O final do ano é, inevitavelmente, um momento de balanço e de projeção. Impõe-se planeamento, diálogo e execução para ultrapassar um momento desafiante na saúde. Deixo 23 pensamentos para a Saúde em 2023:
- We are in this together: a Saúde é mais que o SNS, os sectores privado e social; precisamos de envolver as escolas, as comunidades e criar novas dinâmicas para a saúde de todos.
- Think globally, act locally: é fundamental adaptar os planos globais às realidades locais, moldando os recursos de saúde às necessidades reais.
- Investigar: potenciar a investigação de mundo real, em contexto de Cuidados de Saúde Primários (CSP), criando novos paradigmas de abordagem da doença crónica.
- Definir o tamanho da baliza: com players que se cruzam com o SNS em várias vertentes é importante que todos tenham um papel bem definido e adaptado.
- Abandonar dogmas: as pessoas mudaram, a saúde mudou; é preciso potenciar novas formas de captar e reter os profissionais capazes no SNS.
- O novo Hospital: perto das populações e das emoções e com um constructo humano de empatia pelos que olham para ele como o último reduto.
- A nova saúde na comunidade: unidades multidisciplinares fortes com competências ajustadas à população e com adaptação social.
- Integração de cuidados: um modelo de unidades locais de saúde com dinâmicas regionais fortes, vestindo a camisola em conjunto para dar resposta no local e tempo certos.
- O mecânico de fórmula 1: há muito a aprender com a forma como se muda um pneu em F1; rápido, em equipa, com as ferramentas certas no momento certo.
- A certificação contínua: é imprescindível certificar continuamente todos os que são responsáveis pela vida de outros, capacitando-os para fazer ainda melhor.
- As crianças: mais e melhor educação para a saúde; vamos ensinar os pequenos para que estes possam mudar os comportamentos dos grandes.
- Os idosos: muitos sozinhos, sem apoio; temos de fazer melhor – a saúde é muito mais que a ausência de doença visível.
- A medição de valor: só sabemos quanto vale aquilo que é medido; vamos medir novas formas de fazer saúde para depois as transformar em iniciativas globais.
- As universidades: mais perto, mais ágil; núcleos académicos junto dos CSP para criar medir as estratégias de valor em saúde.
- A urgência e emergência: há que concentrar recursos, criar equipas específicas e dar resposta em cada nível de cuidados.
- A oncologia: na vertigem de uma epidemia de doença oncológica é imprescindível acelerar os programas de rastreio e de literacia.
- O medo: de morrer só, de não ter resposta; vamos deixar os discursos de catástrofe e alavancar as boas iniciativas que já existem.
- O laboratório: de ideias, de boas práticas; potenciar um ambiente de start-up e scale-up dentro do SNS, premiando as boas ideias.
- O acesso: instituições de saúde que funcionam como um parque ou museu, com acesso, tranquilidade, descoberta; só assim minimizamos o peso da doença.
- Os mecanismos de salvaguarda da crise: temos de estar preparados para as próximas pandemias, de todos os tipos.
- O tempo: planear e gerir pelo menos no horizonte de uma geração; só assim se pode aferir o real valor das medidas.
- As pessoas: os profissionais, os utentes, os doentes; ouvir, aprender e melhorar, todos os dias.
- A incerteza: vamos transformar a incerteza em saúde no motor de crescimento e não de medo.