gaza está a deteriorar-se rapidamente, com relatos de bombardeamentos contínuos por parte de Israel que mataram centenas de civis. Nas últimas 24 horas, pelo menos 71 pessoas morreram em ataques israelitas, o que levou a UNRWA a acusar Israel de usar deliberadamente a fome como política.
- As Forças de Defesa de Israel preparam-se para uma nova ofensiva na Cidade de Gaza, designada “Carruagens de Gideão”, que poderá começar em setembro. O governo israelita já avisou que a ofensiva ocorrerá caso o Hamas não se renda, prevendo-se uma escalada significativa das operações militares.
[Governo decide que é preciso invadir a embaixada para pôr fim ao sequestro. É chamada uma nova força de elite: o Grupo de Operações Especiais. “1983: Portugal à Queima-Roupa” é a história do ano em que dois grupos terroristas internacionais atacaram em Portugal. Um comando paramilitar tomou de assalto uma embaixada em Lisboa e esta execução sumária no Algarve abalou o Médio Oriente. Ouça no site do Observador o quinto episódiodeste podcastplus narrado pela atriz Victoria Guerra, com banda sonora original dos Linda Martini. Também o pode escutar na Apple Podcasts, no Spotify e no YoutubeMusic. E ouça o primeiro episódio aqui, o segundo aqui, o terceiro aqui e o quarto aqui]
-
Bom dia!
Encerramos este artigo em direto que acompanhou todos os desenvolvimentos da guerra na Ucrânia (e as respetivas negociações pela paz) ao longo desta sexta-feira.
No entanto, pode seguir neste liveblog agora aberto todas as novidades sobre o conflito durante este sábado.
Ucrânia diz que Rússia realizou 450 ataques nas últimas 24 horas
-
Fome em Gaza. "Filtro de Israel a mercadorias é principal obstáculo"
Beatriz Imperatori, Diretora-Executiva da UNICEF Portugal, explica que o escrutínio de Telavive a cada mercadoria atrasa e dificulta a chegada dos comboios humanitários a Gaza.
Ouça aqui o Explicador da Rádio Observador.
Fome em Gaza. “Filtro de Israel a mercadorias é principal obstáculo”
-
Trump diz que "nem todas" as famílias dos reféns israelitas se opõem à ocupação de Gaza
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, questionado pelo facto dos Estados Unidos apoiarem a ocupação de Gaza quando as famílias dos reféns se opõem, disse que “nem todas”.
“Fui eu que tirei os reféns de lá. Se não fosse por mim, não estariam cá fora”, acrescentou.
-
Nova ofensiva israelita na Cidade de Gaza deverá arrancar "em meados de setembro", avança imprensa de Israel
Israel deverá arrancar com a nova ofensiva na Cidade de Gaza em “meados de setembro”, avança o Channel 12 israelita. De acordo com o canal, serão emitidos avisos para a evacuação de cerca de um milhão de palestinianos que vivem na cidade. Estes alertas podem começar já este domingo.
Citando funcionários da administração israelita, Benjamin Netanyahu quer acelerar o início da operação “Carruagens de Gideão”, enquanto o exército quer salvaguardar os próprios militares e os reféns ainda no enclave — bem como evacuar os palestinianos que residem na cidade, para garantir que existe “legitimidade internacional” para avançar com a operação.
Sobre a proposta de cessar-fogo atualmente em cima da mesa, as mesmas fontes ouvidas pelo Channel 12 dizem que “atualmente não há divergências substanciais” entre Israel e o Hamas, mas que “tudo depende de Netanyahu”. “Não há soluções mágicas, se quisermos trazer de volta os reféns, conseguimos fazê-lo agora”, continuam.
-
UE diz que fome é realidade em Gaza e exige ações de Israel
A comissária europeia para a Ajuda Humanitária admitiu hoje que a fome “é uma realidade” em Gaza, após um relatório da ONU que a declarou oficialmente naquele território palestiniano, exigindo a Israel que deixe entrar apoio humanitário.
“A fome já não é um risco em Gaza, é uma realidade”, disse a comissária para a Ajuda Humanitária e Gestão de Crises, Hadja Lahbib, em comunicado divulgado.
A comissária acrescentou que “há crianças a morrer à fome e de doenças, enquanto famílias inteiras estão vários dias sem o que comer” e o acesso a água potável e ao apoio médico colapsaram.
-
IDF matam militante do Hezbollah no sul do Líbano. Forças israelitas já mataram mais de 230 membros do grupo desde o cessar-fogo
As forças de defesa de Israel anunciaram ter matado um operacional do Hezbollah após um ataque com um drone no sul do Líbano. Numa nota publicada na rede social X, as IDF escrevem que o militante do grupo xiita libanês estava “envolvido em esforços de reestruturação da infraestrutura do Hezbollah na região”.
