Ir de férias significa desligar… desligar dos ecrãs habituais, mas explorar as folhas de papel ou digitais das palavras que andamos a adiar ler e prometemos fazê-lo na praia ou perto da piscina. Eis o momento. Chegaram as férias!

E-mails? Só por urgência. Reuniões? Nem vê-las. Zooms ou Teams trocados por Dreams. Briefings substituídos por brisas e brunchs. Memos na gaveta e venham memórias com selfies. E as calls do escritório são agora as calls do mar.

Mas porque a pausa pode ser boa conselheira e nem só de Martinis se fazem as férias, seguem recomendações de obras que vai poder desfrutar com prazer, repletas de estórias e conhecimento útil e prático para ler com deleite e voltar com as baterias recarregadas (e a pele mais bronzeada), e as ideias a fervilhar para pôr na prática.

The Coming Wave – “Generative AI, synthetic biology, robotics, and other innovations”. Mustafa Suleyman

Suleyman, co-fundador da DeepMind (agora Google Deepmind e uma empresa dentro da Alphabet sediada em Londres), mostra como a IA e a biotecnologia vão ser forças imparáveis nas próximas décadas

O livro é um compêndio de quem está na I.A. há tempo demais para ser ignorado. Este britânico foi um dos que viria a descobrir os transformadores e a publicar o artigo que aceleraria a IA generativa que agora usamos de forma mais popular com o ChatGPT da OpenAI. Nota: entretanto Mustafa já não está na Deepmind e é agora CEO da Microsoft AI.

O tom do livro é todo ele atravessado pela premente preocupação de Suleyman de que a incessante corrida pela vitória empresarial da IA (entre empresas norte-americanas e depois disso na corrida geopolítica contra a China) faça com que os danos desta nova revolução provoquem um cataclismo social. A preocupação ética é o cerne da questão, e mais ainda quando inclui no livro (e bem) a Biologia Sintética e a Robótica, de mãos dadas com a revolução da IA nos próximos anos.

O resumo é até simples: é preciso criar formas de proteção, controlo e governança para gerir devidamente estas tecnologias e a inovação que procuramos para um mundo melhor, e não apenas para um mundo melhor tecnologicamente falando.

O livro está repleto, como não podia deixar de ser, de alguns episódios vividos só por quem está no “olho do furacão” do tema. 4 grandes capítulos para um repto final de 10 passos para conter esta revolução tecnológica. Não parar, mas conter no sentido de gerir e saber conduzir.

Palavras sábias e atentas de quem avisa para o que aí pode vir. Um livro diria obrigatório sobretudo a líderes de negócio e líderes políticos.

“Contágio: Como as Ideias se Espalham”. Jonah Berger

Baseado em anos de pesquisa científica sobre viralidade, Berger revela as 6 regras do conteúdo ou de ideias contagiantes/Virais:

Moeda Social
Gatilhos
Emoções fortes
Tornar Público
Valor prático
Estórias

É um dos meus livros favoritos para o Marketing Digital dos últimos 10 anos. E ainda por cima divertido e fácil de ler num fim de semana. Ideal para equipas de redes sociais, branded content, criativos, gestores… tanto para B2B como B2C.

Aqui vai encontrar inúmeros casos conhecidos, desde o famoso “Blendtec” ao “ice bucket challenge”, ou ainda explicando como os auriculares brancos da Apple fizeram sentido na viralização, entre muitos outros.

Lê-se de uma penada, tal a leveza embrulhada pelos casos e pela espantosa revelação da investigação e das descobertas do que nos faz partilhar com outros ideias, negócios, produtos, serviços…

Curiosidade divertida: Berger compara as ideias a vírus — e mostra que até um produto banal como um liquidificador pode tornar-se viral.

Marketing Futureland, Andre Zeferino, Luiz Moutinho, Nuno Teixeira

Um excelente compêndio do futuro próximo no que diz respeito às transformações do mercado e da sociedade, com impacto direto nas marcas e na sua relação com os clientes e ao que devem as marcas estar atentas.

Da Economia das Expectativas ao Marketing Algorítmico, do Martech aos Marketpreneurs e, claro, passando pela Biometria, Neurociência e as Realidades Virtuais.

