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Foram apresentadas esta terça-feira as conclusões do estudo pedido pelo Governo sobre a sustentabilidade da segurança social. O grupo de trabalho, coordenado pelo economista Jorge Bravo, concluiu que o sistema de pensões português está em défice e que é preciso analisar o regime geral de pensões da segurança social e a Caixa Geral de Aposentações (CGA) de forma conjunta. |
De acordo com os peritos, olhar separadamente para a CGA e para o Regime Geral da Segurança Social leva a uma “ilusão quanto à performance financeira”. Por outro lado, “o sistema hoje não garante equidade intergeracional, estamos a transferir dívida para gerações futuras”, destacou o coordenador. |
O grupo de peritos propõe um regime comum, com um sistema de contas individuais nocionais, em que seriam registadas as contribuições do trabalhador e do empregador numa conta virtual, na qual seria simulada a capitalização das contribuiões acrescida de uma taxa de retorno até ao momento da reforma. Mas há mais ideias saídas deste grupo de trabalho, que deixa uma série de recomendações para as reformas futuras, como a criação de planos de pensões profissionais, de adesão automática mas voluntária, para complementar a pensão pública. |
Há ainda recomendações para se amealhar poupança com vista a ter um rendimento adicional na reforma. É o caso da criação de um programa de contas “grão a grão”, em que o Estado faria contributos simbólicos para essa conta até a criança atingir a maioridade. Também é sugerida uma solução em que a poupança estaria ligada ao consumo. Por exemplo, ao fazer uma compra e pedir uma fatura com NIF iria constituindo uma poupança para a reforma. Ou então afetar parte do IVA de uma compra a uma conta poupança de longo prazo, sugeriram os peritos. |
O estudo já foi entregue ao Governo, que assumiu que o estudo “é apenas mais um contributo”, não mostrando vontade de abrir o debate sobre a reforma do sistema de segurança social nesta legislatura. |
Regulador da energia afasta efeito “foguete pluma” nos preços dos combustíveis |
No início de julho, o Governo pediu ao regulador da energia uma análise ao preço dos combustíveis. O objetivo de Maria da Graça Carvalho passava por perceber se os preços praticados nas bombas de combustível não baixavam tanto quanto o petróleo. A análise ao preço dos combustíveis é feita, regularmente, pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), mas o Governo queria mais. E assim aconteceu. A ERSE fez um estudo mais pormenorizado, cujas conclusões foram já apresentadas. |
O regulador afastou o efeito “foguete-pluma” persistente. Ou seja afastou a a ideia de que os preços sobem depressa, como uma flecha, e baixam lentamente, como uma pluma, realçando que os resultados da análise do regulador não sustentam “que as descidas sejam repercutidas de forma persistentemente mais lenta ou menos completa do que as subidas”. |
A ERSE concluiu que a evolução dos preços “foi explicada sobretudo pela evolução” das cotações internacionais do gasóleo e da gasolina já refinados e não diretamente pela evolução do preço do petróleo bruto. |
O travão das empresas à ‘queima’ dos tokens de IA |
Depois de incentivos para os funcionários usarem a inteligência artificial (IA) “tanto quanto possível”, há agora empresas a tentar conter os gastos com esta tecnologia. Já é considerado o fim da era do tokenmaxxing, a expressão usada para o consumo acelerado de tokens, a moeda dos modelos de IA. Ter a IA a fazer tarefas acarreta o processamento de tokens. E, quanto mais complexa for a tarefa, mais tokens podem ser consumidos. |
Nos últimos meses, algumas empresas nos EUA vieram a público relatar como foram surpreendidas por faturas elevadas de consumos de tokens de IA. A Uber, que deu acesso aos seus programadores à ferramenta de gerar código Claude Code, relatou que tinha consumido em quatro meses a totalidade do orçamento para IA que tinha previsto para 2026. Há ainda o caso de uma empresa que gastou 500 mil dólares, mais de 428 mil euros, numa maratona de inovação com IA. |
Os especialistas consideram que nem todas as tarefas precisam dos modelos mais avançados de IA (que são mais ávidos no consumo de tokens). Em Portugal, também há empresas atentas aos gastos com a IA e a analisar o retorno do investimento que fazem. Há quem tenha um orçamento de tokens por funcionário, incentive a escolha do modelo mais adequado a cada tarefa ou tenha ferramentas internas para otimização dos consumos. |

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A EMPRESA |
A informação surgiu ao início da noite de sexta-feira, através de um comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM): o Estado vai voltar a ser acionista da Rede Elétrica Nacional (REN). A Parpública, a holding do Estado, vai comprar 13,7% da REN à Pontegadea Inversiones, a holding ligada à família do fundador da Zara, Amancio Ortega. O Estado deixou de ser acionista da REN em 2012, durante o período da troika. |
O negócio compreende a transmissão de 91 723 676 ações do capital da operadora de redes de eletricidade e gás natural. O valor não foi divulgado, mas com base na cotação da REN é negócio para mais de 320 milhões. A operação ficou condicionada ao visto do Tribunal de Contas (TdC), pedido pelo Governo. O processo de análise arrancou esta segunda-feira, disse fonte oficial do TdC ao Observador. |
Duas horas após o comunicado à CMVM, Luís Montenegro discursou na festa do Pontal, justificando a reentrada na REN “para salvaguardar o interesse estratégico de Portugal na sua infraestrutura elétrica”. Mencionou ainda a oportunidade de “participar nas decisões de investimento” da empresa e “baixar os preços da energia”. Sem que haja muita informação do Governo sobre os motivos, Montenegro prometeu divulgar “todos os elementos” sobre a operação, reafirmando que a entrada no capital da REN “terá efeito a médio e longo prazo” nos preços: “Ninguém diz que é a intervenção na REN que provoca diretamente uma alteração de preço — mas é uma das condições para podermos proteger o interesse estratégico (…)”. A operação já está a ser questionado por vários partidos, como o PS, a IL ou o PCP. |
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