כלי טיס של חיל האוויר תקף וחיסל מוקדם יותר היום בהכוונה של אוגדה 91, מחבל מארגון הטרור חיזבאללה שעסק בנסיונות שיקום תשתיות טרור של הארגון במרחב עייתא א-שעב בדרום לבנון
— צבא ההגנה לישראל (@idfonline) August 22, 2025
Segundo o The Times of Israel, desde o cessar-fogo assinado em novembro de 2024, as IDF já mataram mais de 230 militantes do Hezbollah em ataques no Líbano, sob acusações de violações dos termos do acordo.
-
Israel rejeita “Estado terrorista jihadista” na Cisjordânia
Israel rejeitou hoje uma “tentativa externa de impor um Estado terrorista jihadista no coração de Israel”, referindo-se ao apelo de 21 países e da União Europeia (UE) para retirar o plano de novos colonatos na Cisjordânia.
Na quinta-feira, 21 Estados, incluindo Portugal, e a alta representante da UE para os Negócios Estrangeiros apelaram para o abandono urgente do projeto de construção de novos colonatos que dividirão a Cisjordânia ocupada.
Em resposta, a diplomacia israelita considerou hoje em comunicado inaceitável que governos estrangeiros falem “em nome do bem comum” e reivindicou o “direito histórico dos judeus de viver em qualquer lugar da Terra de Israel”.
O projeto prevê mais de três mil casas em território palestiniano ocupado e é ilegal à luz do Direito internacional.
-
Autarca de Barcelona denuncia "ato hostil" do governo israelita e diz que Telavive quer "isolar o povo palestiniano"
Após ter sido impedido de entrar em Israel, o presidente da Câmara de Barcelona Jaume Collboni acusou o governo israelita de ter como objetivo “isolar o povo palestiniano e esconder do mundo as constantes violações de direitos humanos que sofrem”.
No Instagram, o autarca escrebe que foi convidado pelos seus homólogos nas cidades de Ramallah e Bethlehem, na Cisjordânia, para “ver em primeira mão as realidades nas cidades palestinianas”. A viagem do catalão incluía também um encontro com grupos israelitas e uma visita a um campo da agência da ONU para refugiados palestinianos.
Na publicação, Jaume Collboni diz que a ação do governo israelita de recusar a entrada de delegação vinda de Barcelona é um “ato hostil” e que “só fortalece a [sua] determinação… pela paz, pela justiça e pelo reconhecimento dos direitos do povo palestiniano”.
-
Gabinete de Netanyahu diz que relatório da IPC é uma "mentira descarada"
O relatório hoje publicado pela Integrated Food Security Phase Classification (IPC), a denunciar que existe fome em Gaza, é uma “mentira descarada” aos olhos do gabinete do primeiro-ministro. “Israel não tem uma política de fome. Israel tem uma política de prevenção de fome”, lê-se numa publicação na rede social X.
The IPC report is an outright lie.
Israel does not have a policy of starvation. Israel has a policy of preventing starvation.
Since the beginning of the war Israel has enabled 2 million tons of aid to enter the Gaza Strip, over one ton of aid per person.
— Prime Minister of Israel (@IsraeliPM) August 22, 2025
O gabinete de Benjamin Netanyahu refere ainda que desde o início da guerra, “Israel permitiu a entrada de dois milhões de toneladas de ajuda humanitária em Gaza”, perfazendo “mais de uma tonelada de apoio por pessoa”.
Nesta publicação, o chefe do governo israelita afirma que os preços de alimentos em Gaza tem vindo a aumentar devido à entrada de bens alimentares fruto dos esforços humanitários de Israel. Mencionam, também, que mais de mil camiões que transportavam ajuda humanitária para o enclave, durante o mês de julho, foram “pilhados antes da distribuição” — “apenas 10 chegaram aos armazéns”.
Admitindo algumas “carências temporárias” de apoio humanitário em Gaza, o gabinete do primeiro-ministro israelita reforça que estes momentos foram compensados com “entregas por mar, via lançamentos aéreos” e através de outros pontos de distribuição.
Assim, garantem que esta “escassez” foi provocada pelo “roubo sistemático do Hamas”. Para Netanyahu, o relatório da agência apoiada pela ONU é uma “calúnia moderna” e assegura que “as fabricações do IPC vão colapsar em breve”.