Cumpre em cada um destes capítulos não apenas a explicação dos temas como a sua aplicabilidade e sempre bem recheadas as páginas de inúmeros exemplos ilustrativos.

Um belo livro resumo para desbravar, conhecer e decidir onde investir tempo, pesquisa e desenvolvimento pela frente na empresa.

Marketing Performance: 80 Métricas de Marketing e Vendas, Pedro Celeste & Luís Bettencourt Moniz

É a obra de referência para profissionais de marketing e vendas que precisam medir, justificar e otimizar (de novo: B2C como B2B).

A base são então as 80 métricas essenciais, que não precisa saber nem usar todas, mas lá estarão de certeza as críticas 5 para o seu caso. Organizadas por áreas (atração, conversão, fidelização, desempenho comercial, notoriedade, entre outras) e com explicações práticas e exemplos reais, cada métrica vem com a fórmula de cálculo, contexto de aplicação e recomendações para interpretação dos resultados — ideal para gestores, diretores e consultores que trabalham com dados e dashboards de vários tipos.

Excelente ferramenta para preparar apresentações a boards, justificar investimentos em marketing digital e alinhar com os objetivos de negócio. Tanto pode funcionar como manual de consulta rápida, mas também como leitura contínua para consolidar pensamento estratégico orientado a resultados.

Curiosidade:

os autores referem que, apesar de tantas métricas disponíveis, muitas empresas ainda vivem “à vista” baseando decisões em intuição — por isso o livro foi feito “como se fosse um GPS para quem está cansado de andar às voltas”.

Build, Tony Fadell

Ao longo do livro Tony Fadell orienta-nos pelas várias tarefas de gerir uma empresa empregando as lições pessoais de vida que ele guardou como empreendedor. Mas vamos também aqui e ali espreitando a vida pessoal. Os primeiros 10 anos como sonhador na General Magic, passando pelos duros dias em multinacionais, até finalmente despontar com o iPod e depois o iPhone já na Apple e sob as lições de Steve Jobs.

Um livro “sem tretas”, como ele apregoa. Dicas práticas que todos beneficiam delas, mas claramente mais orientadas a quem está nos 20 e 30 a criar o seu negócio. Muito interessante, pois claro, ler pormenores da História da tecnologia de quem a escreveu, como alguns detalhes da ideia do iPod ou de como na Apple o iPhone era visto por algumas equipas de forma muito descrente.

Impressionante, também, todo o detalhe que Fadell partilha sobre como a Nest surgiu e o serviço e produtos foram alvo de tantos pormenores e afinações, o que prova de novo que o segredo nunca é a ideia, mas sim a implementação. Para quem trabalha nesta área diria este é um livro obrigatório para levar neste verão.

Excertos que destaco:

Como afirmou a brilhante, empática, perspicaz e humilde designer Ivy Ross, vice-presidente de design de hardware na Google: “Não se trata de dados ou intuição. Trata-se de dados e intuição.”

“o princípio de assimetria da estupidez, a Lei de Brandolini: “A quantidade de energia para refutar uma estupidez tem uma ordem de magnitude mais elevada do que a necessária para a produzir.”

“As melhores ideias são analgésicos, não são vitaminas.”

Same as Ever, Morgan Housel

Um livro que é uma valente surpresa. Housel decidiu há uma década deixar de ler livros sobre perspetivas de futuro (sempre difíceis nessa previsibilidade certeira) e começou a dedicar-se a livros de História. Com o tempo foi-se apercebendo de padrões. Retirando inúmeros casos do período da Grande Depressão de 1929 ou da II Grande Guerra ou dos anos 80/90, Housel vai ilustrando em cada capítulo aquilo que nunca muda e ainda hoje no presente podemos verificar (e, portanto, esperar que se repita).

Podia ser um livro leve e caricato, mas consegue transpor a barreira e desafiar-nos na reflexão e na conversa. Revelador. E um manancial de notas a tirar para lembrar. Recomendo vivamente.

Excertos que destaco:

“You can only be an optimist in the long run if you’re pessimistic enough to survive the short run; rational optimist; Plan like a pessimist and dream like an optimist.”

“A painful truth: The only thing harder than gaining a competitive advantage is keeping one.”