-
Diretor da UNRWA apela a vontade política para travar fome em Gaza
Philippe Lazzarini, responsável máximo da Agência da ONU para os Refugiados Palestinianos (UNRWA), afirmou esta sexta-feira que a fome em Gaza já não pode ser ignorada e exige uma resposta política imediata.
“Durante meses avisámos e ninguém quis ouvir. Agora que a fome foi confirmada na Cidade de Gaza e áreas vizinhas, é altura de agir com vontade política”, declarou.
Lazzarini acusou diretamente Israel: “Isto é uma fome provocada de forma deliberada, fabricada pelo governo de Israel. É consequência direta da proibição de entrada de alimentos e de outros bens essenciais durante meses, incluindo carregamentos destinados à UNRWA”.
Segundo o dirigente, a catástrofe ainda pode ser travada. “O alastrar da fome pode ser controlado com um cessar-fogo imediato e permitindo que as organizações humanitárias façam o seu trabalho, cheguem às populações famintas e entreguem a ajuda de que precisam”, sublinhou.
-
A invasão da Cidade de Gaza. O morticínio vai continuar?
O Governo israelita aprovou um plano para a invasão da cidade. Os palestinianos terão de rumar a sul. Maya Siminovich, jornalista em Telavive, é a nossa convidada.
-
Hamas faz novo balanço de mortos em Gaza: foram pelo menos 71 vítimas de ataques israelitas só nas últimas 24 horas
O Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, fez um novo balanço do número de mortos em Gaza nos ataques israelitas das últimas 24 horas: foram pelo menos 71 vítimas.
Entre as vítimas estão 24 pessoas que aguardavam ajuda humanitária, afirma o comunicado do Hamas, acrescentando no mesmo balanço que existem, também, 251 feridos.
No mesmo período, fontes médicas confirmaram duas novas mortes por fome, elevando para 273 o total de vítimas da desnutrição desde o início da guerra, incluindo 112 crianças.
Segundo os números do Hamas, desde 7 de outubro de 2023 o conflito já provocou 62.263 mortos e 157.365 feridos em Gaza.
-
Hamas exige abertura das passagens fronteiriças de Gaza após declaração de "fome"
O Hamas apelou nesta sexta-feira ao fim imediato da guerra em Gaza e ao levantamento das restrições impostas por Israel à entrada de ajuda humanitária, na sequência da declaração oficial de fome em partes do território pelo sistema da ONU de Classificação Integrada da Segurança Alimentar (IPC).
Numa nota divulgada online, citada pela imprensa israelita, o movimento exige “ação urgente das Nações Unidas e do Conselho de Segurança para pôr termo à guerra e levantar o bloqueio”, sublinhando a necessidade de abrir todas as passagens fronteiriças “sem limitações”, de modo a permitir a entrada contínua de alimentos, medicamentos, água e combustível.
Israel já veio rejeitar as conclusões do relatório do IPC, alegando que este se baseia em dados fornecidos pelo Hamas e que terá “distorcido as suas próprias regras” para declarar a situação de fome.
-
Exército israelita diz ter atingido lança-rockets em Gaza
As Forças de Defesa de Israel (IDF) anunciaram nesta sexta-feira que a Força Aérea destruiu um lança-rockets na zona de Deir al-Balah, no centro da Faixa de Gaza.
Segundo oficial oficial do exército citada pelo The Times of Israel, um drone israelita atingiu ainda um conjunto de morteiros utilizados pelo Hamas num ataque de quarta-feira contra um acampamento militar israelita em Khan Yunis.
O comunicado acrescenta que as operações terrestres prosseguem em várias frentes. Nos arredores da Cidade de Gaza, as divisões 99.ª e 162.ª terão eliminado combatentes e destruído infraestruturas ligadas a grupos armados, incluindo um armazém de armas no bairro de Zeitoun.
Mais a sul, em Khan Yunis, a 36.ª Divisão atacou edifícios onde, de acordo com o exército, se encontravam concentrados membros do Hamas.
-
Governo alemão considera reconhecimento de Estado palestiniano “contraproducente”
O governo alemão reiterou nesta sexta-feira que não tem planos imediatos de reconhecer um estado palestiniano, sustentando que uma decisão dessa natureza poderia comprometer os esforços para alcançar uma solução de dois estados, negociada com Israel.
“O nosso objetivo continua a ser uma solução de dois estados negociada, mesmo que atualmente pareça distante. O reconhecimento da Palestina só faria sentido no final deste processo; qualquer decisão agora seria contraproducente”, declarou um porta-voz do executivo em conferência de imprensa, citado pela Reuters.
Nos últimos meses, outros países, como Austrália, Reino Unido, França e Canadá, anunciaram que estariam dispostos a reconhecer um Estado palestiniano, embora sob condições diferentes. Já no mês passado, o governo alemão indicou que não iria acompanhar França no reconhecimento de um estado palestiniano.
-
Presidente da câmara de Barcelona impedido de entrar em Israel
O presidente da câmara de Barcelona, Jaume Collboni, foi impedido de entrar em Israel, horas antes de uma visita que estava prevista, devido a comentários críticos que Collboni terá feito sobre Israel no passado.
De acordo com o site Ynet, o autarca deveria chegar ao país esta noite, mas foi informado em cima da hora de que a Autoridade de População e Imigração decidiu negar-lhe a entrada.
Caso a visita se tivesse realizado, Collboni teria incluído no programa uma paragem em Yad Vashem e encontros com representantes da Autoridade Palestiniana, segundo o canal israelita Channel 12.
A decisão surge cerca de três meses depois de o conselho municipal de Barcelona ter votado pela suspensão das relações institucionais com o governo israelita e do acordo de amizade com Tel Aviv, em protesto contra a guerra em Gaza.
-
“Basta, cessar-fogo imediato”, exige coordenador da ajuda de emergência da ONU
O coordenador da ajuda de emergência da ONU, Tom Fletcher, afirmou esta sexta-feira que a situação de fome em Gaza deve “envergonhar o mundo e motivá-lo a fazer melhor”.
Em declarações a partir de Genebra, Fletcher apelou a uma ação urgente por parte da comunidade internacional e dirigiu um pedido direto ao governo israelita: “O meu apelo, a minha exigência ao primeiro-ministro Netanyahu e a todos os que possam influenciá-lo: chega, cessar-fogo. Abram todas as passagens, norte e sul, todas elas. Deixem que alimentos e outros suprimentos entrem sem impedimentos e em larga escala. Parem a retaliação”.
Fletcher sublinhou que se trata da primeira fome oficialmente declarada no Médio Oriente, que poderia ter sido evitada, responsabilizando a “obstrução sistémica” que tem impedido a ONU de fornecer ajuda à população.
Questionado sobre a negação da fome por parte de membros do governo israelita, mesmo após o relatório do IPC, Fletcher apelou: “Leiam o relatório. Não se limitem a ouvir-me. Leiam-no de ponta a ponta, leiam novamente, e deixem-se mover à ação”.
-
"É um falhanço da humanidade como um todo", diz Guterres sobre a fome em Gaza
A fome em Gaza, declarada nesta sexta-feira por um organismo apoiado pela ONU, “é um falhanço da humanidade como um todo“, diz o secretário-geral das Nações Unidades, António Guterres.
“Quando parecia que já não havia palavras para descrever o inferno vivido em Gaza, surgiu mais uma: ‘fome’”, afirmou Guterres, em reação ao relatório. Para o líder da ONU, este é “um desastre provocado pelo homem, um fracasso moral e um falhanço da própria humanidade”.
FILIP SINGER/EPA
Guterres destacou que a fome não se limita à escassez de alimentos, sendo também o colapso deliberado dos sistemas essenciais à sobrevivência humana. O secretário-geral recordou que Israel tem obrigações inequívocas ao abrigo do direito internacional, incluindo assegurar o fornecimento de alimentos e medicamentos à população.
“Não podemos permitir que esta situação continue a passar incólume. Chega de desculpas. O tempo para agir não é amanhã — é agora. É necessário um cessar-fogo imediato, a libertação imediata de todos os reféns e pleno acesso humanitário sem restrições”, concluiu.
-
Israel refuta relatório de organismo apoiado pela ONU. É "falso e tendencioso"
O governo de Israel veio “rejeitar categoricamente”, nesta sexta-feira, as conclusões do mais recente relatório do Integrated Food Security Phase Classification (IPC), um organismo apoiado pela ONU que declarou oficialmente que existe fome em Gaza.
A reação foi divulgada pela Coordenação de Atividades Governamentais nos Territórios (COGAT), o organismo militar responsável pela gestão da ajuda humanitária, que classificou o relatório como “falso, baseado em dados parciais e enviesados, e em informações superficiais provenientes do Hamas, uma organização terrorista”.
O comunicado acusa, ainda, o IPC de ignorar os “esforços humanitários extensivos levados a cabo em Gaza”. Segundo a COGAT, a classificação de fome do IPC baseia-se numa “pesquisa telefónica não publicada e em avaliações questionáveis da UNRWA — agência da ONU cujos trabalhadores fazem parte integrante do Hamas — e de ONG locais, além de especulações sobre taxas de mortalidade que nem o Ministério da Saúde do próprio Hamas reporta”.